Renan Calheiros ameaça
rebelião contra
o governo se os petistas deixarem de apoiá-lo
Otávio Cabral
Alan Marques/Folha Imagem
Bruno Lins, testemunha que envolveu
Calheiros com cobrança de propina, é agredido
em Brasília
O
senador Renan Calheiros mostrou na semana passada que sua
debilidade política não o impede de constranger
o governo dentro de seus domínios, o baixo clero do
Senado. Desde que foi absolvido da acusação
de quebra do decoro parlamentar por usar os serviços
de um lobista para pagar suas despesas pessoais, Renan enfrenta
pressões dos mesmos petistas que lhe salvaram a pele
para deixar a presidência. A disputa promete fortes
emoções se se repetir o que aconteceu
na última quarta-feira. Para estancar o desgaste produzido
com o movimento da oposição que paralisou todas
as votações como forma de protesto contra sua
permanência no comando, Renan Calheiros aceitou uma
trégua. Em troca da desobstrução dos
trabalhos, seus aliados concordaram em acabar com as sessões
secretas no plenário. O principal prejudicado com a
decisão, como se sabe, é o próprio Renan,
que ainda enfrenta três processos por quebra do decoro
no Conselho de Ética. Ao perceber que a pressão
dos aliados petistas surtira efeito, a tropa de Renan imediatamente
retaliou, rejeitando a medida provisória que criava
a Secretaria de Longo Prazo, impondo uma derrota ao governo.
Foi um aviso de Renan Calheiros e seus aliados sobre o que
pode vir a acontecer se ele se sentir abandonado pelos petistas.
Marcell
Casal Jr/ABR
Calheiros: acuado, ele quer
os petistas a seu lado
Renan Calheiros está preocupado com o futuro. Ele ainda
é acusado de fazer lobby para uma cervejaria, de comprar
emissoras de rádio usando laranjas e de liderar um
esquema de cobrança de propinas, segundo o advogado
Bruno Lins, que foi agredido em uma boate na semana passada.
O blefe de Renan Calheiros, num primeiro momento, surtiu o
efeito desejado. O governo, que depende dos votos dos aliados
do senador para aprovar a CPMF, determinou aos petistas que,
ao menos em público, parassem de cobrar a saída
de Renan da presidência. Nos bastidores, há enviados
do governo tentando sensibilizar parte da tropa rebelada dos
peemedebistas ligados a Renan com oferendas, como cargos e
verbas federais. Se der certo, o poder que Renan Calheiros
ainda tem se limitará ao arsenal de informações
comprometedoras que ele diz possuir contra parlamentares e
políticos do governo. Dependendo de seu poder de fogo,
seria a última tábua de salvação
do senador.