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Veja Recomenda
DISCOS
SAMBA CHIC, Paula Lima (Indie Records) • A cantora paulistana Paula Lima é figura de ponta do pop brasileiro. É afinada, carismática, inteligente e sabe selecionar repertório. Essas qualidades ficam evidentes em Samba Chic, CD e DVD ao vivo, gravados em São Paulo no mês de agosto. Neles, Paula corrige sua principal deficiência o excesso de vibrato, aquela tremidinha de voz típica da música negra americana e se faz acompanhar de uma banda azeitada, na qual se destaca o baixista Marcelo Mariano. Samba Chic é um baile dançante em forma de disco, com faixas que vão do samba-rock ao soul brasileiro. Traz, entre outras canções, sucessos de Jorge Ben Jor (Jorge da Capadócia) e composições da própria Paula (Vou Deixar).
A HUNDRED MILLION SUNS, Snow Patrol (Universal) • O quinteto Snow Patrol deu uma guinada na carreira quando o CD Eyes Open (2006) estourou nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra. A Hundred Million Suns dá ao grupo boas chances de permanecer no topo. O disco foi gravado em Berlim, no estúdio Hansa (que abrigou a lendária parceria de David Bowie e Brian Eno nos anos 70), e traz um pop bem burilado, com guitarras no volume máximo e letras em que o vocalista Gary Lightbody lamenta o fim do casamento. Duas faixas apontam outros caminhos para o Snow Patrol o rock If Theres a Rocket Tie Me to It e The Lightning Strike, um "épico" de dezesseis minutos que emula o minimalismo de Philip Glass.
DVD
VIVENDO E APRENDENDO (Smart People, Estados Unidos, 2008. Califórnia) • Além de vários sintomas de um transtorno obsessivo-compulsivo, o professor de literatura Lawrence (Dennis Quaid) tem um filho que quer distância dele, uma filha (Ellen Page, de Juno) que o imita no egoísmo e um irmão adotivo (Thomas Haden Church) que ele considera um falido. Ao sofrer um acidente, Law-rence registra pela primeira vez em muito tempo a existência de outro ser humano: a médica Janet (Sarah Jessica Parker), a quem ele passa a cortejar. O retrato do acadêmico como um ser emocionalmente paralisado não é original, mas o diretor israelense Noam Murro tira dele um simpático conto, em que os personagens rumarão não para a redenção de praxe, mas para a acomodação mútua.
LIVROS
• Autor de romances como Sargento Getúlio, João Ubaldo Ribeiro também é um cronista acurado, com aquela observação precisa do cotidiano que faz o melhor do gênero. Nesta coletânea, retirada de sua colaboração nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, a política que ele analisa muito bem não se faz tão presente. Os temas dominantes são a memória, a boemia, as conversas de boteco e as mudanças de comportamento (como na hilária crônica em que Ubaldo ironiza as dietas naturebas). Recém-saído da editora, o livro já está em 15º na lista estendida de mais vendidos de VEJA (disponível na internet). E merece estar lá. Leia trecho.
• Foi em um passeio de bicicleta pela Toscana que o jornalista e cientista político Luiz Felipe DAvila teve a idéia de um livro sobre Cosimo de Medici (1389-1464). DAvila ficou impressionado ao conhecer a cela de um mosteiro em que o banqueiro florentino, uma das figuras mais poderosas da Renascença, costumava fazer retiro. O jornalista já havia escrito ensaios históricos sobre temas brasileiros, como Os Virtuosos. Para tratar do fundador da dinastia Médici, decidiu-se por um livro de ficção. Com uma narrativa envolvente e clara, que oferece muita informação sobre a Florença do século XV, a história é contada em primeira pessoa pelo próprio Cosimo. O grande personagem fala dos lucros de seu banco, então a maior instituição financeira da Europa, e de sua convivência com artistas como Fra Angelico. Tal como nos livros de não-ficção de DAvila, um tema forte dessas memórias fictícias é o exercício ético do poder. "Liderar significa correr riscos", diz Cosimo.
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