Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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CINEMA


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Rufus Thomas: o melhor do soul


Only the Strong Survive
(estréia nesta sexta em São Paulo e no Rio de Janeiro) – O premiado documentarista D.A. Pennebaker registrou momentos antológicos da música pop – como um dos mais famosos festivais de rock dos anos 60, o Monterey Pop. Em Only the Strong Survive, Pennebaker e sua mulher e habitual parceira, Chris Hegedus, voltam suas lentes para a soul music. O enfoque é original: em vez de simplesmente narrar a história desse estilo musical que teve seu auge nos anos 60 e 70, o documentário focaliza dez feras do soul que continuam na ativa. Artistas do quilate de Isaac Hayes, Wilson Pickett e Rufus Thomas – que morreu logo depois das filmagens – surgem em cena para mostrar que o soul está mais vivo do que nunca.

 

LIVROS

 
Antonio Milena
Lygia: histórias fantásticas  

Páginas de Sombra (Casa da Palavra; 167 páginas; 28 reais) – A literatura fantástica, aquela que explora as fronteiras entre o real e o insólito, nunca foi uma vertente dominante na literatura brasileira. Apesar disso, os autores nacionais produziram algumas narrativas instigantes no gênero. Essa antologia é prova disso. Organizada por Braulio Tavares, ela reúne dezesseis contos produzidos entre o fim do século XIX e os anos 90. Inclui textos de especialistas dessa seara, como o mineiro Murilo Rubião, e também trabalhos de autores como Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles e Aluísio Azevedo, que ocasionalmente fizeram incursões nela. É curioso um conto pouco conhecido de Carlos Drummond de Andrade, no qual uma alma penada se comunica com o mundo dos vivos pelo telefone. Leia trecho do livro.

O Livro dos Peixes de William Gould, de Richard Flanagan (tradução de Paulo Henriques Britto; Companhia das Letras; 395 páginas; 44 reais) – Expoente da nova literatura australiana, Flanagan tornou-se conhecido fora dos limites de seu país graças ao sucesso de crítica desse seu terceiro romance. O Livro dos Peixes é ambientado na ilha da Tasmânia, onde nasceu o autor, e se baseia num personagem real. Trata-se de William Gould, prisioneiro de uma colônia penal que ocupava seu tempo produzindo desenhos dos peixes exóticos trazidos pela maré, que inundava sua cela todos os dias. A história de sua vida vem à tona numa narrativa cujo ponto de partida é a descoberta de seus desenhos por um antiquário.

 
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Margarida: liberal à portuguesa  

Não Há Coincidências, de Margarida Rebelo Pinto (Record; 286 páginas; 35 reais) – Margarida Rebelo Pinto é uma versão portuguesa da inglesa Helen Fielding, criadora da atrapalhada personagem Bridget Jones. Com histórias sobre as aventuras amorosas das mulheres na faixa dos 30 e tantos anos, já vendeu 500.000 livros, marca generosíssima para o mercado editorial de seu país. Vera, a protagonista de Não Há Coincidências, é uma personagem para lá de liberal. A moça se equilibra como pode entre três namorados circunstanciais, mas sua vida se complica quando arranja um quarto amante. Ao final, há um glossário que traduz para os brasileiros expressões lusitanas como "pipi" – que quer dizer mauricinho.

 

DISCOS

ReDiscovered, Vladimir Horowitz (BMG) – O ucraniano Vladimir Horowitz (1903-1989) foi a antítese musical do canadense Glenn Gould (1932-1982). Ambos estiveram entre os pianistas mais brilhantes do século XX, mas, enquanto Gould odiava se apresentar ao vivo, Horowitz se esbaldava à frente de uma platéia. Suas performances ao vivo, aliás, superavam os discos que ele fazia em estúdio. ReDiscovered é um exemplo disso. Gravado durante um recital no Carnegie Hall, em 1976, e nunca lançado anteriormente, contém interpretações memoráveis de repertório romântico. Seus registros da Valsa em Lá Menor Opus 34, de Chopin, e da Serenata, de Debussy, são os melhores do pianista para essas obras.

Radio JXL: a Broadcast from the Computer Hell Cabin, Junkie XL (Sum) – Autor da versão dançante da canção A Little Less Conversation que recolocou Elvis Presley nas paradas, o DJ holandês Tom Holkenborg – ou Junkie XL – esnobou uma oferta para fazer o mesmo com hits dos Beatles, a fim de se concentrar nesse seu terceiro disco. Radio JXL é uma reunião de artistas de diversas vertentes musicais, que cantam sobre as batidas criadas pelo DJ. Os melhores experimentos estão a cargo de Robert Smith, vocalista do Cure, que chega a lembrar os bons momentos de seu grupo na faixa Perfect Blue Sky, e do cantor de soul Solomon Burke, responsável por Catch up to My Step.

 

DVDs

Ênio e Beto: nostalgia infantil

Brincando com Ênio e Beto (ST2) – Quem tem mais de 30 anos certamente conhece Enio e Beto. A dupla de bonecos fazia parte do Vila Sésamo, infantil americano que a Rede Globo adaptou para os lares brasileiros na década de 70. Beto é o personagem de cabeça pontuda e ranzinza. Enio é o barrigudinho atrapalhado que tinha um patinho de borracha como melhor amigo. Esse DVD reúne oito aventuras da dupla, além de extras que apresentam os demais personagens de Vila Sésamo. Entre as histórias compiladas no lançamento, há aquela em que Beto e Enio visitam as pirâmides do Egito e outra na qual a dupla se vê às voltas com uma máquina que atira tortas.

CIC
A Vida de Brian: "Crucifixion? Good..."


A Vida de Brian
(Life of Brian, Inglaterra, 1979. Columbia) – As mulheres que põem barbas falsas para se fingir de homens e poder participar de um apedrejamento? O Sermão da Montanha em que ninguém entende patavina do que Jesus está dizendo? O número musical dos crucificados? É impossível escolher a melhor tirada dessa terceira incursão do grupo inglês Monty Python no cinema, que parodia o nascimento do cristianismo através de Brian, um coitado que passa a vida sendo confundido com o Messias. Mais: ainda que o humor aqui venha disfarçado de nonsense, seu poder de fogo é considerável. Depois de uma hora e meia, não há pilar da civilização ocidental que não tenha sido arrasado pelas investidas do Monty Python.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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