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Diogo
Mainardi Lula Strangelove
"Se construir
centrífugas para o enriquecimento de urânio
é mau negócio para os americanos, que têm mais de 100
usinas, claro que não pode ser bom negócio para o Brasil.
Até mesmo as contas maquiadas
do governo mostram a burrice do programa"
Onde
roubamos nossa tecnologia nuclear? Na Europa ou no Paquistão? Corrompemos
os cientistas da Urenco, ou usamos a rede de contrabando de Abdul Qadeer Khan?
Repassamos as informações roubadas para o Iraque? Para o Irã?
Para a Líbia? Roubamos também projetos para a construção
de bombas nucleares? Onde eles estão guardados? Com quem? Qual o valor
total da operação? Um bilhão de dólares? Dois bilhões?
O programa nuclear paralelo ainda tem contas secretas em paraísos fiscais?
Quem controla esse dinheiro?
Os lulistas não aceitam nenhuma dessas perguntas. O programa nuclear brasileiro,
segundo eles, não é roubado. Pelo contrário. Afirmam que
a tecnologia de enriquecimento de urânio desenvolvida no país é
tão inovadora e barata que são os americanos a querer nos roubar.
O ministro Celso Amorim suspeita sobretudo dos inspetores da ONU, encarregados
de vistoriar a usina de Resende. Como ele próprio admitiu, os inspetores
"não são necessariamente espiões, mas nenhuma agência
é neutra". Saddam Hussein levantou a mesma suspeita e se deu mal. Para
o diplomata José Maurício Bustani, quem duvida que o Brasil possa
desenvolver uma tecnologia de ponta deve "se lembrar da nossa urna eletrônica".
A comparação é pitoresca. Uma urna eletrônica requer
tanta tecnologia quanto uma batedeira de bolo ou uma cafeteira elétrica.
Ainda bem que os americanos tiveram o bom senso de destituir Bustani de seu cargo
na Opaq, a entidade responsável pela proibição de armas químicas.
O mundo ficou mais seguro.
A argumentação dos lulistas, como sempre, é enganosa. A tecnologia
de enriquecimento de urânio dos americanos é de fato ultrapassada
e antieconômica, tendo sido instalada há mais de cinqüenta anos,
mas é ridículo atribuir isso à incapacidade tecnológica.
Os americanos não investem em novas usinas simplesmente porque é
um mau negócio. A cotação do urânio enriquecido no
mercado internacional vem caindo de maneira contínua desde 1985. Por isso,
é muito mais conveniente abastecer os reatores nucleares americanos com
urânio importado da Rússia ou do consórcio europeu Urenco,
que vendem o produto a preço de banana, do que aplicar em tecnologias mais
modernas. Se construir centrífugas para o enriquecimento de urânio
é mau negócio para os americanos, que têm mais de 100 usinas,
claro que não pode ser bom negócio para o Brasil. Até mesmo
as contas maquiadas do governo mostram a burrice do programa. Os lulistas calculam
que, investindo os 200 milhões de dólares pedidos pela Marinha,
poderemos poupar a ninharia de 10 milhões de dólares por ano, a
partir de 2014. Isso se, até lá, não forem criadas tecnologias
mais competitivas. A verdade é que o enriquecimento de urânio não
tem interesse comercial, apenas geopolítico. Lula quer usar nosso dinheiro
para financiar sua megalomania.
O ufanismo nuclear brasileiro tem um aspecto ainda pior. Lula prometeu investir
2,8 bilhões de dólares para construir quatro usinas nucleares inteiramente
nacionais em cidades como Manaus. Nosso último surto de nacionalismo tecnológico
foi o foguete VLS-1. Todo mundo lembra o que aconteceu. O primeiro foguete explodiu.
O segundo foguete explodiu. O terceiro foguete explodiu, matando um monte de gente.
Quantas mortes podem ocorrer no caso de explosão de uma usina nuclear?
Melhor é construir usinas de babaçu. |