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Edição 1 758 - 3 de julho de 2002
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Olé nos Estados Unidos

A Espanha já é o segundo maior
destino turístico do mundo, atrás
apenas da França

Camila Antunes

 
Carlos Goldgrub

Casa Milà, cartão-postal de Barcelona: marketing agressivo para atrair visitantes

Os atentados terroristas às torres gêmeas do World Trade Center representaram um duro golpe para o turismo internacional. Segundo um relatório divulgado recentemente pela Organização Mundial do Turismo, pela primeira vez em vinte anos caiu o número de pessoas que viajam pelo mundo. Os Estados Unidos sofreram a pior queda. O país recebeu no ano passado 5,4 milhões de turistas a menos que em 2000. Itália, Reino Unido, Alemanha e México também contabilizaram resultados negativos. Apesar do cenário nebuloso, alguns países conseguiram driblar a crise. É o caso da Espanha, da França e da China. A França manteve-se no topo dos destinos mais procurados e ainda registrou pequeno crescimento no fluxo de turistas. Recém-saída da clausura, a China está conseguindo atrair uma legião de novos visitantes. A grande surpresa foi a Espanha, que recebeu no ano passado 1,6 milhão de turistas a mais que em 2000. Com isso, o país ultrapassou os EUA e se tornou o segundo mais visitado do mundo, atrás apenas da França.

Os espanhóis lançaram uma agressiva campanha de marketing nos países que mais enviam turistas aos Estados Unidos. A lógica era que, temerosos de visitar Nova York ou qualquer outra cidade americana, os turistas teriam de escolher outro lugar. No Brasil, sétimo país que mais manda turistas aos EUA, foram realizados festivais gastronômicos, exposições de arte e shows de dança flamenca para divulgar a cultura espanhola. Neste ano, a Espanha também comemora os 150 anos de nascimento de Antonio Gaudí, o genial arquiteto que ergueu os principais símbolos de Barcelona. Para festejar a data, foram programadas mostras que têm sua obra como tema central. Outra tática adotada pelos espanhóis foi aumentar o número de bolsas de estudo para alunos interessados em passar uma temporada em cidades como Barcelona ou Madri. Como resultado, 49,5 milhões de pessoas foram à Espanha no ano passado, um crescimento de 3,4% em relação ao ano anterior.

Enquanto os espanhóis comemoram os resultados positivos, nos Estados Unidos a situação continua preocupante. A decisão do governo americano de reduzir de seis meses para trinta dias o tempo máximo de permanência de visitantes está causando sérios transtornos à Flórida. Em Miami, metade deles são estrangeiros. Muitos são os chamados turistas de temporada, pessoas que passam a primavera e o verão na cidade. Com as novas regras de imigração, esse tipo de turismo tende a desaparecer. Uma comissão formada por autoridades locais foi criada para tentar convencer o presidente George W. Bush a voltar atrás na lei que reduziu o período de permanência. Enquanto isso não acontece, a Flórida coleciona prejuízos. No fim do ano passado, após os atentados terroristas, o movimento de turistas em Miami despencou 70%. Mais de 90.000 trabalhadores ligados à indústria do turismo foram demitidos. A Disney, que possui quatro parques temáticos na Flórida, dispensou 4.000 empregados para compensar a perda de 3,2 milhões de visitantes no ano passado.

O Brasil também sofreu com a queda do turismo internacional. Em 2001 houve redução de mais de 10% no total de visitantes estrangeiros. Além da diminuição do número de turistas dos EUA, o Brasil sentiu o impacto da crise argentina. "A única chance de revertermos a perda de 1,2 milhão de argentinos que deixaram de passar as férias no Brasil é trazer os europeus", diz Luiz Otávio Paiva, presidente da Embratur. Para isso, a entidade planeja lançar em agosto uma campanha publicitária que será exibida em cinemas, televisões e revistas da Europa. O objetivo da campanha, que irá destacar as belezas naturais do Brasil, é convencer os europeus a visitar o país no próximo verão.

 
O EFEITO DOS ATENTADOS

O quadro mostra o que aconteceu com o turismo mundial após os ataques terroristas às torres do World Trade Center

Onde aumentou o número de turistas estrangeiros
Espanha
França
China
 
Onde diminuiu o número de turistas estrangeiros
Estados Unidos
Reino Unido
Itália

 

   
 
   
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