Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 720 - 3 de outubro de 2001
Geral Especial
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Especial
 

O que fazer com o Afeganistão
As raízes do antiamericanismo
Quando a guerra é justa
A cobertura da rede CNN
A busca da coalizão internacional
As armas químicas e biológicas
Os fanáticos
O Paquistão na encruzilhada
A luta para asfixiar as finanças do terror
O pacote de 100 bilhões de dólares
O humor na internet

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Hipertexto exclusivo on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

O inverno vai até dezembro

Nas últimas semanas, evitar a recessão prolongada tem sido uma obsessão tão forte no governo americano quanto punir os responsáveis pelos atentados às torres gêmeas de Nova York e ao Pentágono. Salvar a economia é uma das ações da nova guerra. Representantes do Congresso, do banco central, da Casa Branca e da Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos têm-se reunido regularmente para discutir as medidas que irão compor o pacote destinado a reaquecer a economia do país. Algumas foram aprovadas em tempo recorde. O governo decidiu direcionar 40 bilhões de dólares para a reconstrução do centro de Nova York e para o aprimoramento dos sistemas de segurança em todo o país. Outros 15 bilhões serão destinados a socorrer a indústria da aviação, um dos setores que mais estão sofrendo por causa dos atentados. E mais 30 bilhões de dólares serão empregados para reequipar e reparar os estragos no Pentágono.

A idéia central é colocar dinheiro em circulação, fazer girar recursos e devolver dinamismo e confiança a empresários e consumidores. O governo decidiu também acelerar as discussões para restituir parte dos impostos pagos pelas pessoas com renda mais baixa e reduzir os impostos sobre o lucro das empresas. Também se discute o fim das taxas cobradas aos investidores no mercado financeiro, a extensão em um ano do tempo de salário-desemprego e a injeção de até 100 bilhões de dólares na economia. Tudo isso era polêmico antes dos ataques. Agora parece inevitável. O volume de dinheiro posto à mesa de reuniões demonstra a importância que se está dando à manutenção da saúde econômica dos Estados Unidos. E não sem razão. Quanto mais demorada for a reação, mais difícil será o reaquecimento do país.

 
AP

PARECE MENTIRA
O número de visitantes aos parques da Disney caiu tanto que a parada diária, famosa por reunir milhares de espectadores, tem sido vista por alguns poucos turistas

Agir rápido é fundamental porque as informações mais recentes são desalentadoras. O ânimo consumista dos americanos parece ter congelado. Uma pesquisa feita no último dia 21 pela agência de notícias Reuters revelou que 24 dos 25 principais economistas de Wall Street acreditam que o país já se encontra em recessão. Outro levantamento recente mostra que mais da metade da população americana acha o mesmo. Na semana passada, foram divulgadas novas informações negativas.

O índice de confiança do consumidor medido pelo Conference Board apresentou em setembro a maior queda desde 1990, quando os americanos viviam a insegurança pré-Guerra do Golfo. A expectativa do consumidor em relação ao futuro foi uma das piores variáveis do índice.

Em outra pesquisa similar, realizada pela Universidade de Michigan, os entrevistados afirmaram que esperam que sua renda diminua nos próximos meses. Segundo os analistas da pesquisa, desde as vésperas da crise de 1980 os consumidores não se mostram tão pessimistas em relação ao futuro.

A ausência de boas expectativas é refletida claramente no movimento do comércio. O Departamento Federal das Lojas anunciou que as vendas em setembro foram de 15% a 20% inferiores às do mesmo período do ano passado.

Revendedoras de automóveis e empresas de construção de casas também registraram fortes quedas em seus negócios nas últimas semanas.

O número de pessoas que procuram o seguro-desemprego bateu novo recorde. Só houve tantas demissões nos Estados Unidos na recessão de 1992.

Na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional divulgou um relatório com a revisão da expectativa de crescimento dos países para este ano. Praticamente todos eles tiveram suas previsões reduzidas. No caso americano, se já era esperado que o PIB cresceria pouco, 1,5%, agora se calcula que crescerá menos ainda – 1,3%.

As autoridades americanas temem, com razão, que seu keynesianismo de resultados – ou seja, aumentar os gastos públicos com a intenção objetiva de reacelerar a economia – não venha na dose certa. Gastar pouco dinheiro pode não ter efeito algum. Gastar muito pode enfraquecer as finanças públicas e trazer toda sorte de problemas que países como a Argentina e o Brasil conhecem bem: juros altos e até inflação. A esperança maior é que a disposição de gastar do governo possa, como já ocorreu no passado, melhorar o ânimo dos agentes econômicos. No momento, entre as medidas que estão em debate a mais bem cotada é a liberação de uma parcela dos impostos pagos pela população mais pobre, que tem maior propensão ao consumo. Com dinheiro na mão, essa gente compra mais comida, uma roupinha nova, vai ao cinema e cria uma agitação positiva. "Um dólar na mão da população tem efeito muito mais imediato na economia que 1 dólar gasto pelo governo", diz Paulo Leme, economista em Nova York do banco Goldman Sachs. Espera-se que, para dar uma mãozinha à economia e estimular as compras a prazo, o Fed corte novamente os juros nesta semana.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS