Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Fidel caiu!

Um tombo, um deslize físico,
um salto no espaço,
e está em toda a divulgação
do mundo sem fronteiras:

A QUEDA

É terrível cair.
Não é apenas o orgulho que cai
Quando caímos
Mas toda a segurança interior
Equilíbrio de cérebro e pessoa.
Caindo, nos perdemos;
E alguma coisa
Fica lá, em toda queda.
Algo irrecuperável,
Alguma perda total e absoluta
Para sempre e um dia.
Parte de um todo nosso, interior
Jamais recuperado.
Caímos e jamais nos levantamos
Outra vez os mesmos.
Tudo que é vivo teme a queda,
Vive em função da queda que virá,
Fatal,
Em momento e hora insuspeitados.
Homem, bípede mal equilibrado.  

Diminuímos o efeito da queda
Pela espera da queda
E chamando-a de outros nomes:
Tropeção (que é semiqueda),
Trambolhão (que é quase queda),
Esparramar (que é queda e meia).
Eufemismo tudo para o efeito
Único, moral e contundente
Da palavra sinistra,
Fato e fator,
Acontecimento físico e
Metafísico.

 

OS QUE JÁ CAÍRAM, AH!

No Paraíso, na rua, na História,
Na escada.
Caiu Humpty Dumpty
Na aventura de Alice.
Caiu a própria Alice.
Caiu a mãe de Hamlet,
Caem as folhas no outono,
Mais tristes quando cai a tarde.

E depois do primeiro homem
E da primeira mulher
Todos os grandes caem
Em seu dia e hora.
Caiu Saul, e Jonas, e Golias,
E também os muros que cercavam
Os poderosos donos de Jericó.
Caiu Tróia e caíram os romanos.
Lúcifer levou nove demorados dias
Em sua assustadora queda,
A mais profunda queda registrada.
Há grandeza
Nos homens que caem.
Não se respeitam, porém, as decaídas.
Mas ambos ocupam o mesmo lugar
Na composição eterna da caída
Humana.

A gravidade é a negação da vida
Desde a invenção dos tempos.

 

RUBINHO BARRICHELLO É UM EXEMPLO DE ÉTICA ESPORTIVA: NUNCA PASSOU NINGUÉM PRA TRÁS.

 
 
 
 
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