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Leitor
Caso Isabella
Infelizmente,
a maior prisão, a prisão perpétua da dor, é de Ana
Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella. Quero cumprimentar
VEJA pela reportagem sobre o casal Nardoni ("A vida atrás das grades",
26 de novembro). Essa revista conceituada e com credibilidade junto ao povo brasileiro
mostrou a realidade em que vive esse casal, em total desapego e falta de arrependimento
pelo crime que cometeu. Creiam que esse crime não ficará impune,
pois, assim como eu, vários brasileiros estão cansados de ver nossas
crianças ser vítimas de supostos seres humanos. Qual
é a lógica para um marmanjão como Alexandre Nardoni gozar
de mordomias dignas de um spa? Um paralelo com a mãe de Isabella é
inevitável: Ana Carolina se arrasta para sobreviver por meio de terapia
para superar a dor da perda da filha, assassinada cruelmente. Busca, na batalha
do trabalho cotidiano, escapar da violenta dor que desabou sobre ela. Excelente
a reportagem sobre o caso Isabella, pois nós, brasileiros, à espera
de justiça, ficamos mais aliviados em saber que, pelo menos neste caso,
ela está sendo feita. O pai de Alexandre Nardoni está pagando pelo
excesso de proteção e mimos que deu ao filho. Realmente,
a declaração de Ana Carolina Oliveira toca todos os corações,
principalmente o das mães que já perderam um filho. O tempo não
faz passar a dor, mas ocupá-lo, mesmo sem rumo, chorar pelas lembranças,
ser religiosa e fingir que superamos é o caminho para o que não
tem volta. No
Brasil, qualquer prisão, antes de transitar em julgado a sentença
penal condenatória, constitui medida de exceção, independentemente
da gravidade do delito imputado. Mas parece que a garantia constitucional não
vem sendo observada em relação ao casal Nardoni.
Eunice Durham Como educadora, compartilho com Eunice
Durham a idéia de que as instituições de ensino superior
devem preparar para o mercado de trabalho. Embora a formação de
pesquisadores e pensadores seja importante, um país em desenvolvimento
não pode se dar ao luxo de ver a formação das futuras gerações
de trabalhadores confinada a uma "torre de marfim" como muitas vezes
aparentam ser as universidades, preocupadas em "formar cidadãos"
(Entrevista, 26 de novembro). A
entrevista com a professora Eunice Durham é bem oportuna, pois mostra claramente
a hipocrisia que há nos cursos de pedagogia que ensinam teorias dos papas
da educação, como Piaget, Vygotsky, Paulo Freire, entre outros,
sem promover a real inserção do candidato a professor na prática
diária do seu ofício. Lamentavelmente, o ensino superior brasileiro
não acordou para a realidade: estamos entre os piores em educação
no mundo e sem um prêmio Nobel sequer. Digo
aos meus alunos: quando o médico erra, o paciente morre na hora. Mas o
mau professor aleija para o resto da vida.
Guru da ioga O
que causa a proliferação de "falsos gurus" é a
busca incessante por um amparo que nos traga equilíbrio e harmonia para
o corpo e a mente. No desespero dessa busca, e na falta de fé em si mesmos,
os seguidores das mais variadas religiões ou filosofias de vida acabam
virando presas fáceis de armadilhas, prévia e intencionalmente armadas,
à fragilidade humana. O perigo começa quando inocentes "fiéis",
distantes dos mínimos princípios de confiança em seus próprios
poderes, passam a endeusar um homem comum um homem, aparentemente, acima
do bem e do mal , transformando-o em "santo". Um "santo do
pau oco" ("O guru do laxante", 26 de novembro).
Trabalho A
seção Guia ("Procuram-se novos especialistas", 26 de novembro)
que tratou de novas profissões, como arquiteto da informação
e analista de palavra-chave, relacionou-as aos profissionais da ciência
da computação, mas elas estão mais ligadas à área
de ciência da informação, que se divide entre biblioteconomia,
arquivologia e museologia. A biblioteconomia é com certeza a mais indicada
para suprir essa nova demanda, já que o bibliotecário é hoje
um mediador da informação, trabalhando com diversos suportes e mídias
com o intuito de facilitar a vida dos usuários.
Veja Essa De
onde surgiu toda a arrogância de Cristiano Ronaldo (Veja Essa, 26 de novembro)?
Seria da sua rápida ascensão à fama? Ou da sua falta de maturidade?
Não sabemos, mas de uma coisa podemos ter certeza: ele não foi a
primeira e não será a última sensação jovem
do futebol. Mas, enquanto ainda é, vamos ver se relembra um pouco a educação
que seus pais lhe devem ter dado.
Cidades Em
relação à reportagem "Cidades fora do mapa" (19
de novembro), registramos nossa inconformidade diante de um retrato infiel à
realidade dos municípios gaúchos de Forquetinha e Coqueiro Baixo.
Realmente, somos cidades fora do mapa: fora do mapa da fome, do mapa do analfabetismo,
do mapa da miséria, do desemprego, da insegurança pública,
da poluição e dos congestionamentos urbanos, fora do mapa da ausência
de saúde pública, da desatenção à criança
e ao idoso. E, com muito orgulho, somos "cidades de primeira": entre
2001 e 2006, o produto interno bruto (PIB) per capita de nossas localidades cresceu
acima da média brasileira; os gastos com pessoal ("batalhão
de servidores públicos") em Coqueiro Baixo correspondem a 25% das
receitas correntes líquidas e em Forquetinha, a 34%; a mortalidade infantil,
nos dois municípios, foi de zero no ano de 2006; o sistema de ensino atende
a totalidade das crianças em idade escolar; é garantido o acesso
aos serviços públicos de saúde de forma gratuita a toda a
população; e o desenvolvimento das comunidades preserva as diferentes
culturas que as constituíram e respeita o meio ambiente. Como conclui a
reportagem, é preciso separar o joio do trigo.
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