Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
Cara e ineficiente

VEJA publica nesta edição uma reportagem que analisa a deformação básica do Estado brasileiro, a de cobrar muito caro da sociedade em troca da oferta de serviços públicos de péssima qualidade. Na semana passada, um dos poucos centros de excelência médica pública no Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), parou em protesto contra o preenchimento político de cargos técnicos por parte do PT. Exemplos de injunções deletérias como essa são parte da história brasileira e, em graus variados, se fazem sentir em todo o país. Como se sabe, o governo absorve em impostos quase 40% de toda a riqueza produzida pelos brasileiros. Cada chefe de família trabalha quatro meses por ano apenas para satisfazer a voracidade tributária dos cofres públicos. Além disso, com uma dívida pública entre as maiores do mundo, o Estado brasileiro precisa de quase todo o crédito bancário disponível no país para rolar seus papéis. Sobram para a clientela dos bancos apenas 23% do total do dinheiro destinado a empréstimos no sistema financeiro. Essa é uma realidade conhecida. Com efeitos desastrosos sobre a vida econômica e social do país. A presente edição de VEJA é uma contribuição à tarefa indispensável de refletir sobre as entranhas dessa máquina cara e ineficiente.

Atacar as raízes dessa distorção deveria ser a prioridade dos governantes de todos os níveis, do presidente da República aos prefeitos. Sem que o Estado aprenda a fazer mais com menos recursos, sem que Brasília descubra meios de não onerar tanto os cidadãos e as empresas, o país continuará com uma economia de desempenho medíocre e vulnerável a choques. Não são mudanças fáceis. Levantamento recente da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, mostrou que nos últimos cinqüenta anos na maioria dos países os gastos governamentais cresceram sempre acima da variação do PIB. Muitos deles, porém, foram bem-sucedidos em gastar dinheiro público com mais justiça. A Inglaterra destina na forma de serviços aos cidadãos mais ricos apenas 1 de cada 12 libras que eles mesmos pagam de impostos. No Brasil, a situação é iníqua: os mais ricos recebem de volta em subsídios, serviços, isenções e gratuidades 1 de cada 2 reais pagos de imposto. Cedo ou tarde, o governo do PT terá de enfrentar o desafio de racionalizar as relações do Estado com a sociedade. Melhor começar cedo.

 
 
 
 
topo voltar