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Edição 1 720 - 3 de outubro de 2001
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"Espero que ao término desse conflito o mundo possa respirar ares de paz e liberdade e que o terror seja uma página virada."
Rodrigo Paes Lima
Goiânia, GO

 

Terrorismo

As duas últimas edições de VEJA foram perfeitas. Cobertura sóbria. O que não se entende é a insistência de certa "inteligência" brasileira (copiando o que há de mais retrógrado no Primeiro Mundo) na pregação da tese de que os Estados Unidos estão "colhendo o que plantaram". Ainda bem que, para decepção dessa gente, todas as nações, exceto naturalmente o Afeganistão, estão apoiando os Estados Unidos na caça aos terroristas. Não há como esconder que o mundo nunca, em momento algum, respirou tanta democracia e liberdade, pelo menos até o último dia 11 de setembro. É necessário que se pare agora o terror ou perderemos definitivamente a paz.
José Tomaz Filho
Recife, PE

Cumprimento novamente VEJA pela grande cobertura, com detalhes que ajudam a compreender a grande confusão oriental, que a maioria dos brasileiros não sabia que existia. Ajudam principalmente os professores nas aulas, esclarecendo os alunos. Tenho certeza de que essas edições se transformarão em relíquias. Depois de algum tempo, serão fonte de pesquisas, especialmente para os historiadores.
Amauri Campos Matos
Maceió, AL

Lendo as reportagens, fica uma triste sensação de que uma bomba, um míssil, uma desgraça vai cair em nossa cabeça. Não haverá vencedores. Todos sairemos no mínimo mutilados, se não formos todos destruídos. Os tempos mudaram e com a globalização ficaram mais expostas as virtudes e as fraquezas. Fica muito claro que já não há unanimidade e reconhecimento com relação à liderança americana no mundo de hoje. Não existem mais espaços no planeta para posições isoladas.
Sinésio Müzel de Moura
Campinas, SP

Eu não sou muçulmana, mas muitos amigos meus são, e eles detestam o modo como os governantes do Afeganistão usam o Islã como desculpa para tudo o que fazem. Eu não vi nenhuma prova definitiva de que Osama bin Laden tenha cometido aquele ato terrível. Eu cá tenho minhas dúvidas, mas não tenho idéia de quem tenha praticado aquele ato criminoso.
Claudia Gregori
Londres, Inglaterra

Como muçulmana eu me entristeci com o fato de que uma minoria dessa religião comete graves erros, usando o Islã para justificar sua insanidade, resultando em preconceito para todos os seguidores. O islamismo é uma religião que muito contribuiu para o desenvolvimento da humanidade em várias épocas, independentemente da cultura.
Yasmin Yehia Ibrahim
Brasília, DF

Em 1992 eu morei por alguns meses na Bélgica para estudar. Tive colegas muçulmanos na universidade e na residência estudantil onde estive. A residência havia sido instalada por um sacerdote católico principalmente para ajudar garotas africanas a ter oportunidade de estudar na Europa e melhorar as perspectivas profissionais. Várias moças muçulmanas viviam na casa – marroquinas, senegalesas, argelinas, turcas. Estavam na Europa se aprimorando longe dos pais e ainda assim observavam o Ramadã, jejuando durante o dia. Mas estudavam, nem todas cobriam a cabeça e eram bem informadas e articuladas. Talvez elas não representassem a média da mulher muçulmana, mas não eram casos tão raros assim.
Luisa Silveira
Adelaide, Austrália

 

Paul Johnson

Parabéns pela entrevista com Paul Johnson. Ele nos mostrou de forma clara, objetiva e incontestável a real face do Islã e o verdadeiro motivo de tanto ódio aos americanos (Amarelas, 26 de setembro).
Nestor Carlos de Oliveira
Rio Claro, SP

Assinante antigo de VEJA, nunca mandei carta nem e-mail. Mas não me contive desta vez, assim que comecei a ler as Páginas Amarelas. Há muito tempo que não leio uma entrevista tão inteligente e com uma pessoa tão sensata. Faço minhas as suas palavras com muito pouco a acrescentar. Mas acredito na maioria do povo muçulmano, principalmente nos que moram em democracias e delas se beneficiam, quando dizem que querem a paz. Como judeu, apóio o direito legítimo do povo palestino a sua pátria, mas acredito, como Paul Johnson, que a paz só virá no dia em que palestinos e árabes também aceitarem verdadeiramente o direito igualmente legítimo da existência de Israel.
Rubens Szpilman
szpilman@zaz.com.br

Lamentável que Paul Johnson, historiador, nada tenha estudado sobre a real história do Islã. Essa palavra se originou da aglutinação de duas outras: "Salam", que significa paz, e "Istislam", que quer dizer submissão. Ao contrário do que afirma Johnson, a palavra Islã, portanto a própria religião islâmica, tem um significado ao mesmo tempo simples e amplo: o de que o ser humano só alcançará a paz quando se submeter voluntariamente a Deus. Isso é praticar o bem ao próximo, procurar o saber (a educação também é um dever do muçulmano) e a harmonia entre os povos, porque Deus é uma junção de todas essas qualidades. O islamismo prega, sim, a paz. E qualquer outra interpretação ou ação de grupos isolados e facções extremistas, no sentido da opressão e de ações beligerantes, é um erro imenso.
Omar Ellakkis
Foz do Iguaçu, PR

