Edição 1 647 -3/5/2000

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Moderno à beça

Para o bem ou para o mal, os homens estão
adotando o visual do cavanhaque e bigodinho

Silvia Rogar

 
Fotos Eugenio Savio/AFP/Nelson Peixoto/Eliane Coster/Carlos Ivan/Ag. Globo
Em sentido horário, Guilherme, Barrichello, Diniz, Novaes e Camelo: bonito nos bonitos, arriscado nos outros

O piloto Rubinho Barrichello adotou o visual há pouco tempo. O ator americano Ben Affleck fez dele a sua marca nos filmes em que atuou. Miguel Falabella, o camaleão facial, está cultivando um. Marcelo Novaes experimentou e gostou. João Paulo Diniz, com o seu, trocou beijinhos com a supermodelo Gisele Bündchen. Não pairam só sobre os músculos as preocupações dos bonitões – ou daqueles que pretendem sê-lo. O cavanhaque acompanhado de bigodinho ressuscitou e caiu no gosto dos homens, sobretudo aqueles que ainda não chegaram aos 30 anos. "Três em cada dez clientes jovens estão usando", diz Alexandre Bastos, da moderninha Barber Shop, instalada no maior shopping da Zona Sul do Rio de Janeiro.

As recomendações básicas são usar com cabelo curtinho (a não ser que você seja Brad Pitt ou Johnny Depp) e manter tanto o cavanhaque quanto o bigode rentes e bem aparados. Só os muito desajeitados apelam para ajuda profissional na hora de mudar o visual. A maioria dos neobarbudinhos simplesmente deixa de fazer a barba por três dias, pega a lâmina e sai do espelho de cara nova. Até aí é fácil. Complicado é quatro, cinco dias depois, quando os pêlos discretos e arrumadinhos começam a crescer. Em quem tem barba mais cerrada, o reparo deve ser diário. Antes de desembarcar por aqui, a onda andou forte na Europa. Seu país de origem é a Itália –.o jogador Roberto Baggio, por exemplo, foi um dos primeiros a usar. Sendo a Itália o que é em matéria de estética masculina, compreende-se um princípio inalienável da barbicha moderninha: da mesma forma que rabo-de-cavalo, ela fica muito bem em homens bonitos. Num marmanjo que está longe de ser um Apolo, o resultado pode beirar o desastre. Imagine um sujeito baixo, magro, calvo e de cavanhaque: qualquer semelhança com o Visconde de Sabugosa não será mera coincidência.

Mesmo assim, há quem adote o estilo para disfarçar imperfeições. "Fico horrível quando tiro", afirma Marcelo Camelo, 22 anos, vocalista da banda Los Hermanos – que, com o adereço, também não é lá nenhum Adônis. O músico diz que a barbicha é um bom artifício para não deixar à mostra o "queixo de Noel Rosa" (na verdade, um não-queixo que emenda com o pescoço). Para o diretor de TV Rogério Gallo, adepto do cavanhaque há seis meses, foi uma forma de se livrar da pele irritada. "Minha barba já cresce nesse formato e acabei gostando", diz. A namorada, Adriane Galisteu, aprova. O jogador do Atlético Mineiro Guilherme Alves, 25 anos, que tirou o seu na semana passada, mas já está deixando crescer de novo, acredita piamente que a barbinha dá sorte. Acha que ela foi decisiva para que se transformasse no artilheiro do último campeonato brasileiro. Aviso importante para os que dão duro em escritórios e querem se arriscar: não tenham medo de o chefe torcer o nariz para o novo visual. "A globalização e o advento da nova economia fizeram com que as empresas brasileiras ficassem mais informais e tolerantes com os modismos", garante o head-hunter Antonio Carlos Martins. Proibido mesmo, só para os militares e funcionários da Disney World. Bigode, as Forças Armadas e a Disney até permitem. Barba, jamais.