A versão brasileira
de um reality show
de sucesso sobre o mundo das modelos
Marcelo Marthe
Fotos Divulgação
As candidatas: quadris roliços
Atualmente
em sua oitava temporada, a gincana de modelos America's
Next Top Model é mais um reality show americano
que virou produto de exportação: ganhou versões
em 22 países, da França à Tailândia.
Em poucos lugares, contudo, o tema encontraria tanta ressonância
quanto no Brasil. O mercado nacional de moda movimentou 70
bilhões de reais no ano passado. E, com o fenômeno
Gisele Bündchen à frente, produziu-se por aqui
um culto à figura da modelo que tem poucos paralelos
pelo mundo. Em 2006, o Brasil respondeu por 650.000 dos 5
milhões de participantes (em sua maioria garotas) do
concurso mundial da agência Ford. Por isso, não
é de estranhar que a estréia do Brazil's
Next Top Model, na quarta 3, seja aguardada com ansiedade
no "mundinho". O BNTM foi produzido pelo canal pago
Sony a um custo estimado em 3 milhões de reais. Envolveu
uma seleção dentre mais de 1.700 candidatas,
realizada com o apoio da Ford e de seus "olheiros"
a agência premiará a vencedora com um contrato
de 200.000 reais. Iniciada há quarenta dias, a gravação
é cercada de sigilo. Das vinte jovens da primeira peneiragem,
sobram treze ao final do episódio de estréia.
Como no Big Brother, as sobreviventes são isoladas
numa casa no bairro paulistano do Morumbi. Por três
meses, disputarão tarefas relacionadas à profissão
e uma será defenestrada a cada semana.
O original americano
tem a marca de sua criadora e apresentadora, a modelo Tyra
Banks, conhecida pelos comentários capazes de levar
as beldades às lágrimas. Ela é auxiliada
por um júri de especialistas que julgam as candidatas
diante de situações-limite. Certa vez, as garotas
tiveram de fazer um ensaio sobre elefantes. Em outra ocasião,
posaram com roupas mínimas num cenário de gelo.
A crueldade, enfim, é a alma do negócio. E uma
das indagações sobre a versão brasileira
é se ela será fiel a esse traço.
Fernanda, Erika e Herchcovitch
(a partir da esq.): alfinetadas
A primeira opção
da Sony para o papel de Tyra foi Gisele Bündchen, que
recusou o convite. Depois de vários testes, chegou-se
à modelo fluminense Fernanda Motta. Pelo que se vê
no episódio inicial, a moça tem desenvoltura
diante das câmeras. Mas, apesar de bem cotada no exterior,
não inspira a autoridade da americana. A troca de farpas
parece ser uma constante no programa. Entre as garotas, logo
de cara, houve bate-boca porque uma mato-grossense não
gostou de ser chamada de "mulata" por uma concorrente do Piauí.
Quanto aos jurados, a Sony fez a opção por nomes
respeitados do setor da moda: o estilista Alexandre Herchcovitch,
a jornalista Erika Palomino e Paulo Borges, organizador da
São Paulo Fashion Week. Em suas primeiras aparições,
Herchcovitch fez o papel de carrasco. Encafifado com a quantidade
de candidatas "roliças", ele solicitou que os quadris
delas fossem checados (nem todos correspondiam ao que se declarava).
Mas Borges, que faltou à gravação do
primeiro episódio, garante que ele é que será
o malvado. "O Alexandre vai se revelar mais compreensivo.
Ele é a mãezona judia do júri", diz.