Fiquei surpreso com a publicação da entrevista de Paul Johnson. Ele diz que, diferentemente do judaísmo e do cristianismo, o islamismo não passou por nenhuma reforma e se mantém essencialmente o mesmo. Como acreditar que uma religião se tenha mantido a mesma, sem mudar, há 1.400 anos? Ainda mais quando falamos de islamismo, uma religião que nasceu sem dono, sem hierarquia formal, sem dogmas unanimemente aceitos. Desde o início, o islamismo se divide em uma infinidade de seitas, de pensamentos, de modo de agir, de escolas. O "historiador" diz que Islã quer dizer submissão, dando a entender que é uma religião que quer submeter à força todos os povos. Islã quer dizer literalmente submissão voluntária à vontade de Deus. Ele cita um trecho, tirado totalmente do seu contexto, do Corão: "Matai os idólatras onde quer que os encontreis". E diz que isso é prova do caráter nocivo e beligerante do islamismo. O trecho se refere aos politeístas que à época da Revelação estavam em guerra com os muçulmanos. Não se refere, portanto, aos judeus e aos cristãos, considerados crentes, a quem se deve respeitar. Leiam este trecho: "Se alguém matar outro por astúcia, tu o arrancarás até mesmo do meu altar, para que morra". Trecho do Corão? Não, trecho da Torá ou do Antigo Testamento (Exodo). E será que o Deus da Torá e do Antigo Testamento é um Deus que autoriza o homicídio e a vingança? Não, é apenas um trecho fora do contexto. O Deus é o mesmo na Torá, no Antigo Testamento ou no Corão: um Deus único, misericordioso e de amor.
Samir Kaliba
Rio de Janeiro, RJ

 

VEJA Especial Jovens

VEJA é ótima. Concordo que nós, jovens, somos a geração mais bem informada de todos os tempos. Afinal, também lemos VEJA.
Caroline Herta Buzzi, 14 anos
Massaranduba, SC

Além de nos dar informações semanais, VEJA desta vez se superou. O jogo VEJA da Verdade que vem anexado à Edição Especial desta semana é sensacional. A revista conseguiu fazer uma coisa rara em minha casa. Fez com que todos se sentassem juntos para discutir assuntos da atualidade. Parabéns e obrigado.
Tarcísio João dos Santos
tarcisio7562@bol.com.br
São José, SC

O jovem foi bem valorizado e respeitado no número anterior de VEJA, ganhando até uma edição especial. É ótimo falar dessa fase tão importante na vida de qualquer pessoa. Fase de muitas dúvidas, muitas descobertas, muitas alegrias e tristezas. Fase de descobrimento. Apesar de esta ser a geração mais bem informada de todos os tempos, vemos que ela está um pouco perdida. Não sabe o que fazer em diversas situações, como desilusões amorosas, surpresas nas amizades e muita, mas muita informação. Os mais confusos entram por vários caminhos, chegando ao famoso "mundo das drogas''. Um dos principais problemas entre os jovens de todo o mundo.
Bruno Ladorucki Meier, 14 anos
Joinville, SC
blmeier@bol.com.br

 

Gustavo Franco

Sabe-se que guerrilha e terror se combatem com assistência à população, programas de desenvolvimento social: educação, saneamento e infra-estrutura. Por favor, fale mais sobre a alternativa de os Estados Unidos "bombardearem" o Afeganistão com alimentos, infra-estrutura e educação, curando uma chaga de origem econômica, mais que ideológica, na face deste pequeno planeta. Parabéns pelo artigo. Insista no tema, por favor (Em foco, 26 de setembro).
Luiz Corrêa

fl.correa@uol.com.br

Gostaria de cumprimentar Gustavo Franco. Realmente uma injeção de capital nos países miseráveis, ou mesmo nos guetos miseráveis dos países emergentes, poderia, sim, alavancar a economia mundial, afastando-a da recessão. Além de provavelmente desestimular novos seguidores de causas terroristas.
Esmerino Ribeiro do Valle Neto
Belo Horizonte, MG

 

Claudio de Moura Castro

A respeito do artigo "Duelo de titãs" (Ponto de vista, 26 de setembro), na qualidade de secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, tenho a obrigação de esclarecer que nenhuma decisão sobre software foi tomada no MEC em razão da visita ao Brasil do senhor Steve Ballmer, da Microsoft; a recomendação do uso do sistema operacional Windows no Programa de Informatização do Ensino Médio feita pelo MEC à Anatel respeita o que decidiram unanimemente coordenadores estaduais de informática na educação e do ensino médio, nos termos da ata datada de abril do corrente, portanto muito anterior à visita do senhor Ballmer ao Brasil. Pesquisa da FGV (Administração de Recursos de Informática) desmente a afirmação de que o Linux já abocanhou 60% do mercado de servidores: o número correto nas empresas brasileiras anda em torno de 25% (Unix e família). No mundo dos alunos da rede pública, 97% dos computadores operam sob Windows.
Pedro Paulo Poppovic
Brasília, DF

