Edição 1831 . 3 de dezembro de 2003

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Cartas

 

"Essa reportagem maravilhosa nos alerta e nos enche de esperança de ver um dia na capa de VEJA o título: a cura do câncer."
Domênico Sfriso de Souza
São Paulo, SP


Câncer

As mulheres pouco a pouco têm tomado consciência da necessidade do exame de toque e da mamografia, parceiros fundamentais na prevenção e no diagnóstico do câncer de mama. Quando é que os homens perderão o preconceito do exame de toque retal? Esse tem sido fator decisivo para 97,5% das chances de cura, junto com o exame de sangue. Quando os brasileiros aprenderão que o tabagismo é um dos principais vilões no câncer de pulmão e mudarão seus hábitos? Eu perdi um ente querido por causa dessa peste. É muito triste ver vidas escoando pelo bueiro ("Malignos, comuns e traiçoeiros", 26 de novembro).
Carlos Aurelio Nogarolli Rodrigues
Curitiba, PR

Quem, como eu, teve câncer de mama sabe a importância de qualquer avanço científico, por menor que seja. Comemoro todos os dias o fato de estar viva.
Maria Lúcia Benevides da Silva
Natal, RN

Meu pai faleceu na semana passada, vítima de câncer generalizado. A reportagem chegou como pão quente à mesa. Devorei cada pedaço atentamente. Ressalto a prevenção, a entrega total ao tratamento, uma grande vontade de viver e uma dieta saudável como maneiras de evitar essa praga. Nisso a revista realizou um ótimo trabalho. Infelizmente meu pai reconheceu essas premissas apenas no fim da vida.
Alexandre Pedrozo
Santana do Livramento, RS

Neste ano perdi um tio muito querido e um amigo de infância, ambos vítimas de câncer. Qual não foi minha surpresa ao receber a edição no domingo? A revista me fez crer que, apesar das recentes pesquisas e dos avanços tecnológicos, o número de diagnosticados dessa doença muitas vezes é maior do que podemos imaginar. A dica é preciosa: prevenção.
Marcelo de Oliveira
Barretos, SP

Escrevo para repercutir as palavras da psicopedagoga Andréa Cavani sobre a vida com o câncer. Dessa dor sempre surge um ser humano ainda mais forte e ainda mais sensível a todos os processos inexoráveis da vida. Espero que suas palavras sirvam de ensinamento e estímulo a quem possa ter perdido a esperança e a força para lutar pela vida.
Paulo Roberto Garcia
São Paulo, SP

 

Douglass North

A melhor entrevista dos 35 anos de VEJA (Amarelas, 26 de novembro). O Nobel de Economia Douglass North delineou as bases de nosso atraso socioeconômico. Faltou dizer que o subdesenvolvimento se deveu também à falta de proteína na alimentação de nossos ascendentes, pois o desenvolvimento da capacidade intelectiva necessita das ligações neuronais (axônios), que são construídas à base de proteína. O cardápio era à base de mandioca, amido puro, nos primeiros 200 anos da história colonial brasileira. Só agora estamos resgatando essa deficiência alimentar. Nossos filhos terão melhor oportunidade se os governantes não atrapalharem.
Aluizio M.C. de Oliveira
Goiânia, GO

A entrevista com o economista Douglass North deveria ser leitura obrigatória para os atuais e futuros integrantes dos poderes constituídos de nosso país. Se conseguirem compreender o óbvio e agirem com seriedade, restará alguma esperança para as futuras gerações.
Paulo Lopes de Oliveira Filho
São Paulo, SP

O prêmio Nobel de Economia de 1993 disse que "o Brasil largou em desvantagem na corrida do progresso porque herdou de Portugal um modelo ineficiente de país". O que o Brasil herdou de Portugal foi, sim, um país continental e riquíssimo, falando a mesma língua e com espírito de nação. Na mesma entrevista, a inteligente repórter Monica Weinberg diz que, em 1800, a renda per capita dos EUA e a do Brasil eram idênticas. Nessa data, o Brasil ainda era colônia de Portugal. Desde 1822 o Brasil é um Estado independente. Será que tudo o que aqui acontece de errado é culpa dos portugueses? Ou será culpa exatamente das tais "instituições" estrangeiras que vêm administrando nossa economia?
Ricardo A. Malheiros Fiúza
Belo Horizonte, MG

 

Stephen Kanitz

O artigo "Viver de aluguéis" (Ponto de vista, 26 de novembro) foi o empurrão que faltava para a realização de meu antigo desejo de aplicar em ações.
Marcelo B. de Sousa
Florianópolis, SC

O articulista faz uma análise muito simplista do mercado de locações no Brasil. Duas ou três casinhas alugadas não refletem a realidade do mercado, composto de lojas, vagas de garagem, unidades de locação de curta permanência, escritórios, terrenos etc. Em relação ao rendimento das ações (até 9% de dividendos, além de 4% de valorização), sou levado a acreditar que seria um bom negócio vender meu apartamento, aplicar em ações e morar de aluguel com muita paz de espírito. Não seria mais lógico? Com a palavra do senhor Kanitz.
Clovis Roberto Barbieri
Blumenau, SC

