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3 de outubro de 2007
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Música
Um sopro de novidade
para o jazz

A canadense Ingrid Jensen revoluciona o gênero
ao combinar o trompete com ritmos eletrônicos


Sérgio Martins

 
Pedro D'Avila
Ingrid: um passo adiante na revolução criada por artistas como Louis Armstrong

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Ingrid Jensen
Greenleaf Music

O trompete deu ao jazz alguns de seus maiores momentos. É um instrumento central nesse gênero de música. Desde o começo do século XX, houve sutis transformações na maneira de tocá-lo. Os responsáveis por essas mudanças – de Louis Armstrong a Miles Davis – imprimiram seu nome na história. Com auxílio da tecnologia, um novo estilo de tocar trompete está agora em gestação. O instrumento é ligado a um aparelho eletrônico, que produz uma espécie de "eco" e proporciona ao músico maior liberdade para improvisar. "Nunca soube de um trompetista que fizesse esse tipo de fusão", diz o pianista Herbie Hancock, uma das maiores estrelas do jazz contemporâneo. A novidade, que começa a causar discussão entre os músicos e nas publicações especializadas, pôde ser vista recentemente no Brasil, durante o festival Tudo É Jazz, que aconteceu em Ouro Preto. Não bastasse a ousadia musical, causa surpresa saber quem está por trás dela. Não, não se trata de um músico negro americano – mas de uma mulher branca, e canadense. Seu nome é Ingrid Jensen, uma das principais solistas na orquestra da compositora Maria Schneider, ela mesma uma das personalidades mais provocadoras do jazz atual.

O primeiro jazzista a explorar as múltiplas sonoridades do trompete foi Louis Armstrong. Foi com ele em mãos que Armstrong, no começo do século XX, começou a expandir as fronteiras de um tipo de música cujo cerne viria a ser a improvisação. Nas décadas seguintes, o instrumento ganhou o reforço de outros inovadores, como Dizzy Gillespie, um dos pais do bebop, e Miles Davis, com seu toque puro e contido. Nos últimos tempos, contudo, o trompete se tornou símbolo de ortodoxia, graças a Wynton Marsalis, que, além de ser um virtuose no instrumento, é uma das figuras mais poderosas do jazz, defendendo com zelo a teoria de que nenhuma inovação nessa seara, depois dos anos 60, merece atenção. Ingrid, claro, discorda. "Acreditar na estagnação só leva a mais estagnação", diz ela.

Desafiar Wynton Marsalis requer coragem. Mais ainda em se tratando de uma mulher. O jazz reserva um espaço a cantoras e pianistas – que com freqüência se convertem em símbolos sexuais. Muito mais raro é encontrá-las à frente de outros instrumentos tradicionais do gênero, como bateria, contrabaixo, saxofone ou trompete. "Existe, sim, preconceito. Não há mulheres na capa de revistas especializadas, e há poucas na escalação de grandes festivais", diz Ingrid. Na orquestra de Maria Schneider, Ingrid aprendeu a temperar sua música com ritmos brasileiros e toques de flamenco. Sua faceta inovadora obedece a um critério rigoroso. "Há músicos que levam um computador para o palco e deixam que ele tome conta. Para mim, é importante preservar a melodia acima de tudo." Casada, 40 anos, a trompetista sabe jogar duro, quando necessário, no cenário competitivo do jazz. "Sei que faço um trabalho importante", afirma. Mas sua música é suave.



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