Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 758 - 3 de julho de 2002
Brasil Sucessão

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
 

O que o eleitor deve cobrar do futuro presidente
O que dizem as pesquisas eleitorais
As investigações sobre a propina no PT

Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Tudo sugere
o terceiro confronto

Apesar do salto de Ciro, o
eleitorado tende a se dividir
entre PT e PSDB – de novo

Maurício Lima

Lula Marques/Folha Imagem
Ciro Gomes, em alta: ele ganhou mais de 300 000 votos por dia no último mês


Veja também
Nesta edição
"Para o Brasil não sair
dos trilhos"
Notícias diárias sobre
as eleições 2002

Desde que se criou o instituto do segundo turno, em 1989, qualquer eleição no Brasil provoca sempre uma curiosidade: haverá polarização entre dois candidatos no primeiro turno ou apenas no segundo? Em 1989, três candidatos tinham chances reais de chegar ao segundo turno. Nas eleições seguintes, de 1994 e 1998, Fernando Henrique encerrou a disputa já na primeira rodada. Desta vez, há sinais de que o pleito será polarizado entre o petista Luís Inácio Lula da Silva e o tucano José Serra. Em pesquisa do Instituto Vox Populi, divulgada na semana passada, Lula aparece com 38%. Caiu 2 pontos, mas continua com uma liderança folgada. Serra vem em segundo lugar, com 21%. Subiu 1 ponto e parece consolidar-se como alternativa ao petista. A certeza de um terceiro embate consecutivo entre candidatos do PT e do PSDB, que se enfrentaram em 1994 e 1998, só não está cristalizada por causa de um dado novo apontado pelas pesquisas da semana passada. Saindo de uma longa letargia, Ciro Gomes, do PPS, deu seu primeiro salto desde que a disputa ganhou força. Subiu 7 pontos, chegou a 16% das intenções de voto e tirou o terceiro lugar de Anthony Garotinho, do PSB.

A subida de Ciro Gomes, que capturou mais de 300.000 votos por dia, representa uma ameaça ainda tímida à polarização. Ciro está se beneficiando das aparições no programa de televisão da tróica de partidos que o apóia, repetindo o mesmo desempenho positivo de todos os outros candidatos quando fizeram suas estréias na TV. O programa de Ciro Gomes não tem a qualidade técnica dos comerciais de Lula e Serra, mas contou com uma presença que fez diferença: a atriz Patrícia Pillar, namorada do candidato. Com sua estampa simpática, bonita e familiar ao grande público, a atriz apareceu no vídeo falando em nome de Ciro. Foi uma forma de contornar um impedimento do candidato de aparecer nos programas dos partidos aliados, PDT e PTB, antes do início oficial do horário eleitoral gratuito, que começa em agosto. Se conquistar 200.000 votos por dia até a eleição, Ciro tirará o passaporte para disputar o segundo turno com Lula, mas as projeções estatísticas indicam que o adversário mais provável do petista é mesmo José Serra.

 
Beto Barata/AE
Garotinho, em baixa: mal nas pesquisas e sem o cobiçado apoio dos evangélicos

Os estatísticos prevêem que a identificação do tucano como candidato do governo poderá lhe render mais 5 a 10 pontos porcentuais – o que alçaria Serra a um patamar entre 25% e 30% da preferência do eleitorado. Isso porque, de cada dez pessoas que aprovam o governo de Fernando Henrique, três dizem hoje que pretendem votar em Lula. Como, em tese, esse voto não faz sentido, estima-se que parte desses eleitores pode migrar para a candidatura do PSDB quando ficar mais claro para os menos informados que o candidato de FHC é Serra. Lula não tem a mesma perspectiva. De cada vinte eleitores que reprovam o governo, apenas um diz que votará em Serra – a grande maioria já está com o petista. Mesmo que consiga atrair esses votos, Lula crescerá pouco, entre 2 e 4 pontos porcentuais. Mas nem precisa disso. Atualmente, suas chances de estar no segundo turno são de quase 100%, devido a seu alto índice de votação espontânea – 27%, o mais robusto de todos. "O cruzamento desses dados leva à conclusão de que dificilmente Serra e Lula não se encontrarão no segundo turno", interpreta a socióloga Fátima Pacheco Jordão.

