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3 de outubro de 2007
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Animais
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O socorro a animais nas grandes tragédias, como furacões
ou terremotos, já mobiliza exércitos de voluntários


Marcelo Bortoloti

As grandes tragédias naturais costumam mobilizar exércitos de voluntários em socorro às vítimas. São agentes de resgate que vasculham os escombros atrás de sobreviventes, médicos que fazem cirurgias de emergência nos feridos e pessoas que se encarregam apenas da distribuição de água e comida. Mais recentemente, um aspecto igualmente importante nessas operações passou a merecer atenção: o auxílio aos animais. Há pelo menos uma dezena de ONGs que se dedicam a fazer pelos bichos o que a Cruz Vermelha e a Organização das Nações Unidas fazem pelas pessoas. No Peru, após o terremoto que destruiu 32 000 casas e matou 500 pessoas, em agosto, foram salvos 965 cachorros, 82 gatos e dois macacos. Na Jamaica, depois da passagem do furacão Dean, na mesma ocasião, 25 voluntários participaram do resgate aos bichos, operação que consumiu 70 000 dólares. Um trabalho como esse envolve cirurgias de emergência e distribuição de medicamentos. Animais de estimação, como cães e gatos, também são recolhidos nas ruas e levados para abrigos até que seus donos apareçam. Tudo muito semelhante ao que é feito para os humanos.

O socorro aos animais, sempre realizado de forma precária, ganhou força após a imensa comoção no episódio do furacão Katrina, nos Estados Unidos, em 2005. A tragédia, que matou mais de 1 000 pessoas, foi também a que causou o maior número de vítimas entre os bichos, com cerca de 100 000 espécimes mortos. Cães ficaram ilhados nos pontos mais altos da cidade, cercados pela água suja, sem comer nem beber durante dias. Em qualquer centro urbano, é enorme a concentração de animais domésticos, mas nada se compara aos Estados Unidos, onde 63% das residências têm algum tipo de bicho de estimação. "O mais triste é que muitos sobrevivem ao evento mas morrem algum tempo depois por falta de curativos, fome ou doença", disse a VEJA Gerardo Huertas, diretor para a América Latina da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), entidade que é financiada por mais de 500 000 doadores.

Até o Katrina, a WSPA, da Inglaterra, era uma das poucas instituições que prestavam socorro aos animais. Desde então, elas se espalharam pelo mundo. Nos Estados Unidos, a PetSmart Charities é uma das mais bem preparadas, com seis caminhões apenas para retirar os animais do local do desastre e levá-los a um ponto seguro. Cada veículo tem capacidade para 500 bichos e é equipado com um gerador de energia, macas para transportar feridos e medicamentos. Cães e gatos recebem até máscaras de oxigênio especiais em casos de incêndio. O investimento é grande. No tsunami da Ásia, pelo menos 1,5 milhão de dólares foram gastos na operação de socorro aos bichos. Pode-se pensar que é muito, mas, para quem ama os animais, não há preço que pague.



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