Na quinta-feira
passada, quando a atacante Marta Vieira, camisa 10 da Seleção
Brasileira de Futebol Feminino, marcou o quarto gol da vitória
contra os Estados Unidos, foi aplaudida de pé pela
platéia do estádio de Hangzhou, na China. Disputava-se
a semifinal da Copa do Mundo feminina, e as meninas do Brasil
deram um show como nunca se viu na história da seleção.
Com a vitória sobre o arqui-rival time americano, pela
primeira vez o futebol feminino brasileiro chega a uma final
desse torneio a partida decisiva será disputada
neste domingo, contra a Alemanha, em Xangai. O time das americanas,
bicampeão mundial, era considerado um dos favoritos
da competição, mas não foi páreo
para os dribles de Marta e suas companheiras de equipe. Embalada
pelos gritos da torcida, a atacante chegou a ensaiar movimentos
que pareciam passos de samba diante das desnorteadas adversárias.
Marta fez dois gols, um deles com destreza comparável
à de grandes craques brasileiros como Pelé ou
Zico (veja
como foi o lance), e se confirmou no posto
de a melhor jogadora do mundo, eleita pela Fifa. O time americano
tirou a medalha de ouro das brasileiras nas Olimpíadas
de 2004 e eliminou as chances do Brasil de chegar à
final na Copa passada.
A partida decisiva
entre o Brasil e a Alemanha, atual campeã do torneio,
não será fácil. Os dois times fazem uma
ótima campanha e estão invictos na competição.
A diferença é que a equipe alemã está
há cinco jogos sem tomar um gol o que significa
que Marta terá de caprichar ainda mais nos dribles.
Em todo o mundo, inclusive no Brasil, o futebol feminino profissional
ainda é incipiente. A maior parte das jogadoras não
vive do esporte e depende de outras fontes de renda. Mesmo
nos Estados Unidos, onde já houve uma liga profissional,
o futebol feminino ainda está longe de movimentar a
quantidade de dinheiro investida na liga masculina. No Brasil,
não existe um campeonato oficial de futebol feminino
e parte das jogadoras depende do Bolsa-Atleta, concedido pelo
governo. Por isso, muitas jogadoras da seleção
almejam uma carreira internacional como a de Marta. A alagoana
de 21 anos joga no Umea, time da liga feminina sueca, e ganha
30.000 euros por mês. Se forem campeãs, além
de conquistarem um título inédito, as jogadoras
brasileiras esperam conseguir transformar o futebol feminino
em paixão nacional, como ocorre com o dos marmanjos.