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Carta
ao leitor
A realidade do
sonho americano
John Hayes
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| Malu
Gaspar com o imigrante brasileiro Gervásio: a esperança supera
os riscos |
Há
duas semanas, a repórter Malu Gaspar, da sucursal de VEJA
em Brasília, embarcou para os Estados Unidos com a missão
jornalística de descrever como vivem e o que pensam os brasileiros
presos por imigração ilegal naquele país. Malu
falou com brasileiros nas cadeias e entrevistou outros que escaparam
das patrulhas, conseguindo seu intento de viver e trabalhar nos
Estados Unidos. Em Los Angeles, na Califórnia, ela encontrou
um deles, Gervásio Pereira da Costa, de 45 anos, que por
duas vezes burlou a vigilância e se estabeleceu no novo país.
Na primeira, apenas com o visto de turista, ele arrumou emprego
e juntou dinheiro. Voltou ao Brasil e gastou todas as economias.
Na segunda, entrou pela fronteira mexicana. Empregou-se de novo
como mecânico, atividade que lhe rende hoje até 2 000
dólares por mês.
Em
Florence, no Arizona, uma espécie de cidade-prisão
onde existem mais pessoas detidas que moradores, Malu entrevistou
brasileiros que não tiveram a mesma sorte de Gervásio.
Daquela prisão partiram na semana passada alguns dos primeiros
277 brasileiros deportados, de um total de mais de 1 000 que as
autoridades americanas querem enviar de volta ao Brasil. Malu constatou
que as condições de vida nas celas de Florence em
nada lembram as dos presídios brasileiros. Embora existam
queixas esparsas de maus-tratos em outras prisões, especialmente
nas do Texas, em Florence os detentos usam roupa limpa e sapatos
novos e alimentam-se bem. Eles podem ver televisão e praticar
esportes.
"A
obsessão pela idéia de que nos Estados Unidos eles
vão melhorar de vida anula a avaliação dos
perigos", diz Malu. A jornalista conversou também com os
agentes do serviço de imigração e outros responsáveis
pela segurança das fronteiras. Em guerra contra o terrorismo,
os americanos estão com a sensibilidade exacerbada para toda
questão relacionada à porosidade de suas fronteiras.
Malu ouviu deles queixas sobre a pouca confiabilidade dos passaportes
brasileiros, considerados por eles documentos de fácil falsificação
e de potencial uso por terroristas para se infiltrar em território
americano. Muitos imigrantes ilegais portavam passaporte falso quando
foram presos. O relato de Malu Gaspar começa na página
40.
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