Irmãs chororô
Um drama lacrimejante sem um átomo
de sinceridade
Não existe nenhum segmento de público tão
mal atendido por Hollywood quanto o das mulheres, principalmente
as maduras. Com as exceções de praxe, os filmes
dedicados a elas vivem de explorar as vicissitudes do cotidiano
feminino de forma apelativa. Um bom exemplo é Linhas
Cruzadas (Hanging Up, Estados Unidos, 2000),
que estréia nesta sexta-feira. Quem dirige é
a atriz Diane Keaton, que também atua na fita. Mas
isso não importa. Esse drama cômico é
mais um produto com a grife das irmãs roteiristas
e produtoras Nora e Delia Ephron, de Sintonia de Amor
e Mensagem para Você. Nora e Delia são
duas burocratas das câmaras. Volta e meia recorrem
ao truque de pegar episódios de sua própria
vida e reformatá-los em roteiros. É uma fórmula
desonesta, porque leva ao choro fácil, e sem um pingo
de criatividade. É assim que funciona Linhas Cruzadas.
Meg Ryan, Lisa Kudrow e Diane interpretam irmãs cujo
pai (Walter Matthau) está senil e à morte.
A intenção seria discutir os conflitos surgidos
de tal situação. O objetivo real é
ganhar uns trocados colocando a mulherada para chorar com
cenas que elas habitualmente enfrentam na vida real. A dureza
que é cuidar de parentes idosos, os contratempos
do casamento, a preocupação com os filhos,
está tudo lá. Ou parece estar, já que
nenhum átomo de sinceridade cruza a tela. Se há
uma lição que se pode tirar do filme, é
que ele não vale as lágrimas que porventura
venha a arrancar.