Brothers & Sisters(Quartas,
às 23h, no Universal Channel) Durante uma reunião
em família, o patriarca dos Walker sofre um ataque
cardíaco fulminante na beira da piscina e a
seqüência de sua queda e agonia dentro d'água
não deixa dúvida quanto à voltagem (melo)dramática
desse seriado. No centro da trama estão a viúva
Nora Walker (Sally Field, que ganhou o Emmy pelo papel) e
seus cinco filhos entre eles um advogado gay, uma radialista
conservadora (Calista Flockhart, de Ally McBeal) e
um ex-soldado que virou drogado depois de combater no Afeganistão.
Com a morte do pai, os ressentimentos familiares vêm
à tona e a imagem de virtuoso do falecido desmorona.
Brothers & Sisters não tem medo de ser "denso"
e conta com excelentes atuações.
DISCOS
Divulgação
Ben Harper: novas
referências musicais
Lifeline,Ben Harper & the Innocent
Criminals (EMI) No início de carreira, o cantor
e guitarrista parecia um cruzamento de Jimi Hendrix com Bob
Marley. Do primeiro, Harper herdou o virtuosismo e o blues.
A contribuição de Marley estava na linguagem
do reggae (aquela batida que fez de Harper o cantor predileto
entre os surfistas) e nos refrãos pegajosos. Em Lifeline,
o cantor amplia seu leque de referências musicais. O
blues e o reggae convivem agora com gêneros como o gospel
e a música country. Uma das bases da mudança
está no bom entrosamento de Harper com sua banda, Innocent
Criminals. São eles que enriquecem faixas como Fool
for a Lonesome Train, que remete aos trabalhos de Bob
Dylan, e dão o clima de missa dominical a Say You
Will.
Shirlaine
Forrest/Getty Images
Dave Grohl, do Foo
Fighters: pop dos anos 70
Echoes, Silence,
Patience & Grace, Foo Fighters (Sony/BMG)
O novo disco do grupo liderado pelo cantor e guitarrista Dave
Grohl é um dos melhores lançamentos da década
de 70. Traduzindo: Grohl fez parte do Nirvana, grupo que iniciou
o movimento grunge, mas nunca escondeu o desejo de emular
o pop de três décadas atrás, como fica
claro nesse sexto disco de sua banda. Há canções
como Ballad of the Beaconsfield Miners, que lembram
os momentos folk de Neil Young, rocks radiofônicos como
Statues e um punhado de refrãos bem característicos
dos anos 70. O excesso de referências, porém,
não tira os méritos do disco. Dave Grohl é
um autor talentoso e um dos raros roqueiros que se preocupam
mais com a melodia do que com atitude.
LIVRO
Ariel,
de Sylvia Plath (tradução
de Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Lenz de Macedo; Verus;
209 páginas; 34,90 reais) Última coletânea
da poeta americana Sylvia Plath (1932-1963), Ariel
foi editada por seu marido, o poeta inglês Ted Hughes,
depois do suicídio da autora. Hughes excluiu os poemas
que tratavam dos problemas do casal. Publicada em 2004 na
Inglaterra e nos Estados Unidos, a edição que
agora chega ao Brasil recupera o plano original de Sylvia
traz inclusive um fac-símile da versão
datilografada. O livro é mais revelador do que a versão
editada pelo maridão. Mas é também menos
sombrio: inclui poemas desolados como Talidomida, mas
acaba com um verso sobre a chegada da primavera. Leia
trecho.
CINEMA
Morte
no Funeral (Death
at a Funeral, Estados
Unidos/Reino Unido/Alemanha, 2007. Paris Filmes) Frank
Oz é conhecido por comédias de discreto humor
negro, como Será que Ele É? e Mulheres
Perfeitas. Em Morte no Funeral, ele repete a fórmula,
alicerçando seu humor nas neuroses de uma divertida
galeria de personagens, do mulherengo incorrigível
ao hipocondríaco insuportável. No velório
de um pai de família, os filhos Daniel (Matthew Macfadyen)
e Robert (Rupert Graves) descobrem um segredo que pode arruinar
a compostura exigida pela cerimônia já
bastante abalada pelos velhos conflitos da família.
O enredo não chega a escapar dos clichês da comédia
familiar, mas garante boas risadas.
Divulgação
Exuberante Deserto:
uma comunidade em choque com os desejos individuais
Exuberante Deserto (Adama
Meshuga'at, Israel/Alemanha/Japão,
2006. Imovision) Dvir (Tomer Steinhof) mora em um kibutz
e está para completar 13 anos, quando fará o
bar mitzvah, ritual de passagem importante para a religião
judaica. Faz de tudo para proteger sua mãe, Miri (Ronit
Yudkevitz), que sofre de debilitantes problemas emocionais
desde que o marido morreu e é tida como louca
pela comunidade. Exuberante Deserto toma o cenário
exemplar do kibutz uma fazenda comunitária
para tratar do choque entre os desejos individuais e os deveres
coletivos. A narrativa se centra na relação
entre Dvir e sua mãe, mas se amplia para abarcar os
problemas cotidianos de todos os membros da comunidade, na
linha de outros filmes recentes que constroem vastas redes
sociais, como Crash e Babel.