Os humoristas do
Pânico na TV vão ao
exterior para criar um choque cultural
Marcelo Marthe
Fotos Divulgação
Christian Pior e Robaldo em
Ibiza: "Pára tudo e chama a Nasa"
No
último domingo, as "reportagens internacionais" dominaram
a pauta do Pânico na TV. A dupla Repórter
Vesgo e Silvio atacou em Veneza. Na Praça de São
Marcos, eles interagiram loucamente com estrangeiros que não
compreendiam patavina do que se passava. Depois, num passeio
de barco, pregaram sustos nos turistas. Ainda no programa,
o estilista gay Christian Pior e seu colega Robaldo Ésperman
atazanaram banhistas em Ibiza, ilha chique da costa mediterrânea.
Pior desancava as mulheres feias ("olha o corpinho de calango")
e repelia as belas com um adesivo em que se lê "Xô!!!"
(não sem pedir antes: "Ovula, gata"). Diante dos homens
sarados, sacava o bordão: "Pára tudo e chama
a Nasa". Se antes eram raras, as viagens internacionais se
converteram num dos principais filões do humorístico
da Rede TV!. Recentemente, Sabrina Sato foi à África
do Sul, onde mergulhou com tubarões e fez um safári
só de tanguinha e botas de cano alto. Além de
Veneza, o périplo europeu de Vesgo e Silvio incluiu
a ida à festa da tomatina, na Espanha, em que quase
viraram extrato de tomate de tanto levar pancadas da multidão.
E também uma escala no Grande Prêmio da Itália
de Fórmula 1, em Monza, com o objetivo (cumprido) de
fazer o locutor Galvão Bueno cair na dança do
siri.
Sabrina, em seu "safári"
na África: de tanguinha na savana
Nesses diários
de viagem, o programa extrai suas tiradas de um certo choque
cultural mesmo campo desbravado pelo comediante inglês
Sacha Baron Cohen com seu personagem Borat, o repórter
cazaque cujo jeito de ser confunde os interlocutores de outros
países. Caçoar dos estrangeiros numa língua
que eles não entendem já garante as trombadas.
Outro fator de estranhamento é a diferença de
temperamento. Os brasileiros do Pânico abordam
e tocam as pessoas sem cerimônia, de uma forma a que
europeus e americanos não estão acostumados.
Recém-contratado para a trupe, o comediante Evandro
Santo, que interpreta Christian Pior, já ficou craque
no assédio (nada tão complicado, diga-se, para
alguém que até pouco tempo atrás vivia
de fazer telegramas animados). Suas definições
dos "gringos" são um caso à parte. Ele acha
os italianos muito "Robert" segundo ele, alguém
que faz qualquer coisa para aparecer na TV. Critica ainda
os ingleses ("De que adianta usar óculos Chloé
com aqueles dentes podres?") e os argentinos ("São
as baratas do mundo" querendo dizer com isso que eles
estão em todo lugar).
Os humoristas passaram
a viajar mais graças ao patrocínio de uma agência
de viagens. Mas os passeios vêm a calhar por razões
estratégicas. "É uma forma de tirar um pouco
nosso foco do assédio às celebridades", diz
Rodrigo Scarpa, o Vesgo. De fato, esse manancial parece estar
se aproximando de um limite. O Pânico enfrenta
processos e já fez quase todas as vítimas imagináveis
(as últimas foram o governador de São Paulo,
José Serra, e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab,
que aparecerão fazendo uma tímida dança
do siri neste domingo). "Agora falta o presidente Lula", diz
Vesgo.