Edição 1831 . 3 de dezembro de 2003

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DVDs

Coleção Humphrey Bogart (Warner) – Um dos maiores ícones de Hollywood, o americano Humphrey Bogart (1899-1957) marcou época interpretando tipos cínicos, de moral duvidosa. Não é possível falar em cinema noir – gênero caracterizado pela atmosfera sombria e que produziu grandes clássicos nos anos 40 – sem mencioná-lo. Essa caixa reúne alguns de seus melhores trabalhos no período. Dos quatro títulos, o mais conhecido é O Falcão Maltês (1941), baseado na obra de Dashiell Hammett e com estréia de John Huston na direção. Na fita, o ator interpreta Sam Spade, um detetive cercado de gente desonesta e disposta a manipulá-lo. Lançado naquele mesmo ano, O Último Refúgio traz Bogart na pele de um gângster que, ao sair da cadeia, tenta adaptar-se a uma nova realidade. Até então um nome apagado, ele só conseguiu os papéis nesses dois filmes que catapultaram sua carreira porque o ator George Raft os recusou. Nos demais títulos, Bogart faz par romântico com a estonteante Lauren Bacall, com quem se casaria. Eles se apaixonaram durante as filmagens de Uma Aventura na Martinica (1944), inspirado no romance de Ernest Hemingway, e já estavam unidos quando contracenaram no suspense Prisioneiro do Passado (1947).

 

LIVROS

As Lágrimas da Girafa, de Alexander McCall Smith (tradução de Carlos Sussekind; Companhia das Letras; 224 páginas; 30,50 reais) – Advogado nascido na antiga Rodésia do Sul e hoje radicado na Escócia, McCall Smith é especialista em legislação médica e ocupa cargos como a vice-presidência da Comissão de Genética Humana da Inglaterra. Em 1998, estreou na literatura policial – e leva jeito para o ramo. Ele criou uma detetive exótica, a africana Preciosa Ramotswe, que atua em Botsuana, num escritório em que galinhas ciscam pelo chão. Nesse segundo livro da série, Preciosa resolve um caso de desaparecimento enquanto acerta detalhes de seu casamento. Leia trecho do livro.

Sorte, de Alice Sebold (tradução de Fernanda Abreu; Ediouro; 288 páginas; 34 reais) – A autora americana despontou nas listas de best-sellers no ano passado com o romance Uma Vida Interrompida, sobre uma garota vítima de estupro e assassinato. O livro, que vendeu 1,5 milhão de cópias nos Estados Unidos e fez sucesso também no Brasil, é autobiográfico: Alice teve sua juventude marcada por um estupro. Sorte é um relato não-ficcional de seu drama e de sua batalha por justiça. O estupro é relatado logo no primeiro capítulo, e de maneira contundente.

 

DISCOS

 
Divulgação
Yardbirds: de volta, depois de 35 anos  

Birdland, The Yardbirds (Hellion) – Todo guitarrista que se preze já sonhou em tocar nos Yardbirds. Afinal, o grupo inglês revelou três dos maiores gênios da guitarra de todos os tempos – Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page. Pois Birdland, primeiro CD dos Yardbirds em 35 anos, realiza o sonho de um punhado de instrumentistas. Jim McCarthy (bateria) e Cris Dreja (guitarra), os dois únicos remanescentes da formação original, chamaram um time de virtuoses para recriar os clássicos do grupo. Entre as participações especiais destaca-se a de Steve Vai, em Shapes of Things.

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Banda Mantiqueira (Independente) – Para quem duvida que possa existir um bom casamento entre música erudita e canção popular, esse CD é uma belíssima resposta. Gravado em dezembro de 2000 na Sala São Paulo, ele apresenta versões de autores brasileiros na interpretação da Banda Mantiqueira e da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. O repertório vai de autores eruditos, como Villa-Lobos, a choros de Pixinguinha e Jacob do Bandolim. A ginga da Mantiqueira e a seriedade da OSESP não soam conflitantes. Pelo contrário, elas se completam e rendem ótimos momentos, como Nanã, do maestro Moacir Santos.

Speakerboxxx/The Love Below, OutKast (BMG) – Formado por Big Boi e Andre 3000, o duo OutKast destacou-se em meio aos milhares de grupos de rap americanos pelas boas letras (que não abrem espaço para a dobradinha sexo & violência característica do gênero) e pela produção esmerada. O álbum duplo Speakerboxxx/ The Love Below foi gestado após uma briga feia entre Big Boi e Andre. Em vez de se separarem definitivamente, os dois resolveram gravar dois discos independentes e lançá-los sob o nome OutKast. The Love Below, o disco de Boi, é um trabalho de rap ortodoxo, enquanto o disco de Andre emula o experimentalismo de um Prince. Impossível ouvir sentado um hit como Hey Ya!.

 
Os mais vendidos – Crítica
Warner Bros. Pictures/divulgação
Matrix: do budismo ao existencialismo

No primeiro filme da série Matrix, de 1999, o protagonista Neo (Keanu Reeves) exibe em sua estante o livro Simulacro e Simulação, do filósofo francês Jean Baudrillard. A citação é apenas uma amostra da pretensão dos criadores da série de abordar questões filosóficas na tela, ainda que em registro pop. A começar pelo mote da trama: a relação entre realidade e ilusão ocupa os filósofos desde Platão, na antiga Grécia. Não é de todo estapafúrdia, portanto, a idéia de inverter o caminho e usar a série como ponto de partida para divagações filosóficas. É o que se encontra na coletânea de ensaios Matrix – Bem-vindo ao Deserto do Real (tradução de Marcos Malvezzi Leal; Madras; 296 páginas; 29,90 reais), quarta colocada em não-ficção. Organizada pelo filósofo americano William Irwin, a obra reúne vinte ensaios. "Existencialismo, marxismo, feminismo, budismo, niilismo, pós-modernismo. Escolha o seu ismo e você o encontrará em Matrix", diz Irwin na introdução. No livro, o filme é examinado sob todas essas vertentes – e outras tantas não mencionadas por ele. Em Neomaterialismo e a Morte do Sujeito, Daniel Barwick faz uma análise do filme à luz das teorias biológicas sobre o funcionamento da mente humana. A crítica Cynthia Freeland, por sua vez, dá uma visão feminista do tema num artigo com título sugestivo: Penetrando Keanu: Novos Orifícios, Mas a Mesma e Velha Porcaria.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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