Em que pese a admiração que tenho pelo professor Stephen Kanitz, cabe lembrar-lhe que neste país o único papel sólido e confiável se chama escritura. Portanto, vale a pena continuar investindo em imóveis pela segurança e rentabilidade do negócio.
Sérgio Sampaio
Vice-presidente do Secovi-BA
Salvador, BA

 

Ministério

Com base nas afirmações feitas sobre a ministra Emilia Fernandes, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), da Presidência da República, publicadas na reportagem "Ministras virtuais" (26 de novembro), esclarecemos que não corresponde à realidade a expressão "ministra virtual", tendo em vista as inúmeras ações, parcerias e projetos coordenados pela secretaria, principalmente no que se refere ao combate à violência contra a mulher e à ampliação do diálogo do governo com a sociedade. A afirmação "ela tem marcado sua gestão com insistentes pedidos para acompanhar Lula em viagens presidenciais" também não corresponde à verdade. A definição das comitivas presidenciais é determinação do presidente da República. A presença da ministra Emilia Fernandes no ato do Dia Nacional da Consciência Negra tem a ver com os propósitos da SPM, que implementa políticas de combate à violência e à discriminação contra as mulheres com perspectiva de raça/etnia.
Ramão Marques e Tuca Ivanicska
Assessoria de Comunicação
Brasília, DF

 

Ferrovias

Cumprimento VEJA pela excelente reportagem "Mais dinheiro em ferrovias" (26 de novembro). Gostaria de ressaltar que lutamos para que os investimentos previstos pela Companhia Vale do Rio Doce, na ordem de 120 milhões de reais, para a compra de 1.200 vagões de empresas chinesas, fossem revertidos para Minas. A Cooperativa Mineira de Equipamentos Ferroviários Ltda. (Coomefer), sediada em Conselheiro Lafaiete, possui todas as condições para absorver esse pedido e realizar o fornecimento de um produto de qualidade, capaz de superar aqueles que possivelmente seriam adquiridos no exterior. Ficamos surpresos ao tomar conhecimento de que a Vale iria adquirir esses equipamentos no exterior, por não ter opção de compra no Brasil.
Deputado estadual José Milton
Belo Horizonte, MG

 

Divórcio

Praticar esportes e estudar não são atividades incompatíveis com o casamento. Namorar outra pessoa é. Em uma sociedade que ultrapassou qualquer limite possível de apelo sexual, nossos pais e avôs sucumbiram. Abraçados ao Viagra, quebraram suas promessas, deixaram a família e partiram em busca da satisfação sexual. Nossos idosos se tornam cada vez mais vigorosos física e sexualmente à mesma medida que enfraquecem e adoecem moral e espiritualmente. Somos uma geração de filhos e netos que possui cada vez menos bons exemplos. Nossos líderes, guias e mestres de cabelos brancos estão desaparecendo. Afinal, quem quer ter cabelos brancos em uma sociedade que não respeita seus idosos? ("A vida começa aos 60", 26 de novembro).
Roberto Pereira Miguel
São Paulo, SP

 

Depressão

Excelente a reportagem "A tristeza do macho" (26 de novembro). Ficaram muito bem esclarecidos alguns aspectos: a necessidade de pôr de lado o preconceito com relação à consulta psiquiátrica (principalmente por parte dos homens), a evidência científica de que "os remédios são a primeira opção de tratamento", por se tratar de uma patologia predominantemente orgânica – ficando a abordagem psicoterápica como "tratamento coadjuvante" –, assim como também a divulgação da existência dos grupos de apoio, que ajudam a diminuir aquilo que é tão prejudicial para essa e outras patologias psiquiátricas: o preconceito.
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

Depressão é um problema de saúde pública que necessita de um olhar diferenciado por parte do Ministério da Saúde e dos políticos, pois ela mata nos dois sentidos literários: "morte morrida e morte em vida".
Adriana Camargo do Nascimento
Campo Grande, MS

 

Diogo Mainardi

Confesso que nem sempre tenho paciência para ler os arroubos da língua ferina de Diogo Mainardi. Mas, quando se dispõe a escrever de maneira mais reflexiva, é imbatível. Em seu último artigo ele conseguiu se fazer porta-voz de milhares de brasileiros, pagadores compulsórios de uma altíssima cota de impostos dos quais nunca experimentam nenhum benefício ("A tunga do Estado", 26 de novembro).
Rosângela M. Halfeld Bonicontro Miranda
Londrina, PR

Definitivamente Diogo Mainardi conseguiu expressar o que todas as classes sociais – indistintamente – sentem. O governo vive por si e para si. Ricos ou pobres que se cuidem. Alguns com mais recursos, outros com menos. Salve-se quem puder.
Jeremias Alves Rodrigues
Pindamonhangaba, SP

