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Extravagância
à moda inglesa
Sob a
capa moderna, tradições
predominam
na Inglaterra
Ruth de Aquino,
de Londres
Fotos AP

Caça
à raposa: como acabar com um negócio de 400 milhões
de dólares? |
Numa Copa
mundial de exotismo, a Inglaterra teria garantido a vaga na final. Só
nessa ilha chuvosa um roqueiro como Mick Jagger, o bad boy dos
Rolling Stones que já usou drogas pesadas como lembrou um
escandalizado internauta no site de debates da BBC e produziu sete
filhos com quatro mulheres, recebe o título de "sir". A honra de
se tornar cavaleiro foi concedida em 14 de junho, véspera do aniversário
oficial de Elizabeth II. Na verdade, ela nasceu em 21 de abril de 1926,
mas, por causa da meteorologia, a data oficial é festejada num
sábado de junho (chove menos, é mais quentinho). Neste ano,
caiu em 15 de junho, e a lista de novos "cavaleiros" é sempre revelada
no dia anterior. Aos 58 anos, sir Mick contou a novidade por telefone
primeiro para o pai, depois para a favorita entre as ex-mulheres, Jerry
Hall. O filho de 4 anos, Gabriel, disse aos colegas que o pai passará
a vestir armadura. O governo trabalhista está planejando acabar
com essa história de aniversário fictício da rainha,
que não tem nada a ver com o conceito de Inglaterra moderna no
qual o primeiro-ministro, Tony Blair, investe tanto esforço.
Outro assunto
que derruba a fleuma inglesa é a caça à raposa com
cães. Os Lordes (uma espécie de Câmara Alta, que não
chega a ser um Senado) são tradicionalmente a favor do esporte.
Os Comuns (uma espécie de Câmara dos Deputados) lutam há
anos para proibi-lo, sob o argumento de crueldade, e já têm
a simpatia da rainha. Tony Blair jogou todo o seu peso político
a favor das raposas, mas não consegue dar um tiro certeiro nos
interesses poderosos e na tradição arraigada do countryside
(o campo), onde muitas regiões vivem do esporte, algumas desde
o século XVII. Estima-se que quase 400 milhões de dólares
sejam gastos por ano nessas caçadas. Também está
em jogo o destino de centenas de milhares de cães treinados para
perseguir raposas que ficariam sem trabalho. Há alianças
e disputas de bastidores. A última votação foi em
março. Mas o desfecho foi adiado.
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| Quanto
mais esquisito, melhor: os coloridos chapéus são obrigatórios no campeonato
hípico de Ascot |
A dificuldade
é mexer com a tradição num país em que ela
é tudo, por mais cômico que pareça aos olhos estrangeiros.
Os chapéus em Ascot, o hipódromo perto de Londres que pertence
à família real, por exemplo. O dia mais badalado de corrida
foi na sexta-feira 21. Compareceu Elizabeth II com o marido, este usando
cartola. O chapéu é obrigatório para as mulheres,
quanto mais extravagante, melhor. O estilista de chapéus mais importante
da Inglaterra, Philip Treacy, fez 200 peças para o evento, ao custo
médio de 1.000 dólares cada um.
É um acontecimento de verão. Na semana passada, a temperatura
subiu. Nas plataformas do metrô, um cartaz eletrônico alarmava
passageiros: "Alerta de calor! Temperatura pode chegar a 27 graus!" So
English...
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