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DIA
DE CRISE
A principal redação da CNN, em Atlanta, após os atentados |
Às
8h49 do dia 11 de setembro, apenas quatro minutos depois de uma das torres
do World Trade Center ser atingida por um avião seqüestrado,
a rede americana de notícias CNN transmitiu as primeiras imagens
dos atentados terroristas que abalaram os Estados Unidos. Desde então,
ela acompanha os desdobramentos da tragédia com um batalhão
de mais de 1 000 jornalistas mobilizado em tempo integral. Mantém
profissionais em alerta em dezessete países considerados "quentes",
especialmente no Oriente Médio. E é o único canal
que ainda conta com dois correspondentes num Afeganistão cada vez
mais isolado pela ameaça de guerra. Dez anos após se tornar
a principal grife jornalística da TV mundial, com sua estupenda
atuação na Guerra do Golfo, a CNN se encontra de novo em
terreno que domina como ninguém: a cobertura intensiva de um evento
político e bélico de repercussão planetária.
Não
têm faltado críticas à emissora, que vem batendo recordes
de audiência desde o dia dos atentados (veja quadro ao lado).
Acusam-na de fazer "patriotadas", de manipular informações,
de haver assumido uma linha editorial para ajudar os Estados Unidos a
instaurar um clima de opinião que lhe seja favorável. Um
ataque inusitado à rede partiu do Brasil onde as imagens
da emissora podem ser conferidas em dois canais pagos, a CNN International,
em inglês, e a CNN en Español. Um aluno de sociologia da
Universidade de Campinas, Márcio A.V. Carvalho, espalhou na internet
o boato de que a CNN exibia imagens antigas como se fossem as de palestinos
que comemoravam os atentados do mês passado. O objetivo da emissora
seria criar uma onda global de animosidade contra muçulmanos. Tudo
bobagem. Ao contrário do que supõem os mal informados, a
CNN, fundada pelo milionário Ted Turner em 1980 e hoje pertencente
ao grupo AOL Time Warner, está longe de ser um órgão
a serviço do establishment americano. Nos Estados Unidos,
ela ocupa uma posição à esquerda no espectro político.
A direitona patriótica sintoniza mesmo é a Fox News, de
propriedade do notório conservador (para dizer o mínimo)
Rupert Murdoch. O noticiário da Fox, sim, é de provocar
fibrilações nos corações mais liberais. Os
críticos brasileiros da CNN logo terão oportunidade de constatar
essa diferença o canal de Murdoch começará
em breve a ser veiculado na TV paga do país.
| Angeli/Alain
Rolland/Maxima Productions |
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ESTILOS
DIFERENTES
A ex-atriz Andrea e Christiane: estrelas da emissora |
Em
suas coberturas de guerras, a CNN invariavelmente enfrenta as restrições
à informação impostas pelo governo americano. "A
censura do Pentágono está pior desta vez. Até as
notícias mais rotineiras são retidas pelos militares, por
medo de que possam ser úteis para eventuais ataques terroristas",
disse a VEJA Eason Jordan, executivo-chefe da emissora. Uma das maiores
qualidades da CNN é seu esforço para manter-se presente
nas regiões mais remotas e conflituosas. No caso do repórter
Nic Robertson, o único jornalista ocidental no Afeganistão
quando a crise eclodiu, ele havia sido destacado para registrar o julgamento
de oito militantes de ONGs dos Estados Unidos e da Europa, acusados pelo
regime islâmico de "propagar o cristianismo". Robertson foi expulso
do Afeganistão dez dias atrás, mas a emissora conseguiu
colocar outros dois repórteres no norte do país, dominado
pela oposição ao Talibã.
Nos
últimos anos, a CNN vinha passando por uma crise sem precedentes.
Em meados da década de 90, duas fortes concorrentes, a Fox News
e a MSNB, surgiram para disputar o mesmo nicho de mercado. Entre 1997
e 2000, a CNN perdeu nada menos que um terço de seus espectadores.
Para muitos, em momentos de calmaria seu formato noticioso revelava-se
"quadrado" e monótono. A rede passou por reformulações
de cúpula, demitiu funcionários e tentou, meio desajeitadamente,
introduzir algumas inovações. Criou programas mais leves,
na linha do jornalismo-entretenimento, e tratou de contratar apresentadoras
de rostinho bonito, como a jornalista Paula Zahn e a ex-atriz Andrea Thompson,
que atuou num seriado de TV e até posou nua antes de encarar seu
tailleurzinho comportado de âncora de telejornal. As mudanças
ainda não tinham mostrado muito efeito quando, de repente, os aviões
seqüestrados atingiram as torres do World Trade Center e o prédio
do Pentágono. A tragédia foi a chance de a CNN reencontrar
sua vocação. E dar um banho na concorrência.
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ALIADO
TECNOLÓGICO
O videofone e imagem enviada por Robertson: equipamento pesa
só 8 quilos |
Maleta
cheia de truques
Imagens
exclusivas obtidas pela CNN devem-se a uma engenhoca chamada videofone.
Foi com ele que o jornalista Nic Robertson mostrou imagens da capital
do Afeganistão, Cabul, sendo bombardeada por forças
rebeldes menos de um dia depois dos atentados em Nova York e Washington.
O mesmo recurso poderá ser usado por Chris Burns e Steve
Harrigan até a semana passada, os dois únicos
correspondentes da TV americana em território afegão
, para enviar reportagens ao mundo. Graças ao aparelho,
a rede saiu à frente dos concorrentes em outras ocasiões,
como a do terremoto que abalou a Índia em janeiro e a do
afundamento do submarino russo Kursk, no ano passado. O videofone
dispensa o operador de câmara e cabe numa pasta 007. Ali dentro
há minicâmara, telefone celular, monitor e microfone.
Peso: 8 quilos. Outra vantagem é que se pode ligar o conjunto
até no acendedor de cigarro de um carro. Os dados são
enviados por satélite. "Essa é a revolução
que fará a diferença nesta cobertura", acredita a
repórter Christiane Amanpour, uma das estrelas da CNN.
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