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CINEMA
Divulgação

17
Anos: melodrama
à maneira chinesa |
17
Anos (Guo Niam Hui Jia, China/Itália, 1999. Em cartaz
em São Paulo) Melodrama e sutileza são, à
primeira vista, incompatíveis mas não para os cineastas
chineses. Premiado por esse trabalho no Festival de Veneza, há
dois anos, o diretor Zhang Yuan conta a história de duas adolescentes
que, unidas pelo segundo casamento dos pais, se detestam. Xiaoqin é
uma estudante exemplar, enquanto Tao Lan é rebelde e descuidada.
Quando uma pequena quantia em dinheiro some de casa, é sobre ela
que recai a culpa. Tao, então, briga com a irmã postiça
e, sem querer, provoca sua morte. Dezessete anos depois, a moça
ganha a chance de sair da prisão, mas desanima diante do pesadelo
de rever a mãe e o padrasto. É um belíssimo desenvolvimento
de um tema caro ao melodrama: o das infinitas repercussões de gestos
aparentemente desimportantes.
DISCOS
The
Id, Macy Gray (Sony Music) A cantora americana Macy Gray
tem uma das vozes mais peculiares do pop atual. Um crítico já
chegou a compará-la ao personagem de desenho animado Patolino
apressando-se em acrescentar, no entanto, que ela seria um Patolino "com
muita alma". De fato, se a voz rascante de Macy pode causar estranheza,
não há dúvida de que ela é uma intérprete
de primeiríssimo time. Esse seu segundo disco traz um cardápio
variado de música negra americana, do blues à disco music.
As letras são sobre amor e sexo com boas doses de humor
apimentado. "É incrível o que uma arma na cabeça
pode fazer", diz ela, ao explicar como finalmente conquistou o homem que
resistia às suas investidas, na canção Gimme All
Your Lovin' or I Will Kill You. A cantora deve apresentar-se no Brasil
neste mês.
A
Funk Odyssey, Jamiroquai (Sony Music) O inglês Jason
Kay, cantor e líder do Jamiroquai, já foi apontado como
uma "pálida versão de Stevie Wonder". Mas não se
deve fazer pouco dele e de seus companheiros. A cada novo disco, seu grupo
confirma que tem, sim, vida própria e um suingue demolidor.
O Jamiroquai recicla com eficiência a música dos anos 70,
numa roupagem moderninha que ficou conhecida como acid jazz. Nesse novo
CD, o grupo consegue uma façanha: está ainda mais sacolejante.
Há canções capazes de animar qualquer festinha madrugada
adentro, como Feel So Good e Stop Don't Panic. A outra especialidade
da banda, embalar namoricos, está bem representada em faixas como
You Give Me Something.
Quatro
Grandes do Samba, Nelson Cavaquinho, Candeia, Guilherme de Brito
e Elton Medeiros (BMG Brasil) A gravadora BMG completou 100 anos
e repôs em circulação vinte velhos títulos
de seu catálogo. Esse é, de longe, o melhor do pacote. Além
de interpretar suas composições, os quatro músicos
conversam sobre a história do samba. Suas especialidades são
diferentes. A dupla Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito destila melancolia
em A Flor e o Espinho. Candeia, por sua vez, comparece com Sou
Mais o Samba, uma ironia em cima dos brasileiros que tentam soar americanos.
O fino do samba-canção fica por conta de Elton Medeiros.
Quatro Grandes do Samba é o registro de uma época
em que o gênero tinha muito a oferecer.
LIVRO
O
Irmão Bom, de Chris Offutt (tradução de Paulo
Reis; Rocco; 335 páginas; 34 reais) Trata-se do primeiro
romance de Chris Offutt, que vem sendo louvado como uma das grandes promessas
da nova ficção americana. Ambientado nos Estados caipiras
de Kentucky e Montana, o livro fala sobre os códigos de honra arcaicos
que ainda sobrevivem "no coração da América". A história
começa quando o irmão de Virgil é assassinado. Todos
na cidadezinha esperam que a morte seja vingada conforme a tradição.
Virgil quer escapar desse círculo vicioso mas não
consegue livrar-se do passado e acaba envolvido com uma milícia
clandestina de fazendeiros. Offutt conduz com mão firme uma narrativa
repleta de tensão e belas descrições.
INFANTIL
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| Collodi:
sem conformismo |
Histórias
Alegres, de Carlo Collodi (tradução de Gabriella
Rinaldi; Iluminuras; 125 páginas; 23 reais) O italiano Carlo
Collodi (1826-1890) é conhecido mundialmente como autor de Pinóquio.
Quem leu a história do boneco de madeira que queria transformar-se
em gente sabe que ela não prima exatamente pela alegria. Os oito
contos dessa coletânea, porém, fazem justiça ao seu
título. São realmente leves e engraçados o
que não significa que apelem para o tipo mais fácil de humor.
Collodi incentiva o leitor a questionar valores e o ensina a rir de si
próprio, em contos como O Homenzinho Precoce. A escola é
um tema constante das historietas. O autor faz o elogio dos bem-comportados,
mas sem pregar o conformismo. "Adivinhem quem era o aluno mais preguiçoso,
mais agitado e mais impertinente de toda a escola", lembra ele em Quando
Eu Era Criança, o simpático depoimento autobiográfico
que fecha o volume.
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OS
MAIS VENDIDOS -
CRÍTICA
Oferecer
soluções para todos os males, em páginas repletas
de lugares-comuns, é a fórmula clássica da
literatura de auto-ajuda. Poucos, contudo, levaram tal procedimento
ao extremo de Os 100 Segredos das Pessoas Felizes (tradução
de Maria Claudia Coelho; Sextante; 192 páginas; 19,90 reais).
O autor é o americano
David Niven, professor de uma certa Florida Atlantic University,
que insiste em lembrar ao leitor continuamente que é P.h.D.
em alguma coisa (não se sabe ao certo em quê). Sua
proeza é "demonstrar", vejam só, que a felicidade
é uma ciência. "Após ler mais de 1 000 trabalhos
sobre as características e crenças das pessoas felizes,
escolhi os conselhos que considerei melhores e mais práticos",
explica ele na orelha do best-seller. Além de ser despachado,
Niven é de uma modéstia exemplar. Tudo o que está
no livro, assegura, se baseia em pesquisas científicas que
não encontraram eco, antes dele, porque foram escritas numa
"linguagem hermética". Talvez para poupar seus leitores do
perigo de trombar com um desses livros chatos, Niven não
se preocupou em organizar uma bibliografia.
Os
100 Segredos descobertos nesses "tratados científicos"
são tão simplórios que é até
desconcertante citá-los. Eis o de número 13: "Seja
agradável". Outro menos óbvio: "Goste dos animais"
(segredo número 76). A lista passa ainda por pérolas
como "Estar ocupado é melhor do que estar chateado" (número
68) e "O fim chega para todos, mas podemos estar preparados" (79).
Mas a melhor dica é realmente aquela mais singela: "Sorria"
(número 15). Nessa, ele faz questão de citar suas
fontes. "Cientistas da Universidade da Califórnia identificaram
dezenove tipos diferentes de sorrisos, com uma característica
em comum: todos eles são capazes de comunicar uma mensagem
agradável." Esse P.h.D. é mesmo uma graça.
Mas atenção: não confundi-lo com o homônimo
David Niven, ator de sucessos do cinema como Bom-Dia, Tristeza
e A Pantera Cor-de-Rosa. A humanidade deve muito mais felicidade
ao Niven das telas do que ao da auto-ajuda.
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