Financiamento
Dinheiro miúdo
Crédito
fácil para pequenos empreendedores faz sucesso
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Lumiar
Conceição:
de empregada a dona de
restaurante |
A pernambucana Maria
da Conceição Silva vive na periferia de Olinda.
Trabalhou quarenta de seus 60 anos de idade como empregada
doméstica. Nunca foi à escola. Seis anos atrás
ela começou a vender salgadinhos no muro de casa.
Hoje tem um pequeno restaurante, que fatura 6.000 reais
por mês e emprega seis pessoas. Comprou casa, telefone
e, em breve, pretende investir num carro. "Sou uma pessoa
realizada", diz. Como ela conseguiu dar esse salto? Com
um tipo de empréstimo que surgiu no Brasil há
pouco tempo e que tem mostrado bons resultados. Com o apoio
do BNDES, o banco federal encarregado de promover o desenvolvimento
econômico e social do país, algumas ONGs e
prefeituras estão concedendo pequenos empréstimos
a juros baixos em média, de 1.200 reais cada
um para gente que não tem conta em banco e
jamais conseguiria crédito num balcão regular,
mas que tem vontade e competência para montar um negócio
próprio. No ano passado, em todo o país, foram
emprestados 74 milhões de reais em cerca de 70.000
operações de crédito. Com esse dinheiro,
abriram-se mais de 60.000 postos de trabalho. "O microcrédito
é uma forma sustentável de combate à
pobreza, porque gera renda e emprego", diz o economista
Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.
A idéia de proporcionar
crédito a pessoas com pouco ou nenhum dinheiro, porém
com muito desejo de trabalhar, nasceu em Bangladesh, país
vizinho à Índia, onde a pobreza e o desemprego
campeiam. Lá, os empréstimos são oferecidos
desde o final da década de 70 para 2 milhões
de trabalhadores rurais. No Brasil, a experiência
pioneira é gaúcha. Em treze anos, o Centro
de Apoio aos Pequenos Empreendimentos do Estado do Rio Grande
do Sul atende a vinte cidades. No Rio de Janeiro, com dois
anos de vida, o RioCred tem 3.000 clientes ativos. O financiamento
de microempresários é interessante para os
empreendedores (cozinheiras, marceneiros, costureiras) e
para as instituições financeiras. A inadimplência,
nos empréstimos-formiga, é em média
de 3,7%, menos da metade do que se verifica nas operações
bancárias normais.
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