Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

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A realidade do
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John Hayes
Malu Gaspar com o imigrante brasileiro Gervásio: a esperança supera os riscos

Há duas semanas, a repórter Malu Gaspar, da sucursal de VEJA em Brasília, embarcou para os Estados Unidos com a missão jornalística de descrever como vivem e o que pensam os brasileiros presos por imigração ilegal naquele país. Malu falou com brasileiros nas cadeias e entrevistou outros que escaparam das patrulhas, conseguindo seu intento de viver e trabalhar nos Estados Unidos. Em Los Angeles, na Califórnia, ela encontrou um deles, Gervásio Pereira da Costa, de 45 anos, que por duas vezes burlou a vigilância e se estabeleceu no novo país. Na primeira, apenas com o visto de turista, ele arrumou emprego e juntou dinheiro. Voltou ao Brasil e gastou todas as economias. Na segunda, entrou pela fronteira mexicana. Empregou-se de novo como mecânico, atividade que lhe rende hoje até 2 000 dólares por mês.

Em Florence, no Arizona, uma espécie de cidade-prisão onde existem mais pessoas detidas que moradores, Malu entrevistou brasileiros que não tiveram a mesma sorte de Gervásio. Daquela prisão partiram na semana passada alguns dos primeiros 277 brasileiros deportados, de um total de mais de 1 000 que as autoridades americanas querem enviar de volta ao Brasil. Malu constatou que as condições de vida nas celas de Florence em nada lembram as dos presídios brasileiros. Embora existam queixas esparsas de maus-tratos em outras prisões, especialmente nas do Texas, em Florence os detentos usam roupa limpa e sapatos novos e alimentam-se bem. Eles podem ver televisão e praticar esportes.

"A obsessão pela idéia de que nos Estados Unidos eles vão melhorar de vida anula a avaliação dos perigos", diz Malu. A jornalista conversou também com os agentes do serviço de imigração e outros responsáveis pela segurança das fronteiras. Em guerra contra o terrorismo, os americanos estão com a sensibilidade exacerbada para toda questão relacionada à porosidade de suas fronteiras. Malu ouviu deles queixas sobre a pouca confiabilidade dos passaportes brasileiros, considerados por eles documentos de fácil falsificação e de potencial uso por terroristas para se infiltrar em território americano. Muitos imigrantes ilegais portavam passaporte falso quando foram presos. O relato de Malu Gaspar começa na página 40.

 
 
 
 
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