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Carta
ao leitor
Continua
parado
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| A
capa de VEJA de 16 de julho: o Brasil estava parado e, pelos
números da semana passada, ainda está |
É
sempre bom acertar. Em jornalismo é um imperativo. Mas nem
sempre um acerto traz satisfação. É o caso
de VEJA na semana passada. Com a divulgação dos dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
confirmaram-se as sombrias previsões feitas por uma reportagem
da revista publicada em julho com a chamada de capa "O Brasil apagou
a economia do país está parada e não
haverá o 'espetáculo do crescimento' tão cedo".
Naquele mês, circulavam previsões de crescimento do
PIB brasileiro de até 3% para este ano, esperando-se a retomada
para qualquer instante do segundo semestre. O IBGE mostrou que,
nos últimos nove meses, a economia recuou 0,3% em relação
ao mesmo período de 2002. Feitos todos os ajustes finos,
tem-se que neste ano o PIB nacional deverá ter uma expansão
igual a zero. Ou abaixo de zero, conforme as leituras mais pessimistas.
A economia está estagnada, mas isso não é tudo.
O desemprego está em alta e a renda em baixa. De outubro
de 2002 a outubro de 2003, a queda no rendimento médio dos
brasileiros foi de 15,2% uma perda real de mais de meio salário
mínimo nos últimos doze meses. O desemprego crava
um recorde histórico.
Embora
isso não minimize o sofrimento, pelo menos se pode explicar
o estancamento da atividade econômica do Brasil em 2003. O
governo de Luiz Inácio Lula da Silva começou em janeiro
com uma inflação anual projetada de 28% para o ano,
provocada em grande parte pelo temor que uma administração
petista inspirava no mercado. Se não tivesse elevado os juros
a alturas estratosféricas, como fez, o governo poderia ter
confirmado as previsões pessimistas. A estagnação
foi o preço pago pelo controle da inflação.
Agora, é diferente. Com os índices inflacionários
sob controle, juros em baixa, o dólar flutuando entre margens
seguras e os títulos da dívida externa brasileira
batendo recordes de valorização, fica claro que o
freio de segurança funcionou. O terreno para o crescimento
econômico está aplainado, mas ainda não há
razão para otimismo em relação à retomada.
Num encontro com petistas de alto coturno, o ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, disse recentemente que o aperto nas contas públicas
continuará em 2004. Com isso, o ministro avisou a seus colegas
de governo que eles precisarão fazer mais com menos dinheiro.
É bom que façam mesmo e que também cuidem de
evitar que o governo se transforme em empecilho ao crescimento.
Se isso vier a ocorrer, com um ano a mais de economia estagnada
não haverá nem explicação nem justificativa
que satisfaçam a opinião pública.
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