Edição 1 647 -3/5/2000

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Irmãs chororô

Um drama lacrimejante sem um átomo de sinceridade

Não existe nenhum segmento de público tão mal atendido por Hollywood quanto o das mulheres, principalmente as maduras. Com as exceções de praxe, os filmes dedicados a elas vivem de explorar as vicissitudes do cotidiano feminino de forma apelativa. Um bom exemplo é Linhas Cruzadas (Hanging Up, Estados Unidos, 2000), que estréia nesta sexta-feira. Quem dirige é a atriz Diane Keaton, que também atua na fita. Mas isso não importa. Esse drama cômico é mais um produto com a grife das irmãs roteiristas e produtoras Nora e Delia Ephron, de Sintonia de Amor e Mensagem para Você. Nora e Delia são duas burocratas das câmaras. Volta e meia recorrem ao truque de pegar episódios de sua própria vida e reformatá-los em roteiros. É uma fórmula desonesta, porque leva ao choro fácil, e sem um pingo de criatividade. É assim que funciona Linhas Cruzadas. Meg Ryan, Lisa Kudrow e Diane interpretam irmãs cujo pai (Walter Matthau) está senil e à morte. A intenção seria discutir os conflitos surgidos de tal situação. O objetivo real é ganhar uns trocados colocando a mulherada para chorar com cenas que elas habitualmente enfrentam na vida real. A dureza que é cuidar de parentes idosos, os contratempos do casamento, a preocupação com os filhos, está tudo lá. Ou parece estar, já que nenhum átomo de sinceridade cruza a tela. Se há uma lição que se pode tirar do filme, é que ele não vale as lágrimas que porventura venha a arrancar.