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3 de outubro de 2007
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Televisão
É muita viagem

Os humoristas do Pânico na TV vão ao
exterior para criar um choque cultural


Marcelo Marthe

 
Fotos Divulgação
Christian Pior e Robaldo em Ibiza: "Pára tudo e chama a Nasa"

No último domingo, as "reportagens internacionais" dominaram a pauta do Pânico na TV. A dupla Repórter Vesgo e Silvio atacou em Veneza. Na Praça de São Marcos, eles interagiram loucamente com estrangeiros que não compreendiam patavina do que se passava. Depois, num passeio de barco, pregaram sustos nos turistas. Ainda no programa, o estilista gay Christian Pior e seu colega Robaldo Ésperman atazanaram banhistas em Ibiza, ilha chique da costa mediterrânea. Pior desancava as mulheres feias ("olha o corpinho de calango") e repelia as belas com um adesivo em que se lê "Xô!!!" (não sem pedir antes: "Ovula, gata"). Diante dos homens sarados, sacava o bordão: "Pára tudo e chama a Nasa". Se antes eram raras, as viagens internacionais se converteram num dos principais filões do humorístico da Rede TV!. Recentemente, Sabrina Sato foi à África do Sul, onde mergulhou com tubarões e fez um safári só de tanguinha e botas de cano alto. Além de Veneza, o périplo europeu de Vesgo e Silvio incluiu a ida à festa da tomatina, na Espanha, em que quase viraram extrato de tomate de tanto levar pancadas da multidão. E também uma escala no Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1, em Monza, com o objetivo (cumprido) de fazer o locutor Galvão Bueno cair na dança do siri.

Sabrina, em seu "safári" na África: de tanguinha na savana

Nesses diários de viagem, o programa extrai suas tiradas de um certo choque cultural – mesmo campo desbravado pelo comediante inglês Sacha Baron Cohen com seu personagem Borat, o repórter cazaque cujo jeito de ser confunde os interlocutores de outros países. Caçoar dos estrangeiros numa língua que eles não entendem já garante as trombadas. Outro fator de estranhamento é a diferença de temperamento. Os brasileiros do Pânico abordam e tocam as pessoas sem cerimônia, de uma forma a que europeus e americanos não estão acostumados. Recém-contratado para a trupe, o comediante Evandro Santo, que interpreta Christian Pior, já ficou craque no assédio (nada tão complicado, diga-se, para alguém que até pouco tempo atrás vivia de fazer telegramas animados). Suas definições dos "gringos" são um caso à parte. Ele acha os italianos muito "Robert" – segundo ele, alguém que faz qualquer coisa para aparecer na TV. Critica ainda os ingleses ("De que adianta usar óculos Chloé com aqueles dentes podres?") e os argentinos ("São as baratas do mundo" – querendo dizer com isso que eles estão em todo lugar).

Os humoristas passaram a viajar mais graças ao patrocínio de uma agência de viagens. Mas os passeios vêm a calhar por razões estratégicas. "É uma forma de tirar um pouco nosso foco do assédio às celebridades", diz Rodrigo Scarpa, o Vesgo. De fato, esse manancial parece estar se aproximando de um limite. O Pânico enfrenta processos e já fez quase todas as vítimas imagináveis (as últimas foram o governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, que aparecerão fazendo uma tímida dança do siri neste domingo). "Agora falta o presidente Lula", diz Vesgo.



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