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O crime também
aumentou lá
Depois
de nove anos de queda,
índices de criminalidade sobem
nos Estados Unidos
Como se a
preocupação com atentados terroristas não bastasse,
os americanos têm agora de tomar mais cuidado por causa da ação
de bandidos comuns. Os índices de criminalidade nos Estados Unidos
subiram em 2001, depois de nove anos de declínio contínuo.
De acordo com um relatório preliminar do FBI, a polícia
federal americana, divulgado na semana passada, o número de delitos
graves categoria que engloba assalto a mão armada, estupro,
agressão, roubo de carro, além de homicídio
cresceu 2% em 2001. A reviravolta não causaria tanta preocupação
não estivessem os americanos acostumados a boas notícias
no que diz respeito ao controle da criminalidade. Nos anos 90, graças
à estratégia de repressão adotada nas principais
cidades, as estatísticas foram empurradas para baixo. Desta vez,
as notícias são quase todas ruins. Os casos de homicídio
subiram 3,1% em 2001 em relação ao ano anterior. Não
foram maiores porque o FBI decidiu não incluir na contabilidade
as mortes causadas pelos atentados terroristas de 11 de setembro. Se fossem
computadas, o crescimento teria sido de 26%.
A tendência
é de alta nos índices de criminalidade na maioria das grandes
cidades. Em Boston, o número de homicídios deu um espantoso
salto de 67%. A quantidade de assassinatos também aumentou um pouco
em Chicago, Los Angeles, Atlanta, Houston e Saint Louis. Mas continua
declinante em Nova York, a cidade que se tornou símbolo do sucesso
da filosofia conhecida como "Tolerância Zero". Significa em tese
que as autoridades não devem admitir nenhum delito, seja qual for,
e que os criminosos devem ir para a cadeia. Como toda tendência
social, não há explicação única para
a reversão nos índices de criminalidade. A causa parece
estar em uma série de fatores. "A grande queda na criminalidade
nos anos 90 terminou com a década", diz James Alan Fox, professor
de criminalística na Universidade Northeastern, de Boston. "O novo
milênio trouxe uma nova realidade."
Depois da
maior expansão de sua história, registrada na década
de 90, a economia americana abrandou o passo em 2001, ano em que o PIB
cresceu apenas 1,2%. Crescimento menor é sinônimo de menos
oportunidades de emprego. Parte do aumento da criminalidade é causada
por gente que estava presa e foi solta. Nos anos 80, as estatísticas
subiram à estratosfera por causa da violência gerada pelo
tráfico de crack. Muitos marginais condenados naquela época,
estão agora deixando a cadeia. Só em 2001, o número
de libertos ultrapassou 600.000. Uma parcela
desse contingente voltou ao crime. Outra preocupação da
polícia é o aumento da quantidade de adolescentes, a faixa
etária mais propensa ao crime. A crise na área da segurança
chega num momento difícil. A polícia está sob pressão
para cortar custos em função da queda na arrecadação
de impostos, uma das conseqüências da pasmaceira econômica.
O FBI passa por uma reformulação para priorizar o combate
a ataques terroristas em detrimento de investigações sobre
o tráfico de drogas e o crime organizado. A política de
tolerância zero provou ser uma arma preciosa contra o crime. Para
manter a ordem, os americanos precisam de novas estratégias.
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O
número de crimes graves aumentou 2% nos Estados Unidos em
2001 em relação ao ano anterior
Os
casos de homicídio cresceram 3,1%
O
número de assaltos foi 3,9% maior
Os
arrombamentos cresceram 2,6%
O
roubo de carros aumentou 6%
Se
as mortes causadas pelos ataques terroristas de 11 de setembro tivessem
sido computadas, o aumento na taxa de homicídios seria de
26%
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