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Internet
Emergência nacional
Bomba na rede: de repente,
sem aviso, bisbilhoteiros do
Orkut perdem o anonimato

Laura Ming
Como
sabem muito bem os viciados do ramo, um dos maiores prazeres de
participar do Orkut, o site de relacionamento número 1 do
país, é poder bisbilhotar a vida alheia sem que o
objeto de curiosidade perceba. Rememorando, para os não-orkutificados:
basta ser convidada por um "sócio" para qualquer pessoa criar
seu cantinho na comunidade. Uma vez instalada, pode singrar tranqüilamente
o mar de informações contidas nas páginas dos
demais integrantes – o rapaz com uma paixão secreta, a menina
que rompeu com o namorado e nunca mais quer vê-lo pela frente
mas todo dia examina sua página (e a da nova namorada também)
ou a mãe que, ao ver a filha de pretendente novo, põe-se
a investigar a família inteira dele. Num ambiente assim movimentado,
pode-se imaginar o estado de comoção nacional desencadeado
no último dia 21, quando de uma hora para outra, sem avisar
ninguém, o Orkut – braço do gigante Google – pôs
à disposição dos usuários um "visualizador
de perfil" que identifica, com nome e sobrenome, as cinco últimas
pessoas a circular em cada página da comunidade, um similar
do Bina dos telefones. "Quando soube, fiquei desesperada, comecei
a tremer", conta Renata, 24 anos, que, como todos os demais envolvidos
em operações constrangedoras, prefere não dar
o sobrenome. "Tinha passado o dia anterior examinando o perfil das
minhas inimigas. Saber que eu perco meu tempo com a vida delas é
mostrar que eu me importo." Para contrabalançar, teve o gostinho
de flagrar ex-namorados de amigas suas bisbilhotando sua página
– indício de que continuavam interessados na vida das meninas.
Não houve, por parte do Orkut, nenhuma justificativa
para a novidade. Um comunicado simplesmente informou que o visualizador
existe, identifica os cinco últimos visitantes de cada página
no dia anterior e informa o total de visitas naquele dia, na semana
e no mês. Num primeiro momento, usuários afrontados
foram à luta tal qual ela é travada no Orkut. Em questão
de dias, passavam de 100 as comunidades do tipo "Eu odeio o visualizador
de perfis". Em seguida, o criativo pessoal tratou de arranjar formas
de retornar à clandestinidade. Uma delas, fácil e
óbvia, é desativar o visualizador e voltar a ser como
antes, possibilidade explicitada no comunicado do Orkut. Vantagem:
ninguém vai saber que o sem-visualizador andou por sua página.
Desvantagem: ele tampouco saberá quem o visitou – e depois
de pegar esse gostinho é triste abrir mão dele. A
saída para muitos foi criar um pseudoperfil, de uma pessoa
que não existe e não tem amigos reais – assim, pode
passear por páginas alheias sem se importar se é ou
não identificada. O passo seguinte dessa turma foi montar
uma espécie de confraria, a "Precisa-se de 5 fakes". Se um
deles entra numa página e só depois se lembra do execrado
visualizador, pede ajuda e um quinteto com identidade falsa entra
na mesma página, apagando o nome do incauto. Seja o recurso
desativado, sejam as páginas inundadas por fakes, o resultado
final deve ser o mesmo: todo mundo continuará sem saber quem
andou bisbilhotando sua página. A partir de agora, porém,
todos terão mais cuidado, precavendo-se contra novas surpresas.
"Passei a selecionar as páginas antes de entrar", diz Ana,
30 anos, às voltas com o desafio de administrar quatro perfis:
o dela, o fake, o do cachorro e o do marido.
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