Mesmo aqueles que abominam o "estilo Mainardi" desta vez foram obrigados a concordar com ele. Nenhum cidadão brasileiro de classe média, em sã consciência, minimamente inteligente e informado, poderá deixar de assinar embaixo do que foi dito. Bela abordagem: direta, desmistificadora, brilhante, enfim!
Zeza Zanotto Costa
Gramado, RS

 

Carlos Lessa

A reportagem "A última do doutor Lessa" (26 de novembro) define claramente os fisiologismos enraizados da administração do PT. A última coisa que querem é manter um Estado enxuto, e nem entre eles mesmos há entendimento. Desde o princípio do partido, define-se como base a estatização de empresas, a "cubalização" do país e a pouca transparência no trato com a coisa pública.
Johnson Franklim Ramos Pimentel
Ribeirão Preto, SP

Espanta o silêncio do governo em relação às trapalhadas que o presidente do BNDES, Carlos Lessa, vem cometendo. Suas atitudes têm ido na contramão da política econômica do governo e está arranhando a frágil imagem que o Brasil tem entre os investidores estrangeiros. O papel do doutor Lessa deveria ser utilizar o dinheiro do BNDES para aumentar a capacidade produtiva do Brasil, e assim gerar empregos, e não fazer como tem feito: utilizar o banco para pregar sua ideologia nacional-desenvolvimentista, que não se ajusta com a realidade brasileira.
Fernando Baía de Castro
Barreiras, BA

 

Bob Esponja

Sou pai de duas crianças, uma de 3 anos e outra de 1 ano e 7 meses, e uma de minhas grandes preocupações era com a qualidade dos programas que nossos filhos vêem diariamente na famigerada "babá eletrônica". Posso afirmar que é uma delícia passar um tempinho ao lado deles, vendo desenhos como o de Bob Esponja. Um desenho simples e inofensivo, sem aqueles arroubos que assolaram a TV há alguns anos com violência e morte.
Rogério de Oliveira Costa da Rocha
Salvador, BA

 

Radar

Como pode o governo de um Estado reverter parte dos recursos para blindar os carros de vereadores? O que faz com que eles tenham mais direito a proteção que os outros cidadãos? Em vez de torrar o dinheiro público nessas blindagens, deveriam investir na segurança pública e fazer valer a lei que já existe ("Um país blindado", 26 de novembro).
Simone Espindola de Oliveira
Blumenau, SC

 

Natal Digital

Não tenho palavras para agradecer a edição especial Natal Digital (novembro, 2003). Graças a vocês poderei me atualizar sobre os preços do mercado.
Marcus do Nascimento
Rio de Janeiro, RJ

 

CORREÇÕES: A reforma da Previdência não necessita de sanção presidencial para promulgação, ao contrário do que foi publicado na nota "O calendário das reformas" (Contexto, 19 de novembro). * As ferrovias brasileiras começaram a ser construídas na década de 1830, e não de 1930 ("Mais dinheiro em ferrovias", 26 de novembro). * Diferentemente do que informou a nota "Brasil brasileiro" (Radar, 12 de novembro), os auditores da Receita Federal que estão envolvidos no caso do Propinoduto estão sem receber salário desde maio.

 
RON WOOD

Ron Wood (à esq.) na capa de Black and Blue, de 1976: músico convidado

A informação de que o guitarrista Ron Wood passou a pertencer oficialmente aos Rolling Stones somente em 1995, publicada na reportagem "Rolling Stones S/A" (12 de novembro), mexeu com alguns leitores e fãs do grupo. "Wood entrou para a banda em 1976, substituindo Mick Taylor", escreveu Ewerton Luiz Veloso Júnior, de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais. Bruno Suman, de Porto Alegre, lembrou que no disco Black and Blue, de 1976, o guitarrista já aparecia na capa. Ele está certo, mas a reportagem informou que Wood era um contratado da banda, tocando como músico convidado, condição que só mudou em 1995, com a saída do baixista Bill Wyman. Na ocasião, os Stones se reuniram e, mesmo contra a vontade de Mick Jagger (que nunca teve Ron Wood em alta conta), efetivaram o guitarrista como membro oficial da banda.

 
AMIGOS DO GANSO

A reportagem "Poucos e ótimos" (26 de novembro) despertou a ira de três dezenas de leitores defensores dos animais. "Será que quem escreveu a reportagem indicando o foie gras como delícia tem noção do sofrimento do animal para a sua obtenção?", perguntou Larissa Ottati Cavalheiro, de São Paulo. "O tratamento bárbaro a que as aves são submetidas para que seu fígado tenha o tamanho aumentado de dez a doze vezes é de causar vergonha ao ser humano", escreveu Iara Hernandes, do interior de São Paulo. O engenheiro florestal Themis Piazzetta, de Curitiba, explicou o processo: "Na produção do foie gras, as aves são submetidas a um processo de tortura com o objetivo de tornar seu fígado anormalmente engrandecido e doente. O método inclui, entre outros absurdos, uma alimentação forçada em que é introduzido um cano metálico de até 40 centímetros de comprimento até o estômago do animal, que fica em confinamento permanente".

 

 
 
 
 
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