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3 de outubro de 2007
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O brilho das meninas

Com grandes dribles de Marta, o Brasil
chega à final da Copa do Mundo feminina

Julie Jacobson/AP
Marta: movimentos que parecem passos de samba


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Quadro: A seqüência de um golaço

Na quinta-feira passada, quando a atacante Marta Vieira, camisa 10 da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, marcou o quarto gol da vitória contra os Estados Unidos, foi aplaudida de pé pela platéia do estádio de Hangzhou, na China. Disputava-se a semifinal da Copa do Mundo feminina, e as meninas do Brasil deram um show como nunca se viu na história da seleção. Com a vitória sobre o arqui-rival time americano, pela primeira vez o futebol feminino brasileiro chega a uma final desse torneio – a partida decisiva será disputada neste domingo, contra a Alemanha, em Xangai. O time das americanas, bicampeão mundial, era considerado um dos favoritos da competição, mas não foi páreo para os dribles de Marta e suas companheiras de equipe. Embalada pelos gritos da torcida, a atacante chegou a ensaiar movimentos que pareciam passos de samba diante das desnorteadas adversárias. Marta fez dois gols, um deles com destreza comparável à de grandes craques brasileiros como Pelé ou Zico (veja como foi o lance), e se confirmou no posto de a melhor jogadora do mundo, eleita pela Fifa. O time americano tirou a medalha de ouro das brasileiras nas Olimpíadas de 2004 e eliminou as chances do Brasil de chegar à final na Copa passada.

A partida decisiva entre o Brasil e a Alemanha, atual campeã do torneio, não será fácil. Os dois times fazem uma ótima campanha e estão invictos na competição. A diferença é que a equipe alemã está há cinco jogos sem tomar um gol – o que significa que Marta terá de caprichar ainda mais nos dribles. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, o futebol feminino profissional ainda é incipiente. A maior parte das jogadoras não vive do esporte e depende de outras fontes de renda. Mesmo nos Estados Unidos, onde já houve uma liga profissional, o futebol feminino ainda está longe de movimentar a quantidade de dinheiro investida na liga masculina. No Brasil, não existe um campeonato oficial de futebol feminino e parte das jogadoras depende do Bolsa-Atleta, concedido pelo governo. Por isso, muitas jogadoras da seleção almejam uma carreira internacional como a de Marta. A alagoana de 21 anos joga no Umea, time da liga feminina sueca, e ganha 30.000 euros por mês. Se forem campeãs, além de conquistarem um título inédito, as jogadoras brasileiras esperam conseguir transformar o futebol feminino em paixão nacional, como ocorre com o dos marmanjos.



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