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22
milhões
de reais
até agora
Surgem
novos contratos suspeitos e a
situação fica mais complicada para o PT
Celso Junior/AE
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Beto Barata
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| Ronan:
enriquecimento rápido e contratos milionários nas prefeituras
petistas |
João
Paulo Cunha e Suplicy: cobrando mais transparência dos companheiros
de partido |
Apareceram
duas novidades na investigação do esquema de cobrança
de propina na administração petista da cidade de Santo André.
A primeira diz respeito a sua capilaridade. No curso da investigação,
o Ministério Público estadual descobriu que o esquema montado
não se restringe a Santo André, mas transborda para outras
prefeituras todas do PT. As mesmas empresas que se beneficiam de
contratos irregulares na região do ABC paulista mantêm negócios
nebulosos em seis prefeituras administradas pelo partido. O dono de uma
delas assessora o principal secretário da prefeita de São
Paulo, Marta Suplicy, e tem contratos de pelo menos 7 milhões de
reais com as prefeituras de Santo André e Belém, também
governada pelo PT. A segunda descoberta feita pelos promotores refere-se
ao tamanho do desvio. Um levantamento preliminar aponta para a existência
de 22 milhões de reais em contratos assinados sem licitação
com as várias prefeituras petistas. Eles beneficiam companhias
cujos proprietários mantêm fortes laços de amizade
com dirigentes do partido.
Os promotores
investigam ainda uma possível conexão nacional do dinheiro,
apontada pelo médico José Francisco Daniel. Ele é
irmão do prefeito petista Celso Daniel, assassinado em janeiro
depois de ser seqüestrado. De acordo com José Francisco, parte
do dinheiro da propina pode ter ido parar nas mãos de José
Dirceu, presidente nacional do partido. Os promotores começaram
a compreender como funciona a rede de empresas que participam de esquemas
suspeitos em prefeituras do PT. Tome-se o caso da advogada Rosana Glória
de Senna, que chefiou o setor de licitações de uma secretaria
da prefeitura de Santo André. Sob seu comando, uma companhia chamada
Rodvias ganhou contratos sem licitação na prefeitura. A
Rodvias é uma das principais empresas investigadas no esquema de
propina e tem negócios com várias administrações
petistas. Um de seus sócios, Ricardo Pereira da Silva, ocupou vários
postos importantes em administrações do PT e hoje trabalha
para o secretário de governo da prefeitura de São Paulo,
Rui Falcão. Depois que encerrou o trabalho em Santo André,
a advogada Rosana foi contratada para chefiar o departamento de compras
da Companhia de Engenharia de Tráfego da cidade de São Paulo.
Dias depois, foi nomeada para presidir a comissão que faz as licitações
da empresa. Na semana passada, com o vazamento das denúncias, ela
pediu afastamento do cargo.
Outra companhia
chama a atenção dos promotores. É a Rotedali, de
Ronan Maria Pinto. Ele é sócio do melhor amigo do ex-prefeito
Celso Daniel, Sérgio Gomes, que estava dirigindo o carro quando
o prefeito foi seqüestrado. Ronan possui mais de cinqüenta empresas
em seu nome e sócios em paraísos fiscais. Ele tem contratos
com pelo menos seis administrações petistas. Os desvios
de verba pública em Santo André vêm sendo investigados
há muitos meses, e os promotores conseguiram reunir documentos
e depoimentos importantes. Um empresário de ônibus local,
Luiz Alberto Gabrilli, afirmou ter pago 40.000
reais por mês de propina a pessoas ligadas ao PT. A Câmara
Municipal de Santo André aprovou uma CPI para investigar o caso.
Na semana passada, Gabrilli confirmou as denúncias aos vereadores,
e o irmão de Celso Daniel, também chamado a depor, repetiu
as acusações contra José Dirceu.
Há
duas investigações em curso envolvendo o PT, e é
prudente separá-las bem para não confundir as coisas. Uma
é essa, da propina. Ela se refere à ação de
uma quadrilha de funcionários públicos, todos ligados ao
PT e a Celso Daniel. Eram funcionários da administração
de Celso Daniel ou amigos do falecido prefeito e achacavam empresários
em Santo André. Eles enriqueciam pessoalmente e, além disso,
mantinham um caixa dois que, segundo a denúncia de João
Francisco Daniel, financiava campanhas petistas. O caso é investigado
pelo Ministério Público estadual. Em virtude das descobertas,
os promotores reiteraram o pedido de prisão de seis acusados no
esquema de propina no ABC. Um primeiro pedido foi negado pela Justiça.
Há
ainda um segundo caso, surgido no curso da investigação
da morte do prefeito de Santo André, assassinado em janeiro, depois
de ser seqüestrado. O resultado dessa investigação,
conduzida pela polícia paulista, terminou com o desmantelamento
de uma quadrilha de marginais. Na semana passada, o PT deu entrevistas
que promoviam confusão entre os dois casos. Motivo: dirigentes
do partido descobriram que agentes da Polícia Federal grampearam
alguns líderes petistas durante a investigação do
assassinato. O grampo aconteceu e é irregular. Quando vão
escutar um telefone, os policiais precisam de autorização
judicial. Para obtê-la, devem redigir um pedido informando o motivo
da investigação. No documento entregue ao juiz, nada se
diz a respeito da morte do prefeito. Informa-se que os números
telefônicos devem ser monitorados no curso de uma investigação
sobre narcotráfico, o que não faz o menor sentido. O propinoduto
e o grampo não têm relação entre si, mas as
duas denúncias precisam ser esclarecidas.
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A
PF E O GRAMPO NO PT
Ed Ferreira/AE
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| O
chefe dos promotores Marrey e Brindeiro: ilegalidades |
Na
semana passada, após a divulgação do esquema
de propina na prefeitura de Santo André, o PT afirmou que
líderes do partido na cidade estavam sendo grampeados pela
Polícia Federal. Os caciques petistas falaram em golpe político
para prejudicar a candidatura presidencial de Lula. Segundo o ministro
da Justiça, Miguel Reale, o "objetivo da acusação
do PT é desviar a atenção dos escândalos
em Santo André". Sabem-se três coisas sobre o grampo.
A primeira é que ele realmente foi feito e capturou os telefones
de várias pessoas do partido. A segunda é que a investigação
do esquema da propina em Santo André não tem nenhuma
relação com o grampo. A terceira é que a polícia
não usou o expediente de praxe para pedir as gravações.
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, foi contundente:
"A PF agiu de forma ilegal".
Os
policiais são obrigados a informar quem desejam grampear,
justamente para impedir que um policial mal-intencionado grampeie
inocentes. Precisam ainda avisar que a investigação
está em curso. Nada disso foi feito. Os policiais disseram
ao juiz que investigavam pessoas ligadas ao narcotráfico.
O porta-voz deu uma estranha explicação para a desastrosa
operação. Garantiu que a PF não sabia de quem
eram os números, que tinha apenas uma lista misteriosa feita
por um informante anônimo e que recebera a indicação
de que os telefones seriam de pessoas ligadas ao assassinato do
prefeito Celso Daniel. Como a Polícia Federal estava trabalhando
no caso, um delegado achou que a quebra do sigilo da lista misteriosa
poderia ajudar. Eis uma história mal contada, que precisa
ser esclarecida.
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