Além das pesquisas, há outros fatores que reforçam as chances da polarização PT-PSDB. Serra e Lula detêm o maior naco de tempo no horário eleitoral, embora o tucano tenha a fatia do leão – quase um terço do tempo total. Ambos também contam com estruturas partidárias fortes e organizadas, ao contrário de Ciro e Garotinho. A principal razão para o favoritismo do tucano e do petista, no entanto, está nas alianças partidárias de cada um. O PSDB conseguiu oficializar uma potente coligação com o PMDB e, ao contrário das previsões anteriores, que diziam que Ciro teria o apoio de dezesseis diretórios do PFL, é Serra quem abocanhou a maior fatia da legenda. Já tem tapete vermelho em quinze diretórios do PFL e pode aumentar esse número ainda mais. No PPB, outro partido que decidiu não fazer coalizão formal, a aceitação a Serra já se estendeu a dezenove diretórios estaduais e tem chances de chegar a 23. "Falaram muito, mas estamos quase com a mesma aliança que elegeu Fernando Henrique", diz Jutahy Júnior, líder do PSDB na Câmara dos Deputados.

Contabilizado o saldo final das composições partidárias, Lula também se saiu bem. Além do acordo oficial com o PL, formalizado na semana passada com uma aprovação expressiva dentro do partido, o PT tentará atrair setores importantes de outras legendas, ainda que sem aliança formal. No momento, o maior alvo do bote petista é o PSB de Anthony Garotinho. Evangélico, do tipo que gosta de fazer campanha em cultos de Bíblia na mão, Garotinho esperava contar com o apoio da bancada evangélica do PL, que controla quase 400 rádios em todo o país. Com o casamento PT-PL, Garotinho ficou só. E ainda amarga uma trajetória descendente nas pesquisas, que o derrubou para o quarto lugar. Hoje, os três senadores do PSB querem apoiar Lula, a maioria dos dezessete deputados também, assim como 60% dos diretórios regionais do partido. Até o prazo final para a inscrição das chapas, em 5 de julho, o PT torce pela desistência de Garotinho, embora isso seja improvável. Na semana passada, num sinal de que pretende manter sua candidatura, Garotinho finalmente conseguiu, depois de várias tentativas frustradas, emplacar um candidato a vice. É o deputado José Almeida, do PSB do Maranhão.

Na convenção que formalizou a tão desejada aliança com o PL, Lula aproveitou para divulgar a "Carta ao Povo Brasileiro" – que bem poderia chamar-se "Carta ao Mercado Financeiro", tão óbvio era seu destinatário. Em pouco mais de três páginas, o petista comprometeu-se a pagar corretamente as dívidas interna e externa, sem rompimento de nenhum contrato, garantiu que manterá as metas de superávit primário nos níveis atuais e que continuará com a política de controle sobre a inflação. A intenção de Lula foi evitar que a fogueira do mercado venha a incinerar sua própria candidatura – e seu discurso foi um sinal de realismo e amadurecimento, tanto do candidato quanto do próprio PT. Lula declarou aquilo que deveria ser óbvio em qualquer país no século XXI. Afirmou, preto no branco, que, mesmo sob o comando de um partido à esquerda, o Brasil não vai abandonar sua plataforma de estabilidade econômica. O fato é que o mercado exigia essa definição. O PT adiou, mas acabou cedendo diante da convulsão que nas últimas semanas vem elevando o dólar e o risco Brasil. O discurso do petista arrancou elogios do presidente Fernando Henrique e do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Até do FMI veio uma mensagem de aprovação. O porta-voz da entidade, Thomas Dawson, leu uma carta em que o Fundo, sem citar o nome de Lula, festeja as manifestações de apoio à política econômica pela classe política.

O único setor em que o discurso de Lula não teve o menor efeito foi no próprio mercado financeiro. Na semana passada, sem nenhuma conexão com o que Lula disse ou deixou de dizer, o dólar subiu e o mercado continuou em polvorosa. Entre os analistas financeiros, a explicação para esse fato é a má imagem que o petista tem no mercado. Ali, os maiores argumentos contra Lula são o plebiscito contra o pagamento da dívida externa há dois anos, de que o PT foi um dos organizadores, e a oposição da bancada petista à Lei de Responsabilidade Fiscal. São atitudes que acabam se sobrepondo a discursos. "O discurso de Lula ainda não dissipou as ambigüidades do partido", diz o ex-ministro Mailson da Nóbrega.

 

 

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS