Moderno à beça
Para o bem ou para o mal, os homens estão
adotando o visual do cavanhaque e bigodinho
Silvia Rogar
Fotos Eugenio Savio/AFP/Nelson
Peixoto/Eliane Coster/Carlos Ivan/Ag. Globo
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| Em sentido horário,
Guilherme, Barrichello, Diniz, Novaes e Camelo: bonito
nos bonitos, arriscado nos outros |
O piloto Rubinho Barrichello adotou o visual há
pouco tempo. O ator americano Ben Affleck fez dele a sua
marca nos filmes em que atuou. Miguel Falabella, o camaleão
facial, está cultivando um. Marcelo Novaes experimentou
e gostou. João Paulo Diniz, com o seu, trocou beijinhos
com a supermodelo Gisele Bündchen. Não pairam
só sobre os músculos as preocupações
dos bonitões ou daqueles que pretendem sê-lo.
O cavanhaque acompanhado de bigodinho ressuscitou e caiu
no gosto dos homens, sobretudo aqueles que ainda não
chegaram aos 30 anos. "Três em cada dez clientes jovens
estão usando", diz Alexandre Bastos, da moderninha
Barber Shop, instalada no maior shopping da Zona Sul do
Rio de Janeiro.
As recomendações básicas são
usar com cabelo curtinho (a não ser que você
seja Brad Pitt ou Johnny Depp) e manter tanto o cavanhaque
quanto o bigode rentes e bem aparados. Só os muito
desajeitados apelam para ajuda profissional na hora de mudar
o visual. A maioria dos neobarbudinhos simplesmente deixa
de fazer a barba por três dias, pega a lâmina
e sai do espelho de cara nova. Até aí é
fácil. Complicado é quatro, cinco dias depois,
quando os pêlos discretos e arrumadinhos começam
a crescer. Em quem tem barba mais cerrada, o reparo deve
ser diário. Antes de desembarcar por aqui, a onda
andou forte na Europa. Seu país de origem é
a Itália .o jogador
Roberto Baggio, por exemplo, foi um dos primeiros a usar.
Sendo a Itália o que é em matéria de
estética masculina, compreende-se um princípio
inalienável da barbicha moderninha: da mesma forma
que rabo-de-cavalo, ela fica muito bem em homens bonitos.
Num marmanjo que está longe de ser um Apolo, o resultado
pode beirar o desastre. Imagine um sujeito baixo, magro,
calvo e de cavanhaque: qualquer semelhança com o
Visconde de Sabugosa não será mera coincidência.
Mesmo assim, há quem adote o estilo para disfarçar
imperfeições. "Fico horrível quando
tiro", afirma Marcelo Camelo, 22 anos, vocalista da banda
Los Hermanos que, com o adereço, também
não é lá nenhum Adônis. O músico
diz que a barbicha é um bom artifício para
não deixar à mostra o "queixo de Noel Rosa"
(na verdade, um não-queixo que emenda com o pescoço).
Para o diretor de TV Rogério Gallo, adepto do cavanhaque
há seis meses, foi uma forma de se livrar da pele
irritada. "Minha barba já cresce nesse formato e
acabei gostando", diz. A namorada, Adriane Galisteu, aprova.
O jogador do Atlético Mineiro Guilherme Alves, 25
anos, que tirou o seu na semana passada, mas já está
deixando crescer de novo, acredita piamente que a barbinha
dá sorte. Acha que ela foi decisiva para que se transformasse
no artilheiro do último campeonato brasileiro. Aviso
importante para os que dão duro em escritórios
e querem se arriscar: não tenham medo de o chefe
torcer o nariz para o novo visual. "A globalização
e o advento da nova economia fizeram com que as empresas
brasileiras ficassem mais informais e tolerantes com os
modismos", garante o head-hunter Antonio Carlos Martins.
Proibido mesmo, só para os militares e funcionários
da Disney World. Bigode, as Forças Armadas e a Disney
até permitem. Barba, jamais.