Edição 1954 . 3 de maio de 2006

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DVDs

Serenity (Estados Unidos, 2005. Universal) – Um crítico americano ponderou, com propriedade, que essa fantasia é tudo aquilo que Star Wars queria ser e não foi. Ainda assim, o filme dirigido por Joss Whedon, criador da série Buffy – A Caça-Vampiros, empacou na bilheteria, e por isso chega aqui direto em DVD. Serenity é a nave pirata do capitão Mal (Nathan Fillion), um sujeito duro na queda que se vê inadvertidamente envolvido na defesa de uma jovem (Summer Glau) com extraordinárias habilidades psíquicas. Como sempre no gênero, há aqui uma aliança interplanetária com intenções duvidosas e uma catástrofe provocada pelos abusos da espécie humana. Mas, se os efeitos especiais são mais low-tech que os de George Lucas, o elenco é bem melhor e a sátira política, muito mais eficiente.

Divulgação
A Dama e o Vagabundo: um desenho dos bons tempos da Disney


A Dama e o Vagabundo
(Lady and the Tramp,
Estados Unidos, 1955. Buena Vista) – Bons tempos aqueles em que os animadores da Disney eram capazes de lances inigualáveis de criatividade, como a antológica cena em que a cocker spaniel Dama e o vira-lata Vagabundo jantam à luz de velas e, romanticamente, dividem o mesmo fio de espaguete. Realizado no ocaso da primeira era de ouro do estúdio (uma segunda se seguiria, no período de A Bela e a Fera e O Rei Leão), o desenho se esquiva com muita graça de algumas das questões mais realistas impostas pelo enredo – por exemplo, de onde vêm os filhotes do casal –, e volta aqui restaurado em toda a beleza de seu technicolor original. Entre os extras que complementam essa edição de aniversário, um jogo simpático ajuda a criançada a descobrir qual a sua mascote ideal.

 

LIVROS

Gênio Obsessivo, de Barbara Goldsmith (tradução de Ivo Korytowski; Companhia das Letras; 224 páginas; 36,50 reais) – Vencedora de dois prêmios Nobel, em 1903 e 1911, a cientista franco-polonesa Marie Curie (1867-1934) é considerada uma heroína tanto da ciência quanto da emancipação feminina – e com justiça. Foi a primeira mulher a ocupar uma cátedra de ciências na Universidade Sorbonne, em Paris, e suas pesquisas em radioatividade (que acabaram causando sua morte) são pioneiras. A biografia breve da historiadora americana Barbara Goldsmith traça um retrato íntimo de Marie. Einstein certa vez disse que ela era "muito inteligente, mas fria como um arenque". De fato, a obstinação aparece como o principal traço de caráter dessa pesquisadora, que praticamente vivia em seu laboratório. Leia trecho.

De Veludo Cotelê e Jeans, de David Sedaris (tradução de Sergio Flaksman; Companhia das Letras; 248 páginas; 40 reais) – O humorista David Sedaris fez fama nos Estados Unidos com uma série de programas de rádio. Neles, Sedaris narrava suas desventuras como elfo numa promoção de Natal da loja Macy's. Desde então, tornou-se uma celebridade radiofônica e colaborador freqüente de revistas como Esquire e The New Yorker. De Veludo Cotelê e Jeans reúne crônicas autobiográficas em que o autor revisita todos os papelões por que passou na infância e na adolescência. Sua família, de origem grega, é vista de uma perspectiva ao mesmo tempo afetuosa e cáustica. Sedaris tem lá seu parentesco com Woody Allen: faz humor a partir da própria humilhação. Leia trecho.

Cocaína, de vários autores (Casa da Palavra; 152 páginas; 34,90 reais) – A despeito do que o título possa sugerir, esse livro não faz a defesa – nem a crítica – das drogas. É uma coletânea de textos do fim do século XIX e início do XX sobre os então chamados "vícios elegantes": cocaína, morfina e ópio. Organizada pela professora de literatura Beatriz Resende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, traz crônicas, poemas e excertos de romances de figuras como Olavo Bilac, João do Rio, Lima Barreto e Manuel Bandeira – e de autores populares à época mas hoje esquecidos, como Benjamin Constallat. Alguns alertam contra os perigos dos narcóticos, enquanto outros exaltam as suas delícias. É um curioso painel de um período em que a cocaína era vendida em farmácias – e recomendada até para crianças. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Tim Mosenfelder/Getty Images
Dresden Dolls: cabaré com rock  

Dresden Dolls (Sum) – Formado pela cantora e pianista Amanda Palmer e pelo baterista Brian Viglione, o Dresden Dolls é uma espécie de cruzamento entre a diva alemã Marlene Dietrich (1901-1992) e a roqueira trash Courtney Love. Explicando melhor: Amanda e Viglione são aficionados da cultura alemã dos anos 30 e 40. Vestem-se como artistas de cabaré e homenageiam com seu nome Dresden, cidade alemã que foi duramente bombardeada no fim da II Guerra. Mas compõem em inglês, encorpam a sonoridade do piano e da bateria com muita guitarra e utilizam vocais vigorosos. Lançado no exterior em 2004, esse Dresden Dolls é o disco de estréia do duo e foi definido pela crítica como um "cabaré rock" – casamento muito bem exemplificado por canções como Girl Anachronism e Gravity.

3121, Prince (Universal) – Há dois anos, Prince fez as pazes com o sucesso. Depois de colecionar esquisitices no decorrer da década passada – ele trocou o nome por um símbolo e tatuou-se com a palavra "escravo", para protestar contra sua gravadora –, ele lançou Musicology. O disco rendeu uma de suas turnês mais lucrativas e devolveu o cantor e multiinstrumentista ao primeiro time da música americana. 3121, seu mais recente trabalho, demonstra que Prince está disposto a manter-se nesse caminho. O disco reúne as principais qualidades do artista: as baladas românticas, o funk calcado na sonoridade de James Brown (uma de suas principais influências) e letras de apelo erótico. Prince também comete ousadias como Black Sweat e Lolita, duas faixas em que combina funk e batidas eletrônicas.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.

 

 
 
 
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