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Edição 1 758 - 3 de julho de 2002
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CINEMA

 
Divulgação
Spirit: animação tradicional e deslumbrante

Spirit – O Corcel Indomável (Spirit – Stallion of the Cimarron, Estados Unidos, 2002) – Primeiro, as más notícias: nos oitenta minutos do desenho animado Spirit, há nada menos do que meia dúzia de canções interpretadas por Bryan Adams (ou por Paulo Ricardo, na versão dublada). Mas acabam aí as contra-indicações da nova produção do estúdio DreamWorks, o mesmo de Shrek. O filme conta a história do desbravamento do Oeste americano do ponto de vista de um cavalo selvagem, que se vê afastado das pradarias e levado para um quartel, onde um coronel durão tenta domá-lo. Spirit recupera a liberdade, ao menos provisoriamente, na companhia do índio Pequeno Rio – tão ameaçado quanto ele pela chegada do homem branco. A animação, feita pelos métodos convencionais, é deslumbrante e beneficia-se de uma mãozinha dos artistas de computação gráfica na composição dos cenários e dos movimentos de câmera audaciosos. "Um dia, essas duas técnicas vão convergir. Enquanto isso, procuramos tirar o melhor partido do que cada uma tem a oferecer", disse a VEJA Jeffrey Katzenberg, que comanda as animações da DreamWorks. Assista ao trailer.

 

DISCOS

 
Divulgação
Cassandra: de volta às raízes do blues

Belly of the Sun, Cassandra Wilson (EMI) – Nascida no Mississippi, Estado americano onde surgiram o blues e outros gêneros de música negra, Cassandra Wilson volta às raízes em boa parte desse álbum. Belly of the Sun traz faixas de dois dos principais nomes do blues, Robert Johnson (Hot Tamales) e Mississippi Fred McDowell (You Gotta Move, eternizada pelos Rolling Stones). O entrosamento da banda que acompanha Cassandra é excelente, mas o trabalho do percussionista brasileiro Cyro Baptista se destaca. Ele põe molho nas duas melhores canções de jazz do CD, Waters of March (versão em inglês de Águas de Março, de Tom Jobim) e Only a Dream in Rio, muito melhor do que a gravação original, do cantor americano James Taylor.

Teu Nome, Pixinguinha, Marcelo Vianna (Biscoito Fino) – O cantor e instrumentista carioca homenageia o avô, Pixinguinha, fugindo à obviedade dos chamados "discos-tributo". Nove canções do disco são conhecidas, mas recebem arranjos criativos. Rosa, por exemplo, foi enriquecida pelo violoncelo de Jaques Morelenbaum e Carinhoso traz o violão elegante de Caio Cezar. Outras cinco composições são inéditas e foram pinçadas por Vianna do espólio de Pixinguinha, que ele detém. Teu Nome (com vocais da cantora Rita Ribeiro e solo de trombone de Vittor Santos), Samba de Gafieira e Meu Sabiá receberam letras de Paulo César Pinheiro. Bianca é uma valsa de 1946, cantada em espanhol, enquanto No Terreiro do Alibibi comprova a influência africana no trabalho de Pixinguinha.

 

LIVROS

Diário de um Velho Louco, de Junichiro Tanizaki (tradução de Leiko Gotoda; Estação Liberdade; 208 páginas; 28 reais) – Um dos principais nomes da literatura japonesa do século XX, Tanizaki fez de seus romances variações sobre um mesmo tema: a obsessão sexual. Daí vem o combustível de obras como Voragem, lançada no país no ano passado. Concluído pouco antes de sua morte, nos anos 60, Diário de um Velho Louco é tido como a mais perfeita cristalização de suas obsessões. Trata-se da história de um septuagenário cuja saúde está nas últimas, mas que nem por isso deixa de dar asas à libido. À base de presentes caros, o idoso tenta arrancar favores sexuais de sua nora. Na época em que terminou o livro, Tanizaki estava numa situação parecida com a do debilitado protagonista: aos 76 anos, vítima de um ataque cardíaco, ele vivia cercado de médicos. Leia trechos do livro.

A Igreja Católica, de Hans Küng (tradução de Adalgisa Campos da Silva; Objetiva; 264 páginas; 29,90 reais) – Essa história resumida dos 2.000 anos da Igreja Católica tem a grife de um dos maiores especialistas no assunto, o teólogo alemão Hans Küng. Longe de ser uma mera narrativa cronológica dos fatos, trata-se de ensaio. Prosador envolvente, Küng está preocupado em separar o que é verdade histórica daquilo que foi se estabelecendo como dogma ou mistificação ao longo dos séculos, seja em relação à trajetória dos apóstolos após a morte de Cristo ou à nada abonadora biografia de alguns papas da Idade Média, por exemplo.Intelectual de oposição a João Paulo II – por quem já foi censurado –, o teólogo também não poupa o atual pontífice de críticas nos capítulos finais do livro. Leia trechos do livro.

 

DVDs

Noites de Cabíria (Le Notti di Cabiria, Itália/França, 1957. Versátil) – O diretor italiano Federico Fellini costumava dizer que, de todos os personagens que criou – e haja tipos antológicos –, aquele que mais o perturbava era a prostituta Cabíria, protagonista desse clássico em preto-e-branco. Não é difícil entender por quê. Cabíria perambula pelas ruas de Roma em busca de clientela masculina – mas, em vez de malícia, o que tem a oferecer é pureza e doçura. Enquanto almeja a redenção pessoal, ela só amarga traições e golpes baixos dos homens. Esse foi o maior papel na carreira da atriz Giulietta Masina, mulher de Fellini e estrela de várias de suas produções. O DVD contém excelentes extras, como um documentário sobre o cineasta produzido pela televisão italiana e cenas dos bastidores de seus filmes mais famosos.

United Artists
Matar ou Morrer: simulação de tempo real


Matar ou Morrer
(High Noon, Estados Unidos, 1952. Em p&b. Continental) – "Não me deixe, minha querida, bem no dia de nosso casamento", lamenta a balada composta pelo grande Dimitri Tiomkin para servir de tema a esse faroeste espetacular. Às 10 e meia da manhã, o xerife Kane (Gary Cooper) está ao mesmo tempo se casando – com Grace Kelly – e se aposentando. Nesse momento, ele recebe a notícia de que um pistoleiro chegará à cidade ao meio-dia, com o objetivo expresso de matá-lo. Kane tem todas as desculpas para sair correndo, mas decide ficar. O filme do diretor Fred Zinnemann é até hoje o mais bem-sucedido experimento de simulação de tempo real – toda a ação transcorre nesse hora e meia – e conta com uma atuação definitiva de Cooper. Único senão do disco: as legendas são mal traduzidas.

Unplugged MTV & MTV Live, Live at Shepherds Bush Empire e Live at Cambridge, Björk (Universal) – A cantora islandesa faz shows impecáveis: rearranja suas canções, escolhe instrumentistas de primeira categoria e opta por cenários simples, a fim de que apenas a música fique no centro das atenções. Os DVDs exibem três momentos distintos da cantora. Unplugged MTV foi gravado em 1994, um ano depois do primeiro disco-solo de Björk, o eletrônico Debut. As canções são recriadas com arranjos que incluem tablas indianas e cravo – caso de Human Behavior. Live at Shepherds Bush foi gravado em 1997, com uma composição de banda inusitada: dois teclados, bateria e acordeom. O ponto alto de Live at Cambridge, de 1998, é a participação de um octeto de cordas que recria sucessos como Hunter.

   
 



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