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Olé
nos Estados Unidos
A
Espanha já é
o segundo maior
destino
turístico do mundo, atrás
apenas da França
Camila
Antunes
Carlos Goldgrub

Casa
Milà, cartão-postal de Barcelona: marketing agressivo para atrair
visitantes |
Os
atentados terroristas às torres gêmeas do World Trade Center
representaram um duro golpe para o turismo internacional. Segundo um relatório
divulgado recentemente pela Organização Mundial do Turismo,
pela primeira vez em vinte anos caiu o número de pessoas que viajam
pelo mundo. Os Estados Unidos sofreram a pior queda. O país recebeu
no ano passado 5,4 milhões de turistas a menos que em 2000. Itália,
Reino Unido, Alemanha e México também contabilizaram resultados
negativos. Apesar do cenário nebuloso, alguns países conseguiram
driblar a crise. É o caso da Espanha, da França e da China.
A França manteve-se no topo dos destinos mais procurados e ainda
registrou pequeno crescimento no fluxo de turistas. Recém-saída
da clausura, a China está conseguindo atrair uma legião
de novos visitantes. A grande surpresa foi a Espanha, que recebeu no ano
passado 1,6 milhão de turistas a mais que em 2000. Com isso, o
país ultrapassou os EUA e se tornou o segundo mais visitado do
mundo, atrás apenas da França.
Os espanhóis lançaram uma agressiva campanha de marketing
nos países que mais enviam turistas aos Estados Unidos. A lógica
era que, temerosos de visitar Nova York ou qualquer outra cidade americana,
os turistas teriam de escolher outro lugar. No Brasil, sétimo país
que mais manda turistas aos EUA, foram realizados festivais gastronômicos,
exposições de arte e shows de dança flamenca para
divulgar a cultura espanhola. Neste ano, a Espanha também comemora
os 150 anos de nascimento de Antonio Gaudí, o genial arquiteto
que ergueu os principais símbolos de Barcelona. Para festejar a
data, foram programadas mostras que têm sua obra como tema central.
Outra tática adotada pelos espanhóis foi aumentar o número
de bolsas de estudo para alunos interessados em passar uma temporada em
cidades como Barcelona ou Madri. Como resultado, 49,5 milhões de
pessoas foram à Espanha no ano passado, um crescimento de 3,4%
em relação ao ano anterior.
Enquanto os espanhóis comemoram os resultados positivos, nos Estados
Unidos a situação continua preocupante. A decisão
do governo americano de reduzir de seis meses para trinta dias o tempo
máximo de permanência de visitantes está causando
sérios transtornos à Flórida. Em Miami, metade deles
são estrangeiros. Muitos são os chamados turistas de temporada,
pessoas que passam a primavera e o verão na cidade. Com as novas
regras de imigração, esse tipo de turismo tende a desaparecer.
Uma comissão formada por autoridades locais foi criada para tentar
convencer o presidente George W. Bush a voltar atrás na lei que
reduziu o período de permanência. Enquanto isso não
acontece, a Flórida coleciona prejuízos. No fim do ano passado,
após os atentados terroristas, o movimento de turistas em Miami
despencou 70%. Mais de 90.000 trabalhadores ligados à indústria
do turismo foram demitidos. A Disney, que possui quatro parques temáticos
na Flórida, dispensou 4.000 empregados para compensar a perda de
3,2 milhões de visitantes no ano passado.
O Brasil também sofreu com a queda do turismo internacional. Em
2001 houve redução de mais de 10% no total de visitantes
estrangeiros. Além da diminuição do número
de turistas dos EUA, o Brasil sentiu o impacto da crise argentina. "A
única chance de revertermos a perda de 1,2 milhão de argentinos
que deixaram de passar as férias no Brasil é trazer os europeus",
diz Luiz Otávio Paiva, presidente da Embratur. Para isso, a entidade
planeja lançar em agosto uma campanha publicitária que será
exibida em cinemas, televisões e revistas da Europa. O objetivo
da campanha, que irá destacar as belezas naturais do Brasil, é
convencer os europeus a visitar o país no próximo verão.
| O
EFEITO DOS ATENTADOS |
|
O
quadro mostra o que aconteceu com o turismo mundial após
os ataques terroristas às torres do World Trade Center
| Onde
aumentou o número de turistas estrangeiros |
Espanha
França
China |
| |
| Onde
diminuiu o número de turistas estrangeiros |
Estados
Unidos
Reino Unido
Itália |
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