 

Lobby aéreo

Lamento profundamente a inclusão gratuita de meu nome na matéria sobre uma suposta "bancada aérea" no Congresso. Não imaginava que o fato de ter sido amigo do saudoso comandante Rolim – que cita meu nome numa carta aos passageiros, por ocasião dos 25 anos da empresa, exatamente sobre amizades – me transformaria automaticamente em lobista da TAM, como levam a crer o texto e, sobretudo, a ilustração ("A força da bancada aérea", 12 de setembro).
Heráclito Fortes
Deputado Brasília, DF

 

Casa de shows

Na reportagem "Uma casa e tanto" (29 de agosto), a propósito do empreendimento Classic Hall, informo que as normas operacionais praticadas pelo BNDES nesta operação de crédito foram as mesmas que vêm sendo aplicadas pelo banco no decorrer de seus quase cinqüenta anos de atividades. O financiamento concedido, no valor de 2,5 milhões de reais, tem um custo calculado à base de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente de 9,5% ao ano, acrescida de 1% ao ano a título de spread básico e de 3% ao ano de taxa de risco cobrada pelo agente financeiro, o que soma 13,5% ao ano. É importante lembrar que, afora os empréstimos do BNDES, não existe mercado de crédito de longo prazo no Brasil, não havendo, portanto, como comparar as taxas de juros do BNDES com as do mercado.
Darlan Dórea
Diretor da área de crédito do BNDES
Rio de Janeiro, RJ

 

A ORIGEM DA NOSSA PINDAÍBA

Na reportagem "O poder da palavra" (29 de agosto), sobre a chegada do dicionário Houaiss às livrarias, VEJA publicou uma lista de termos que se tornaram verbetes desse e de outros dicionários. Nessa relação foi incluída a palavra pindaíba (estar na miséria), cuja origem, segundo VEJA, o Houaiss atribuiria ao dialeto africano quimbundo: mbinda (miséria) mais uaíba (feia). "Consultando o dicionário Aurélio, constatamos outra origem para a mesma palavra: do tupi pindá (anzol) mais iwa (vara). Quem está com a razão?", perguntou o leitor José Márcio Pupulim. Afonso Celso Monte Alegre vai além: "Silveira Bueno, comentando o termo pindaíba no Dicionário da Língua Tupi, de Gonçalves Dias, atribui sua origem a pindá ayba, que quer dizer anzol ruim com o qual o índio, que vivia de peixe, ficava na miséria. O Dicionário Etimológico, de Antônio Geraldo da Cunha, também registra a origem tupi da palavra: pi'ná (anzol) mais iua (haste). E descreve seu significado como planta da família das anonáceas. Qual seria a verdadeira origem da nossa pindaíba?". Os leitores têm razão em levantar a dúvida, mas o dicionário Houaiss contempla todas as observações feitas por eles. Registra a versão da origem indígena e a da origem africana da palavra. VEJA é que, por uma questão de espaço, destacou apenas a origem africana.



O NOVO RECORDE

Além de ter batido recordes anteriores de venda da revista em bancas, a cobertura dos atentados terroristas em Nova York e Washington foi o assunto que mais motivou cartas dos leitores na história de VEJA. Chegaram à redação 653 correspondências tratando do tema, superando a marca anterior, 625 cartas, que pertencia à reportagem de capa sobre o drama do cantor e compositor Cazuza em sua luta contra a Aids (26 de abril de 1989).

 

VOCÊ TIRARIA O CHAPÉU?


A reportagem "Raul Gil sabe que..." (26 de setembro) provocou uma enxurrada de cartas. Até quinta-feira da semana passada eram 296 cartas, fax e e-mails. "O Programa Raul Gil é o único a que posso assistir junto com minha filha de 11 anos e minha avó de 85", escreveu Elizabeth Machado, de São Paulo. Karla Cristina Betzel de Oliveira, de Vila Velha, Espírito Santo, acha que "os calouros não fazem papel de pateta, são pessoas que não tiveram a chance de ser filhos de cantores famosos". Lanna Maria Cruz de Azevedo, Natal, Rio Grande do Norte, aprecia o programa porque "pela primeira vez pude ver cantores líricos na televisão brasileira e descobrir que gosto desse estilo de música". O gaúcho Alexandre Cordeiro, de Porto Alegre, reclama do tratamento dado aos candidatos que participam do programa: "Fui humilhado como nunca, pateta é pouco", reclama da produção do programa. Achel Miranda, de Salvador, concordou com as críticas contidas na reportagem a respeito dos programas e figuras "que nada acrescentam, mas vivem sempre em evidência".

CORREÇÕES: Um dos pilares do islamismo é a peregrinação a Meca ao menos uma vez durante a vida, e não todo ano ("O mundo do Islã", 26 de setembro). A foto da batalha de Iwo Jima publicada na Carta ao leitor (19 de setembro) é da Associated Press (AP) e não da Gamma, como foi publicado.



 
 
   
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