Infinito e eterno
Imagens do
universo recém-formado mostram que
sua expansão pode continuar para sempre

Balão com telescópio
na Antártica:
radiações cósmicas a 37 000 metros
de altitude |
Uma das questões
essenciais da ciência a natureza e o destino
do universo ganhou nova teoria na semana passada.
Com base em observações de um telescópio
a bordo de um balão sobre a Antártica, uma
equipe internacional de pesquisadores acredita ter conseguido
captar raios emitidos há quase 12 bilhões
de anos, período relativamente próximo da
grande explosão, o Big Bang, que criou o universo.
Ao analisar os sinais daqueles instantes primordiais, eles
concluíram que o destino perene do cosmo estava traçado
desde o nascimento. A teoria é sensacional e mexe
com convicções bem estabelecidas no mundo
científico. Ao contrário do que se temia,
é bem mais provável que o macrocosmo (isto
é, o conjunto de tudo o que existe, incluindo as
galáxias e toda a matéria disseminada no espaço)
seja eterno. "É uma novidade excitante, que mudará
todos os livros que contam a história do universo",
entusiasma-se Peter Ade, da Universidade de Londres e um
dos pesquisadores da equipe.
O universo vem se expandindo
continuamente desde o Big Bang. As galáxias estão
se afastando umas das outras, e sempre se discutiu a existência
de um limite para esse crescimento. Suspeitava-se que em
determinado momento a força de expansão se
tornaria mais fraca que a pressão da gravidade, e
o movimento seria invertido. Ocorreria então o chamado
Big Crunch, com o universo comprimindo-se, esmagando planetas,
estrelas e galáxias. As novas imagens permitiram
aos cientistas estimar a densidade do universo no Big Bang.
Com isso, foi possível concluir que não há
matéria suficiente no espaço para interromper
o processo de expansão. Significa que, além
de infinito, o universo vai durar para sempre. Em questões
de tal magnitude nenhuma resposta deve ser tomada como a
palavra final. Não se explicou de modo razoável,
por exemplo, sobre qual espaço avança um universo
que é, por definição, infinito.
A imagem do universo
recém-formado é o resultado de um projeto
ambicioso, chamado de Boomerang, organizado por dezesseis
universidades e organizações da Itália,
da Inglaterra, do Canadá e dos Estados Unidos. O
telescópio de 2 toneladas e instrumentos de alta
sensibilidade montado num balão atmosférico
sobrevoou a Antártica a 37.000 metros de altitude
e rastreou um trecho correspondente a 3% do céu.
O que captou não foi a luz solar, mas a chamada radiação
cósmica de fundo, as partículas luminosas
resultantes do Big Bang. A imagem é de um universo
imensamente menor e mais quente que hoje. Planetas e estrelas
ainda não haviam nascido nem os átomos se
tinham formado. Tudo o que existia era um plasma mais quente
e denso que o interior do Sol. A radiação
remanescente está por toda parte, a ponto de ser
considerada responsável por 1% da interferência
nas transmissões de TV.
| ECOS
DA CRIAÇÃO |
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O telescópio na Antártica
captou uma tênue radiação de microondas
vinda do espaço. Ela é o que restou da
grande explosão, o Big Bang, que criou o universo
há 12 bilhões de anos. A imagem dessa
radiação no céu (ao lado)
mostra como era o universo com apenas 300 000 anos de
existência. |
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