As igrejas na mira do Fisco
Problemas fiscais e jurídicos não são uma exclusividade da Igreja
Universal. Na semana passada, a Receita Federal contestava operações
no valor de 22 milhões de reais conduzidas pela Igreja Católica.
O negócio envolve a abertura de lojas de artigos religiosos que
estariam ligadas ao Centro de Apoio ao Romeiro, uma espécie de shopping
que rende 300.000 reais ao mês em aluguéis
e é mantido e administrado pela Basílica de Aparecida do Norte.
O decano dos pastores milagreiros, David Martins Miranda, líder
da ultraconservadora Igreja Deus é Amor, com mais de 8.000 templos, está sendo investigado pelo Ministério Público
Federal no Paraná por evasão de divisas e crime fiscal. Em sua defesa
ele explicou que precisou mandar dinheiro ao exterior para fretar
ônibus que trazem fiéis do Uruguai para cultos no Brasil. A Igreja
Renascer em Cristo, que é uma espécie de versão para a classe média
da Igreja Universal, enfrenta uma chuva de ações judiciais. Foram
quinze processos só no último ano. A Renascer é uma igreja pequena
com apenas 212 templos e 50.000 fiéis. Mas nos últimos tempos vem crescendo no setor
de comunicações. Já possui doze emissoras de rádio e uma produtora
de vídeo chamada Rede Gospel, que fatura 2,5 milhões de reais por
ano. A Receita Federal investiga se têm procedência as suspeitas
de que uma grande empresa do setor químico estaria usando essa igreja
para lavar dinheiro. As dúvidas surgiram desde que a Renascer se
candidatou a comprar a TV Manchete, dois anos atrás. Estevam Hernandes,
líder da instituição, diz que as igrejas enfrentam os mesmos problemas
que todo mundo. "Algumas vezes o crescimento é rápido demais
e até perdemos o controle da situação", afirma.
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