O
professor de ciência da computação Randy
Pausch, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos,
tem 46 anos e um câncer terminal. Seu prognóstico
é sombrio. Restam-lhe apenas alguns meses de vida.
No último dia 18, Pausch despediu-se de uma platéia
de 400 pessoas, entre alunos e colegas da universidade, com
a palestra intitulada "Como viver os seus sonhos de infância".
Por seu tom positivo e impactante, o jornal americano The
Wall Street Journal a chamou de "a palestra de uma vida".
É uma atividade comum nos campi americanos convidar
professores a fazer o que seria a sua última palestra.
O mote dessas apresentações é: que tipo
de sabedoria legariam a seus ouvintes caso lhes fosse dada
uma última chance? Pausch pai de três
crianças pequenas iniciou sua fala exibindo
num telão imagens de sua tomografia computadorizada.
"Os exames mostram cerca de dez tumores em meu fígado.
Os médicos me disseram que tenho de três a seis
meses de saúde razoável. Isso foi há
um mês. Portanto, façam as contas", disse a uma
platéia comovida. Avesso à autopiedade, fez
uma palestra entremeada por piadas. "Se eu não pareço
tão deprimido quanto deveria, desculpem desapontá-los",
disse ele. Em certo momento, Pausch fez uma série de
flexões com um braço só. "Ainda estou
em melhor forma do que muitos de vocês", afirmou.
Há exatamente
um ano, Pausch foi diagnosticado com câncer de pâncreas.
É um dos tumores mais letais, com uma taxa de sobrevivência
de 4% em cinco anos. Logo após o diagnóstico,
ele foi submetido a uma operação para a retirada
do tecido canceroso, então com 4,5 centímetros.
Na tentativa de aumentar suas chances de vida, aderiu a tratamentos
experimentais como uma vacina e uma combinação
altamente tóxica de quimioterapia e radiação
diária. Ao final desse tratamento, havia perdido 20
quilos. Foram tempos de uma difícil batalha até
que, no mês passado, Pausch ouviu a notícia de
que a doença voltara com força.
"O mais curioso
de tudo é que não estou deprimido. Tampouco
estou negando a doença posso garantir que tenho
plena consciência do que vai acontecer", escreveu ele
em seu blog, no qual faz relatos minuciosos da evolução
da doença. Esse tipo de reação diante
da morte não é tão incomum. "Passada
a fase mais difícil, de elaboração da
doença, é possível encontrar formas de
viver os últimos dias de maneira feliz", diz a psicóloga
Fernanda di Lione, do Hospital Sírio-Libanês.
Pausch resolveu morar na praia com a mulher e as crianças.
Ele se concentra agora em deixar vídeos gravados para
seus filhos e fará uma despedida especial com cada
um deles com o mais velho, Dylan, viajou recentemente
à DisneyWorld.