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Edição 2089

3 de dezembro de 2008
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DISCOS

Paulo Vitale
DVD
Vivendo e Aprendendo: personagens em busca de acomodação mútua


SAMBA CHIC, Paula Lima (Indie Records)

• A cantora paulistana Paula Lima é figura de ponta do pop brasileiro. É afinada, carismática, inteligente e sabe selecionar repertório. Essas qualidades ficam evidentes em Samba Chic, CD e DVD ao vivo, gravados em São Paulo no mês de agosto. Neles, Paula corrige sua principal deficiência – o excesso de vibrato, aquela tremidinha de voz típica da música negra americana – e se faz acompanhar de uma banda azeitada, na qual se destaca o baixista Marcelo Mariano. Samba Chic é um baile dançante em forma de disco, com faixas que vão do samba-rock ao soul brasileiro. Traz, entre outras canções, sucessos de Jorge Ben Jor (Jorge da Capadócia) e composições da própria Paula (Vou Deixar).


Getty Images

DISCO
Gary Lightbody, do Snow Patrol: épico minimalista

A HUNDRED MILLION SUNS, Snow Patrol (Universal)

• O quinteto Snow Patrol deu uma guinada na carreira quando o CD Eyes Open (2006) estourou nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra. A Hundred Million Suns dá ao grupo boas chances de permanecer no topo. O disco foi gravado em Berlim, no estúdio Hansa (que abrigou a lendária parceria de David Bowie e Brian Eno nos anos 70), e traz um pop bem burilado, com guitarras no volume máximo e letras em que o vocalista Gary Lightbody lamenta o fim do casamento. Duas faixas apontam outros caminhos para o Snow Patrol – o rock If There’s a Rocket Tie Me to It e The Lightning Strike, um "épico" de dezesseis minutos que emula o minimalismo de Philip Glass.

 

DVD

Divulgação
DVD
Vivendo e Aprendendo: personagens em busca de acomodação mútua


VIVENDO E APRENDENDO (Smart People, Estados Unidos, 2008. Califórnia)

• Além de vários sintomas de um transtorno obsessivo-compulsivo, o professor de literatura Lawrence (Dennis Quaid) tem um filho que quer distância dele, uma filha (Ellen Page, de Juno) que o imita no egoísmo e um irmão adotivo (Thomas Haden Church) que ele considera um falido. Ao sofrer um acidente, Law-rence registra pela primeira vez em muito tempo a existência de outro ser humano: a médica Janet (Sarah Jessica Parker), a quem ele passa a cortejar. O retrato do acadêmico como um ser emocionalmente paralisado não é original, mas o diretor israelense Noam Murro tira dele um simpático conto, em que os personagens rumarão não para a redenção de praxe, mas para a acomodação mútua.

 

LIVROS

Pedro Rubens
LIVRO
Luiz Felipe D’Avila: memórias fictícias de um mecenas renascentista

O REI DA NOITE, de João Ubaldo Ribeiro (Objetiva; 200 páginas; 32,90 reais)

• Autor de romances como Sargento Getúlio, João Ubaldo Ribeiro também é um cronista acurado, com aquela observação precisa do cotidiano que faz o melhor do gênero. Nesta coletânea, retirada de sua colaboração nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, a política – que ele analisa muito bem – não se faz tão presente. Os temas dominantes são a memória, a boemia, as conversas de boteco e as mudanças de comportamento (como na hilária crônica em que Ubaldo ironiza as dietas naturebas). Recém-saído da editora, o livro já está em 15º na lista estendida de mais vendidos de VEJA (disponível na internet). E merece estar lá. Leia trecho.

 

COSIMO DE MEDICI, de Luiz Felipe D’Avila (Ediouro; 176 páginas; 39,90 reais)

• Foi em um passeio de bicicleta pela Toscana que o jornalista e cientista político Luiz Felipe D’Avila teve a idéia de um livro sobre Cosimo de Medici (1389-1464). D’Avila ficou impressionado ao conhecer a cela de um mosteiro em que o banqueiro florentino, uma das figuras mais poderosas da Renascença, costumava fazer retiro. O jornalista já havia escrito ensaios históricos sobre temas brasileiros, como Os Virtuosos. Para tratar do fundador da dinastia Médici, decidiu-se por um livro de ficção. Com uma narrativa envolvente e clara, que oferece muita informação sobre a Florença do século XV, a história é contada em primeira pessoa pelo próprio Cosimo. O grande personagem fala dos lucros de seu banco, então a maior instituição financeira da Europa, e de sua convivência com artistas como Fra Angelico. Tal como nos livros de não-ficção de D’Avila, um tema forte dessas memórias fictícias é o exercício ético do poder. "Liderar significa correr riscos", diz Cosimo.

 

Cinemateca VEJA

• Audrey Hepburn surpreende um ladrão tentando roubar um quadro de sua casa. Graças aos faiscantes olhos azuis de Peter O’Toole, a braveza com tanto atrevimento passa logo. E é ao ladrão que ela recorre quando, por uma dessas coisas, seu pai se vê prestes a ser desmascarado como um compulsivo falsificador de arte. Dirigido por William Wyler, um dos grandes cineastas da era de ouro de Hollywood, Como Roubar Um Milhão de Dólares, que a Cinemateca VEJA lança neste sábado no país (menos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro), é um desses confeitos deliciosos em que o cinema foi pródigo nos anos 60 – uma combinação irreplicável de graça, leveza e espirituosidade.

• Em São Paulo e no Rio de Janeiro, nesta semana: Entre Dois Amores, em que Meryl Streep e Robert Redford vivem um dos mais clássicos romances das últimas décadas.

 

Como comprar a Cinemateca VEJA

Em bancas, livrarias e redes de supermercados, a 13,90 reais o exemplar avulso. Para assinar, ligue 3347-2179 (Grande São Paulo) ou 0800-775-2979 (outras localidades), de segunda a sexta-feira, das 8 às 22 horas. Pela internet, acesse www.assineabril.com

 

 
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