Edição 1916 . 3 de agosto de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
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VEJA Recomenda

CINEMA

Divulgação
O Castelo Animado: desenho com a marca do "Disney japonês"


O Castelo Animado
(Howl's Moving Castle,
Japão, 2004. Estréia nesta sexta-feira no país) – Sophie incorre na ira de uma feiticeira e, por isso, vai dos 17 aos 90 anos em uma noite. Após algum desespero, conclui que ser idosa é ainda mais difícil do que imaginava, mas aceita sua nova condição. Só esse dado já basta para indicar que, embora o diretor Hayao Miyazaki seja conhecido como "o Disney japonês", a alcunha tem a ver apenas com sua popularidade e a qualidade de sua animação, e não com sua visão de mundo. Sophie, na verdade, era uma velha no corpo de uma jovem: uma chapeleira viciada em trabalho e ignorante acerca das liberdades da juventude. Empregada como faxineira no castelo ambulante do jovem mago Howl, ela aprenderá a sentir de acordo com a idade que lhe caberia – e a moça que ela nunca havia sido vai começar a emergir e apagar suas rugas. Com seus enredos intricados e seus valores estranhos ao universo infantil ocidental, os filmes de Miyazaki podem ser uma experiência desconcertante para crianças e adultos. Mas hoje ele não tem rival na originalidade e na beleza do desenho, arrebatadora demais para caber em alguma descrição. Veja cenas.

 

DVD

AFP
Brinquedo Proibido: retrato da infância na II Guerra


Brinquedo Proibido
(Jeux Interdits,
França, 1952. Aurora) – Em 1940, durante uma fuga desesperada de Paris, os pais da pequena Paulette são abatidos pelo fogo nazista. Perdida no campo e ainda agarrada ao seu cão morto, a menina ganha abrigo numa fazenda. Lá, junto ao caçula da família e com um misto de fascínio e morbidez, ela continua seu aprendizado sobre a morte – o qual terminará por torná-la uma pária. Rodado em 1952, quando os órfãos de guerra europeus estavam chegando à adolescência ou à juventude, o filme reabre cicatrizes que nem haviam ainda se fechado. E, graças ao dom do diretor René Clément para lidar com a ambigüidade moral, sobrevive também como ensaio sobre um dos mistérios mais extremos da infância.

 

LIVROS

Eu S/A, de Max Barry (tradução de Alves Calado; Record; 352 páginas; 39,90 reais) – Em Eu S/A, o australiano Max Barry fala de um futuro próximo dominado pelas grandes empresas multinacionais. Mas nada aqui é para ser levado a sério: trata-se de uma sátira escrachada do mundo corporativo. Os despersonalizados funcionários das companhias são até obrigados a adotar marcas como sobrenome. É o caso de Hack Nike, ambicioso mas ingênuo vendedor da grande indústria de artigos esportivos. Para promover um novo e caríssimo tênis produzido pela Nike, Hack tem de participar de um plano de marketing muito agressivo, que envolve até o assassinato de jovens como peça publicitária. E é então que ele começa a ser investigado pela detetive Jeniffer Governo. Leia trecho.

A Fazenda Africana, de Karen Blixen (tradução de Claudio Marcondes; Cosac Naify; 448 páginas; 59 reais) – A dinamarquesa Karen Blixen (1885-1962) compôs a maior parte de sua obra em inglês, assinando com pseudônimos masculinos como Isak Dinesen. O autobiográfico Fazenda Africana narra os anos que a escritora passou no Quênia, de 1914 a 1931, à frente de uma fazenda de café. Karen atuou como uma espécie de antropóloga intuitiva, registrando os hábitos dos nativos africanos e dos colonizadores europeus e descrevendo as assombrosas paisagens da região. A nova tradução busca exprimir as particularidades "nórdicas" da prosa da autora, especialmente nos capítulos mais fragmentários em que ela reproduz anedotas locais e trechos de seu diário. Leia trecho.

Planos de Fuga e Outros Poemas, de Tarso de Melo (Cosac Naify; 88 páginas; 20 reais) – Um dos mais talentosos poetas da nova geração, Tarso de Melo desenvolveu uma sensibilidade aguda para as paisagens urbanas, que já figuravam na sua obra anterior, Carbono. Planos de Fuga, poema em prosa que abre esse seu terceiro livro, é uma descrição ao mesmo tempo minimalista e vigorosa do barulho e da desolação de uma grande cidade (talvez São Paulo, que é referida de passagem). Nos poemas que se seguem, Melo mostra seu apuro técnico no verso contorcido e cheio de arestas que marca seu estilo – mas também se aventura em tercetos mais expansivos, como no belo Crônica, e em homenagens a poetas como Carlos Drummond de Andrade. Leia trecho.

 

DISCOS

 
Divulgação
Kaiser Chiefs: rock com espírito de diversão  

Employment, Kaiser Chiefs (Universal) – Ao lado do Franz Ferdinand, esse quinteto da cidade de Leeds é uma das revelações do pop britânico atual. Mas, enquanto os integrantes da primeira banda fazem o tipo intelectual, os rapazes do Kaiser Chiefs apostam num rock'n'roll básico. O grupo recupera aquele espírito de diversão dos tempos do punk e bebe também do pop dos anos 60 – Caroline Yes, uma das músicas desse seu disco de estréia, faz até referência a uma canção dos Beach Boys no título. O cantor Rick Wilson tem um estilo vocal parecido com o de Damon Albarn, do Blur, mas suas letras são bem mais incisivas que as deste último. I Predict a Riot, faixa que despertou atenção para a banda, fala das tensões sociais numa metrópole inglesa.

 

Divulgação
Medeiros: instituição do samba  

Bem que Mereci, Elton Medeiros (Quelé) – O cantor e compositor de 75 anos é uma instituição do samba carioca. Sua discografia, no entanto, é enxuta: ele lançou apenas cinco discos-solo em cinqüenta anos de carreira. Bem que Mereci, sua produção mais recente, tem canções novas e raridades pinçadas do repertório dos grandes nomes do samba. Entre as músicas inéditas destaca-se a faixa-título, composta ao lado de Paulinho da Viola – de quem Medeiros foi parceiro de primeira hora, nos anos 60. Os sambas da antiga também são biscoito fino. Ele regravou Partiu, faixa de um disco raro de Cartola, além de Lavo Minhas Mãos, composição de Nelson Cavaquinho que havia muito tinha sido dada como perdida.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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