A
internet criou um efeito colateral indesejado ao incluir em
seu mar de informações úteis outras nem
tanto, como fotos e revelações íntimas
das pessoas. Isso não é um problema quando se
trata daquele prêmio de funcionário do ano, mas
começa a tornar-se inconveniente quando o que se revela
é, por exemplo, a foto não tão
gloriosa assim da folia no último Carnaval.
Para sorte dos que tiveram alguns de seus maus momentos expostos
na rede, há um alívio. Já existem empresas
especializadas em promover uma espécie de faxina virtual.
Elas monitoram o que é publicado sobre seus clientes
e filtram as citações indesejadas. Com sede
nos Estados Unidos, elas atendem pela internet inclusive
em português. Pode-se contratá-las sem sair de
casa. A lista de serviços inclui desde coisas simples,
como criar um perfil profissional lustroso e colocá-lo
em destaque num site de busca, até uma limpeza mais
profunda nas referências negativas. Tudo pela manutenção
da boa reputação.
As empresas não
gostam de revelar suas estratégias para polir biografias.
Mas algumas são óbvias, como publicar uma enxurrada
de textos com conteúdo positivo. O objetivo é
levar comentários inconvenientes para além da
terceira página do site de busca. Pouquíssimos
internautas chegam até lá. É claro que
manipular a ordem do que aparece na tela não é
assim tão simples. O Google usa centenas de critérios
para definir seus resultados. Mas interferir neles é
bastante possível. "Um dos segredos é escrever
a biografia da pessoa de muitas maneiras", diz o americano
Tom Drugan, um dos criadores da Naymz, empresa que já
tem 25.000 assinantes interessados em monitorar o que é
dito sobre eles na rede. A companhia americana ReputationDefender
oferece um serviço mais completo. Faz gestões
nos sites para retirar os conteúdos negativos. Se o
site em questão não concorda em retirar o material,
promove causas judiciais.
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2007 By Rich Hein/Chicago Sun-Times, LLC.Reprinted With
Permission
A equipe da Naymz: mais de 25
000 assinantes ao redor do planeta
O preço de
um serviço de faxina virtual varia conforme a complexidade.
Pode ser gratuito, no caso da criação apenas
de um perfil profissional. Fazem-se monitoramentos mensais,
por 30 reais. Para limpezas mais complexas, o valor começa
em 10 000 reais, mas não há limite naqueles
casos em que já não se consegue contabilizar
as ofensas que se encontram na rede. Embora a oferta de serviços
de limpeza virtual seja uma novidade, não é
de hoje que empresas e governos recorrem a esse expediente.
Isso ficou claro com o lançamento do WikiScanner, programa
que permite identificar de quais computadores foram feitas
edições anônimas na Wikipédia (veja
o quadro). De um computador do Departamento de Segurança
Interna do Estados Unidos, por exemplo, quatro parágrafos
que descreviam problemas de George W. Bush com o álcool
foram simplesmente apagados. Alguém na sede da gigante
petrolífera ExxonMobil também decidiu promover
alterações. Editou o trecho que descrevia os
efeitos ambientais do acidente ocorrido, em 1989, com seu
navio Exxon Valdez, um dos maiores desastres ecológicos
da história.
Com a popularização
dos blogs, controlar o que se escreve sobre alguém
na internet tornou-se ainda mais difícil. São
mais de 70 milhões espalhados pela rede e cerca de
1,5 milhão de comentários publicados todos os
dias. À frente de uma organização que
orienta pais de adolescentes problemáticos, a americana
Sue Scheff sofreu, durante dois anos, ataques em blogs e fóruns
de discussão, disparados por uma cliente insatisfeita.
"Diziam que eu era uma fraude, que seqüestrava e destruía
famílias", conta. Ela perdeu clientes e teve de fechar
seu escritório. Ganhou na Justiça o direito
a uma indenização de 11,3 milhões de
dólares da tal cliente. Mas os textos ofensivos continuavam
lá. Buscou, então, os serviços do ReputationDefender.
Sue agora paga por um monitoramento constante, para evitar
que novas referências negativas circulem pela rede.
É tranqüilizador, mas interessados nesse tipo
de serviço devem conter suas expectativas. Há
um limite para polir a imagem na vastidão em que a
internet se transformou. Há casos, em especial aqueles
de corrupção crônica, em que as manchas
são indeléveis. Nem adianta tentar.