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Diogo
Mainardi
Quero derrubar Lula
"Todo mundo sabe que
a melhor receita para
o país é uma ampla reforma política.
Lula é o
maior obstáculo para que ela aconteça.
Se ele
for derrubado, tem reforma. Se não for, não
tem.
Lula, como sempre, é um fator de imobilismo
e atraso"
Eu quero derrubar Lula. Muita
gente teme o que pode vir depois dele. Nos últimos dias,
o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, se encontrou
com políticos de todos os partidos. Ele teme que o impeachment
de Lula acabe gerando um longo período de conflito social,
porque a popularidade do presidente continua alta. Se um presidente
conta com o apoio popular, segundo Jobim, ele está autorizado
até mesmo a corromper os membros do Congresso Nacional. Não
é exatamente o tipo de consideração plebiscitária
que poderíamos esperar da maior autoridade judicial do país.
Muita gente teme também
um golpe militar. É um temor alimentado pelo PT. O PT alardeia
que um impeachment de Lula pode resultar num golpe de Estado. É
mais uma empulhação petista. Em 1993, quando a eleição
de Lula era tida como certa, José Dirceu e José Genoíno
procuraram o general linha-dura Murillo Tavares da Silva. Na época,
o general Murillo garantiu que, se Lula fosse eleito, não
ocorreria um golpe militar. Nesta semana, ele voltou ao tema, num
artigo para o site Ternuma, que reúne alguns nostálgicos
da Revolução de 1964. No artigo, o general Murillo
afirmou que Lula é um "inepto", um "néscio", um "apedeuta",
"pródigo em dizer bobagens". Afirmou igualmente que Lula
é "de uma covardia ímpar", tendo descarregado sobre
seus subalternos toda a responsabilidade pela corrupção
no governo, cujo maior beneficiário sempre foi ele próprio.
Com um certo desalento, porém, o general Murillo foi obrigado
a repetir aquilo que, em 1993, disse a José Dirceu e José
Genoíno: não há o menor risco de que o impeachment
de Lula desencadeie um golpe militar, porque o único desejo
de nossos "temerários legionários", hoje em dia, é
conseguir "algumas migalhas dos línguas-presas".
O grande temor da oposição,
em caso de impeachment de Lula, é José Alencar. Aparentemente,
a oposição teme que, em seu curto mandato como presidente,
José Alencar reduza os juros, impulsione a economia, crie
10 milhões de empregos, abaixe os impostos e, ainda por cima,
mantenha a inflação sob controle, tornando-se um candidato
imbatível em 2006. Na verdade, José Alencar não
é um candidato imbatível nem mesmo para vereador em
Montes Claros. O grande temor da oposição é
outro: o de que ela só seja capaz de ganhar a próxima
eleição se concorrer sozinha.
Até agora nenhum parlamentar
defendeu abertamente o impeachment de Lula. Alguns chegaram perto:
"Não se pode descartar o impeachment", "As pessoas já
perguntam se o impeachment não seria a melhor solução
para a crise", "É delírio ou uma possibilidade falar
em impeachment?", "Não estou pedindo o impeachment, mas,
se a legalidade exigir, ele deve sair". Todo mundo sabe que a melhor
receita para o país é uma ampla reforma política.
Lula é o maior obstáculo para que ela aconteça.
Se ele for derrubado, tem reforma. Se não for, não
tem. Lula, como sempre, é um fator de imobilismo e atraso.
Seus partidários chantageiam o eleitorado com a ameaça
de que sua queda trará a "colombianização"
ou a "venezuelização" da sociedade. Mentira. Não
há o que temer. Pior do que está não pode ficar.
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