Televisão
A GUERRA DO SEXO
A
Record cortou cenas sensuais de Poder Paralelo. O autor
e o elenco
se irritaram e a novela ficou ainda mais picante

Marcelo Marthe
Fotos divulgação TV Record/Randy
Faris/Latinstock  |
LIBIDO SOLTA Personagens
de Poder Paralelo: a manteiga como afrodisíaco |
Nos bastidores
da novela Poder Paralelo, da Record, desenrola-se uma inusitada "guerra
do sexo". De um lado está o autor Lauro César Muniz, apoiado
pelo diretor Ignácio Coqueiro e pelo elenco. De outro, os bispos que dirigem
a emissora, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. Sob a justificativa
de que a história é "adulta", Muniz carregou na pimenta.
A cúpula da Record reeditou capítulos à revelia do noveleiro,
para extirpar cenas de nudez e falas de conteúdo sexual explícito.
Recentemente, Muniz irritou-se com o corte de uma sequência em que o delegado
Téo (Tuca Andrada) fazia comentários sobre a calcinha da namorada.
O caldo entornou de vez há dez dias, quando a atriz Paloma Duarte abandonou
a gravação porque fora suprimida uma cena com insinuações
de lesbianismo. Diante da revolta dos artistas, chegou-se a um meio-termo: a cena
foi gravada com menos cortes do que a emissora gostaria. Deverá ir ao ar
nesta segunda-feira.
Na
cúpula da Record, há uma certa divisão entre bispos pudicos
e liberais. Tudo indica, porém, que na decisão de tesourar cenas
ousadas o que prevaleceu não foram considerações teológicas,
mas razões comerciais (nas quais as duas facções concordam).
Os bispos temem que o sexo afugente os espectadores, supostamente de perfil conservador,
das classes C, D e E, seu público-alvo. A maneira como a direção
da emissora promoveu os cortes foi desastrada. Tudo foi feito à revelia
do núcleo criativo da novela, que agora incorporou um espírito de
desforra: o sexo está mais presente do que nunca, ainda que apenas à
contraluz. Mas também não há por que tachar os bispos de
censores neste episódio. Os pedaços ceifados não fazem falta
à narrativa. O espectador foi poupado de frases como "a gente está
no cio", digna de uma canção de Wando. E, mesmo com os cortes,
ainda vão ao ar diálogos como o que se viu na última terça-feira:
numa alusão à cena famosa do filme Último Tango em Paris,
um personagem sugeriu à sua patroa o uso de manteiga numa relação
sexual. Precisa mais?
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