Edição 1 622 - 3/11/1999
 

As igrejas na mira do Fisco

Problemas fiscais e jurídicos não são uma exclusividade da Igreja Universal. Na semana passada, a Receita Federal contestava operações no valor de 22 milhões de reais conduzidas pela Igreja Católica. O negócio envolve a abertura de lojas de artigos religiosos que estariam ligadas ao Centro de Apoio ao Romeiro, uma espécie de shopping que rende 300.000 reais ao mês em aluguéis e é mantido e administrado pela Basílica de Aparecida do Norte. O decano dos pastores milagreiros, David Martins Miranda, líder da ultraconservadora Igreja Deus é Amor, com mais de 8.000 templos, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal no Paraná por evasão de divisas e crime fiscal. Em sua defesa ele explicou que precisou mandar dinheiro ao exterior para fretar ônibus que trazem fiéis do Uruguai para cultos no Brasil. A Igreja Renascer em Cristo, que é uma espécie de versão para a classe média da Igreja Universal, enfrenta uma chuva de ações judiciais. Foram quinze processos só no último ano. A Renascer é uma igreja pequena com apenas 212 templos e 50.000 fiéis. Mas nos últimos tempos vem crescendo no setor de comunicações. Já possui doze emissoras de rádio e uma produtora de vídeo chamada Rede Gospel, que fatura 2,5 milhões de reais por ano. A Receita Federal investiga se têm procedência as suspeitas de que uma grande empresa do setor químico estaria usando essa igreja para lavar dinheiro. As dúvidas surgiram desde que a Renascer se candidatou a comprar a TV Manchete, dois anos atrás. Estevam Hernandes, líder da instituição, diz que as igrejas enfrentam os mesmos problemas que todo mundo. "Algumas vezes o crescimento é rápido demais e até perdemos o controle da situação", afirma.

 
 


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