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Carta ao leitor
Um avanço institucional
Joedson Alves/AE
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| O caseiro Francenildo depõe na CPI:
uma liminar o impediu de continuar falando aos parlamentares
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Os escândalos protagonizados
pela "organização criminosa instalada no governo",
conforme a memorável descrição do procurador-geral
da República, Antonio Fernando de Souza, expuseram uma fragilidade
do sistema político brasileiro: a possibilidade de o Poder
Judiciário interferir indevidamente nos procedimentos do
Poder Legislativo, por força de decisão individual
de um único juiz do Supremo Tribunal Federal (STF). Os casos
mais recentes desse tipo de interferência foram a liminar
que suspendeu o depoimento do caseiro Francenildo Costa à
CPI dos Bingos e a que evitou a quebra, pela mesma comissão
parlamentar, dos sigilos fiscal, bancário e telefônico
de Paulo Okamotto, suspeito de ser "tesoureiro" do presidente Lula.
Para eliminar tal possibilidade, a Comissão de Constituição
e Justiça do Senado aprovou na semana passada um projeto
de lei, redigido pelo senador José Jorge, do PFL, que impede
a concessão de liminares por somente um ministro do STF contra
atos do próprio tribunal, do presidente da República,
da Câmara, do Senado e de suas respectivas comissões.
De acordo com o projeto de lei, para essas situações
as liminares do STF deverão ser expedidas com a aprovação
do plenário do Supremo, composto de onze juízes.
Pelo trâmite normal, o projeto
deverá seguir para a Câmara, sem necessidade de passar
pela aprovação do plenário do Senado. Mas os
petistas já se mexem para abortá-lo antes disso. É
compreensível, sem ser aceitável, visto que o partido
tem se beneficiado da atuação individual de juízes
do STF para tentar deter o curso das investigações
de suas malfeitorias. Se for transformada em lei, a iniciativa,
que conta com a simpatia da maioria dos integrantes do Supremo,
representará um avanço institucional. Ela garantirá
maior independência entre os poderes sobre os quais se assenta
a democracia – um regime, não esqueçamos, em que as
conveniências individuais jamais podem estar acima dos interesses
da sociedade.
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