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Na floresta dos macacos
Pesquisadores
descobrem duas
novas espécies de primata em
regiões isoladas da Amazônia
Natasha Madov
Fotos AP
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C.
stephennashi (à
esq.) e C. bernhardi: do tamanho de um gato doméstico
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A descoberta
de uma nova espécie de mamífero, um animal superior, é
considerada uma proeza no mundo científico. Sobretudo quando se
trata de um primata, nosso parente mais próximo na árvore
da evolução. Na semana passada foi anunciada a identificação
de duas novas espécies de macaco na Amazônia. São
dois animaizinhos do tamanho de um gato doméstico e pertencem a
um gênero maior, conhecido popularmente por sauá. O Brasil
passa agora a ter 95 espécies de primata, muito mais que qualquer
outro país, quase um terço do total existente no planeta.
A descoberta é indício de que deve haver na Floresta Amazônica
outros animais ainda desconhecidos da ciência. "Mostra como sabemos
pouco sobre a biodiversidade, especialmente na floresta tropical", diz
Marc van Roosmalen, primatologista do Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia (Inpa), responsável, juntamente com seu filho,
Tomas, pela descoberta.
Roosmalen
chamou os macaquinhos de Callicebus bernhardi (em homenagem ao
príncipe Bernhard, da Holanda, um ambientalista) e de Callicebus
stephennashi, nome de um colaborador da Conservation International,
uma ONG ambientalista. Os sauás vivem em pequenos grupos familiares
na Amazônia e na Mata Atlântica. São 28 espécies,
que diferem entre si principalmente pela cor e pelo padrão do pêlo.
O C. bernhardi chama a atenção pelos tufos alaranjados
que emolduram seu focinho. No C. stephennashi os pêlos são
mais escuros. Dois exemplares vivos e um esqueleto da primeira espécie
foram encontrados durante expedições perto do Rio Madeira,
na Amazônia Central, entre 1996 e 1998. Só depois que morreram
naturalmente, no ano passado, Roosmalen pôde realizar a autópsia
e a análise genética que comprovaram tratar-se de uma nova
espécie. Já os C. stephennashi foram entregues ao
pesquisador por pescadores que os encontraram às margens do Rio
Purus, na mesma região, em 2000.
"Não
sigo a regra usual que manda matar o animal no ambiente selvagem. Prefiro
aguardar que ele morra naturalmente", diz Roosmalen, que já identificou
outras três espécies. "Por isso demoro tanto a descrever
espécies novas. Devo ter mais quinze de macacos e grandes mamíferos
esperando ser identificadas. Chegaremos logo a uma centena de animais."
Uma explicação para a diversidade de primatas no Brasil
são as particularidades geográficas da Bacia do Rio Amazonas.
Os rios caudalosos funcionam como barreiras naturais que confinam os animais
em determinadas regiões. Isolados, eles evoluem de maneira diferente
e geram espécies com características únicas. A pequena
presença humana em vastas áreas da floresta ajuda na preservação.
Estima-se que existam na Amazônia entre 3.000
e 5.000 espécies de peixe, das quais
só 2.000 foram descritas por cientistas.
Praticamente se descobre um novo inseto por dia. Numa região tão
ampla, só se pode imaginar quantos animais e plantas esperam por
um nome em latim.
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