Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Claudio Rossi
Schelp: compilação jornalística surpreende os cientistas

É um erro avaliar a posição que o Brasil ocupa no mundo pela capacidade de liderar um bloco de nações ou pelas chances de um dia seus diplomatas ocuparem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Outras dimensões definem muito melhor o potencial de um país e a reação positiva que desperta nos demais. A eficiência e a originalidade científicas são duas delas. Uma reportagem especial da presente edição de VEJA examinou o desempenho comparativo dos cientistas de ponta do Brasil com seus congêneres no mundo. A empreitada jornalística revelou um quadro muito melhor do que se podia esperar. O Brasil aparece como o país em desenvolvimento de melhor evolução científica recente, tendo triplicado o número de trabalhos publicados nos últimos dez anos. A contribuição brasileira à ciência mundial ainda é modesta. Mas ela supera outras atividades nas comparações internacionais. A despeito dos recordes na balança comercial, a participação brasileira no comércio internacional é de apenas 0,8%. Já a produção científica brasileira de padrão internacional, como mostra a reportagem de VEJA, responde por 1,5% do total mundial.

Nos últimos três meses, o jornalista de VEJA Diogo Schelp, autor da reportagem, dedicou-se não apenas a medir a posição global da ciência brasileira. Ele se colocou um desafio ainda mais complexo: descobrir quem são os cientistas brasileiros de maior destaque no cenário internacional. A maneira universalmente aceita de avaliar desempenho científico é descobrir o que se chama de "índice de impacto" dos pesquisadores – ou seja, saber quanto seu trabalho repercute entre colegas no exterior. Quanto mais um cientista é citado em outros trabalhos, maior é seu peso intelectual. Esse processo de "revisão pelos pares" é um dos pilares do método científico. Schelp começou por estabelecer os critérios de definição do que se pode considerar um cientista brasileiro. É alguém que simplesmente nasceu no Brasil? Ele descobriu que não. Cientista brasileiro é o pesquisador, de qualquer nacionalidade, que trabalha em uma instituição no Brasil e que deve seu desempenho à cultura acadêmica brasileira. O passo seguinte foi cruzar os dados do Essential Science Indicators (ESI), o fabuloso banco de dados que arquiva as principais publicações científicas no mundo. Na última fase ele entrevistou os pesquisadores. Foi a vez de o jornalismo surpreender a ciência. Diz Schelp: "Todos sabiam de seu próprio valor. Mas nenhum tinha idéia de que era o cientista brasileiro mais citado em sua área de atuação".

 
 
 
 
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