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Edição 1 758 - 3 de julho de 2002
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O crime também
aumentou

Depois de nove anos de queda,
índices de criminalidade sobem
nos Estados Unidos

Como se a preocupação com atentados terroristas não bastasse, os americanos têm agora de tomar mais cuidado por causa da ação de bandidos comuns. Os índices de criminalidade nos Estados Unidos subiram em 2001, depois de nove anos de declínio contínuo. De acordo com um relatório preliminar do FBI, a polícia federal americana, divulgado na semana passada, o número de delitos graves – categoria que engloba assalto a mão armada, estupro, agressão, roubo de carro, além de homicídio – cresceu 2% em 2001. A reviravolta não causaria tanta preocupação não estivessem os americanos acostumados a boas notícias no que diz respeito ao controle da criminalidade. Nos anos 90, graças à estratégia de repressão adotada nas principais cidades, as estatísticas foram empurradas para baixo. Desta vez, as notícias são quase todas ruins. Os casos de homicídio subiram 3,1% em 2001 em relação ao ano anterior. Não foram maiores porque o FBI decidiu não incluir na contabilidade as mortes causadas pelos atentados terroristas de 11 de setembro. Se fossem computadas, o crescimento teria sido de 26%.

A tendência é de alta nos índices de criminalidade na maioria das grandes cidades. Em Boston, o número de homicídios deu um espantoso salto de 67%. A quantidade de assassinatos também aumentou um pouco em Chicago, Los Angeles, Atlanta, Houston e Saint Louis. Mas continua declinante em Nova York, a cidade que se tornou símbolo do sucesso da filosofia conhecida como "Tolerância Zero". Significa em tese que as autoridades não devem admitir nenhum delito, seja qual for, e que os criminosos devem ir para a cadeia. Como toda tendência social, não há explicação única para a reversão nos índices de criminalidade. A causa parece estar em uma série de fatores. "A grande queda na criminalidade nos anos 90 terminou com a década", diz James Alan Fox, professor de criminalística na Universidade Northeastern, de Boston. "O novo milênio trouxe uma nova realidade."

Depois da maior expansão de sua história, registrada na década de 90, a economia americana abrandou o passo em 2001, ano em que o PIB cresceu apenas 1,2%. Crescimento menor é sinônimo de menos oportunidades de emprego. Parte do aumento da criminalidade é causada por gente que estava presa e foi solta. Nos anos 80, as estatísticas subiram à estratosfera por causa da violência gerada pelo tráfico de crack. Muitos marginais condenados naquela época, estão agora deixando a cadeia. Só em 2001, o número de libertos ultrapassou 600.000. Uma parcela desse contingente voltou ao crime. Outra preocupação da polícia é o aumento da quantidade de adolescentes, a faixa etária mais propensa ao crime. A crise na área da segurança chega num momento difícil. A polícia está sob pressão para cortar custos em função da queda na arrecadação de impostos, uma das conseqüências da pasmaceira econômica. O FBI passa por uma reformulação para priorizar o combate a ataques terroristas em detrimento de investigações sobre o tráfico de drogas e o crime organizado. A política de tolerância zero provou ser uma arma preciosa contra o crime. Para manter a ordem, os americanos precisam de novas estratégias.

 

O número de crimes graves aumentou 2% nos Estados Unidos em 2001 em relação ao ano anterior

Os casos de homicídio cresceram 3,1%

O número de assaltos foi 3,9% maior

Os arrombamentos cresceram 2,6%

O roubo de carros aumentou 6%

Se as mortes causadas pelos ataques terroristas de 11 de setembro tivessem sido computadas, o aumento na taxa de homicídios seria de 26%

 

 
 
   
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