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Medicina Traje motorizado devolve
os movimentos aos paraplégicos.
Vários laboratórios do mundo desenvolvem hoje equipamentos semelhantes ao ReWalk, chamados de exoesqueletos. A pesquisa em torno desses aparelhos ganhou força há uma década, impulsionada, sobretudo, por interesses militares. Tecnicamente, o exoesqueleto é um traje que proporciona aumento da capacidade física. Com ele, em teoria, seria possível compor um exército de supersoldados, capaz de carregar mais equipamentos e armamentos para o campo de batalha e de se deslocar com maior velocidade. A Darpa, agência de pesquisa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade da Califórnia, já investiu 50 milhões de dólares em projetos de exoesqueletos. O roteiro de ficção científica proporcionado por esses equipamentos no cenário militar, entretanto, perde importância quando comparado aos benefícios que eles podem trazer ao cotidiano dos paraplégicos. O uso de equipamentos como o ReWalk pode não apenas melhorar a qualidade de vida dos paraplégicos, mas também lhes assegurar mais saúde. Diz a fisioterapeuta Carla Mazzitelli, da Universidade de São Paulo: "Ao andar sobre os pés, o paciente combate a perda de massa óssea. Além disso, ao trocar passos, trabalha músculos que ficariam estáticos na cadeira de rodas. Isso favorece a circulação e evita problemas cardiovasculares". A possibilidade de se mover na vertical também previne problemas urinários, digestivos e respiratórios, característicos de quem passa muito tempo na cadeira de rodas. A medicina tem feito avanços significativos na reabilitação de pacientes com limitações motoras, principalmente no terreno das próteses para substituir membros perdidos. A grande conquista nessa área, nesta década, foram as próteses biônicas de mãos, dotadas de sensores, sistemas eletrônicos e minúsculos motores. Essas próteses permitem reproduzir os movimentos de um membro natural com enorme precisão. Uma delas foi implantada no ano passado no sargento americano Juan Arredondo, de 27 anos. Servindo no Iraque, ele perdeu a mão esquerda numa explosão durante uma patrulha. Desde então, lutou para curar as feridas físicas e a depressão. Há um ano, recebeu uma mão biônica, dotada de cinco motores que movem cada dedo individualmente. Os movimentos são controlados por sinais elétricos enviados pelos músculos do braço. Com a nova prótese, Arredondo pode girar maçanetas, digitar no teclado do computador e segurar uma bola de tênis para brincar com os filhos. "Acho que só estou vivo por causa da tecnologia", ele diz. Com o ReWalk, os paraplégicos podem se beneficiar de mudanças equivalentes em seu cotidiano.
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