Edição 1 647 -3/5/2000

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Financiamento

Dinheiro miúdo

Crédito fácil para pequenos empreendedores faz sucesso

 

Lumiar Conceição: de empregada a dona de
restaurante

A pernambucana Maria da Conceição Silva vive na periferia de Olinda. Trabalhou quarenta de seus 60 anos de idade como empregada doméstica. Nunca foi à escola. Seis anos atrás ela começou a vender salgadinhos no muro de casa. Hoje tem um pequeno restaurante, que fatura 6.000 reais por mês e emprega seis pessoas. Comprou casa, telefone e, em breve, pretende investir num carro. "Sou uma pessoa realizada", diz. Como ela conseguiu dar esse salto? Com um tipo de empréstimo que surgiu no Brasil há pouco tempo e que tem mostrado bons resultados. Com o apoio do BNDES, o banco federal encarregado de promover o desenvolvimento econômico e social do país, algumas ONGs e prefeituras estão concedendo pequenos empréstimos a juros baixos — em média, de 1.200 reais cada um — para gente que não tem conta em banco e jamais conseguiria crédito num balcão regular, mas que tem vontade e competência para montar um negócio próprio. No ano passado, em todo o país, foram emprestados 74 milhões de reais em cerca de 70.000 operações de crédito. Com esse dinheiro, abriram-se mais de 60.000 postos de trabalho. "O microcrédito é uma forma sustentável de combate à pobreza, porque gera renda e emprego", diz o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.

A idéia de proporcionar crédito a pessoas com pouco ou nenhum dinheiro, porém com muito desejo de trabalhar, nasceu em Bangladesh, país vizinho à Índia, onde a pobreza e o desemprego campeiam. Lá, os empréstimos são oferecidos desde o final da década de 70 para 2 milhões de trabalhadores rurais. No Brasil, a experiência pioneira é gaúcha. Em treze anos, o Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos do Estado do Rio Grande do Sul atende a vinte cidades. No Rio de Janeiro, com dois anos de vida, o RioCred tem 3.000 clientes ativos. O financiamento de microempresários é interessante para os empreendedores (cozinheiras, marceneiros, costureiras) e para as instituições financeiras. A inadimplência, nos empréstimos-formiga, é em média de 3,7%, menos da metade do que se verifica nas operações bancárias normais.

 
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Da internet
  BNDES
  Governo Estadual do Rio de Janeiro