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Crie
seu grupo

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A
coreógrafa que voa alto
Antes espinafrada pelos críticos, a
carioca Deborah Colker conquista
o mundo com seus shows de dança contemporânea
Lucila Soares
Marco A. Rezende
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Flavio Colker
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Deborah
e seu novo espetáculo, 4 por 4: movimentos frenéticos
entre
os vasos
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Veja também |
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No
início de junho, a carioca Deborah Colker passou a fazer parte
de um seletíssimo grupo no panorama da dança mundial. Com
mais onze coreógrafos e diretores, escolhidos em outros países,
ela decidirá a programação do Bite, o grande evento
de vanguarda que toma conta durante 22 semanas por ano do Barbican Centre,
em Londres, um dos teatros mais importantes da Europa. O convite consagra
o talento dessa loira espevitada de 40 anos, que usa de ironia para comentar
o feito. "É curioso. Aqui ninguém me chama para nada relacionado
à dança", diz Deborah, cujo novo trabalho, 4 por 4,
estréia no Rio de Janeiro na próxima quinta-feira e chega
a São Paulo no dia 10.
A queixa já foi mais justificada. Os primeiros espetáculos
de sua companhia conquistaram um público fiel, hipnotizado pela
ousadia de coreografias em que os bailarinos escalam paredes, equilibram-se
sobre estruturas móveis, atiram-se no vazio. Mas não mereceram
da academia nem sequer o reconhecimento na categoria dança
embora trilhassem o caminho aberto no pós-guerra por gente mais
que consagrada, como a coreógrafa alemã Pina Bausch. "Isso
é, no máximo, ginástica", dizia, por exemplo, Tatiana
Leskova, responsável pela formação de várias
gerações de bailarinas brasileiras. Hoje, a realidade é
outra. Madame Tatiana dá aulas aos bailarinos da companhia de Deborah
e desmancha-se em elogios. "Ela conseguiu juntar a academia e o público",
diz. As restrições do pessoal da tradição
foram postas de lado definitivamente no ano passado, quando Deborah arrebatou
o prêmio Laurence Olivier, uma espécie de Oscar europeu das
artes cênicas. Antes dela, foram agraciados coreógrafos como
o checo Jirí Kylián, que catapultou o Nederlands Dans Theater
ao olimpo da dança mundial, e o americano William Forsythe, diretor
do legendário Balé de Frankfurt.
É
uma conquista e tanto para uma companhia jovem, criada há apenas
oito anos, que só encontra paralelo no panorama da dança
brasileira no veteraníssimo Grupo Corpo na estrada há
quase trinta anos. Os bailarinos do grupo de Deborah têm origens
variadas. Um é ex-dançarino de rua, outro um russo que fugiu
do caos em que se afundou seu país depois do fim da União
Soviética e chegou a trabalhar como entregador de pizza em São
Paulo. Há também gente que trocou com alegria uma promissora
carreira clássica pelas travessuras coreográficas da companhia
de Deborah. Esse grupo, de dezessete bailarinos, tem carteira assinada,
plano de saúde e um salário fixo de 2.000 reais por mês
mais que o pago, por exemplo, pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Eles contam, ainda, com participação na bilheteria.
Fotos Flavio Colker
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Encenações
ousadas da coreógrafa: tinha gente que torcia o nariz, por
achar que parecia ginástica
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Todos
enfrentam uma rotina estafante. São pelo menos sete horas de ensaios
por dia, comandados com mão de ferro por Deborah, que não
admite atrasos. Nem poderia. Só à custa de muita disciplina
ela consegue conciliar a agenda de ensaios e espetáculos com a
vida familiar. É mãe de dois filhos, Clara (18 anos) e Miguel
(15), e dona de cinco cachorros. O trabalho é duro, mas o desavisado
que cruzar com a trupe durante uma excursão pode achar que caiu
no set de um filme do tipo Priscilla A Rainha do Deserto,
tamanha a bagunça que impera entre os bailarinos. É uma
alegria que se reflete no palco. "Ela faz a dança voltar a ser
diversão", registrou o crítico da revista inglesa Time
Out.
A companhia já percorreu milhares de quilômetros de ônibus
pelo interior do país e perdeu a conta das milhas que voou. Seus
cinco espetáculos foram assistidos por um público superior
a 500.000 pessoas e arrancaram elogios rasgados nos onze países
em que foram encenados. Em 4 por 4, Deborah incorporou à
dança o mundo das artes plásticas. Como em geral ocorre
em seus trabalhos, o público é mantido com a respiração
tensa em alguns números. Um dos melhores é Vasos,
no qual a trupe desliza em meio a dezenas de recipientes que podem se
quebrar a qualquer momento. Por essas e outras, Deborah já não
se espanta com o elogio que escuta com mais freqüência: "Gostei
muito do seu show". É que é show mesmo. Mas de dança.
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