Edição 1 647 -3/5/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Eles ganham pouco, mas se divertem muito
Praias de lagos e represas viram pólos de lazer
A nova iluminação do Cristo Redentor
Quando o marido passa a cuidar da casa e das crianças
A moda do cavanhaque e bigodinho
Anestesia dentária controlada por computador
Vaivém da ciência confunde os pacientes
A supergalinha alterada geneticamente
O mapeamento do genoma do cão
Os mistérios sobre o universo só aumentam
Os riscos a que nossas crianças estão expostas
A prisão do traficante Marcinho VP
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Os donos-de-casa

O que muda quando as mulheres trabalham e
os maridos passam a tomar conta das crianças

Tatiana Chiari


Ricardo Benichio
Helcio, com o menino Mauro: o engenheiro virou consultor e hoje cuida da educação do filho

O último censo americano apresentou um dado surpreendente: quase 5 milhões de homens nos Estados Unidos são donos-de-casa. Eles se ocupam das tarefas domésticas e, principalmente, se responsabilizam pela educação dos filhos. No Brasil, ainda não se sabe ao certo quantos lares vivem nessa situação. Mas sabe-se que aumenta o número de pais que, por força das circunstâncias, trocam de lugar com a mãe. É incrível imaginar que crianças acostumadas a dormir com canções do tipo "papai foi trabalhar" experimentem a situação inversa. Na casa delas, mamãe é quem foi trabalhar e o papai está ali para passar, lavar e preparar a comida. Não há dúvida de que o rearranjo familiar muda a dinâmica da casa. Mas, como o fenômeno é recente, não há estudo conclusivo a respeito do efeito dessa troca sobre as crianças. Os especialistas concordam que os pais tendem a ser mais rigorosos que as mães com alguns aspectos da educação dos filhos. Preocupam-se mais que elas com a pontualidade das tarefas, por exemplo. Ou são implicantes demais quando o garoto ou a garota lhes desobedecem. "As mães têm mais dificuldade na hora de impor autoridade", diz Maria da Conceição Uvaldo, professora de psicologia da Universidade de São Paulo.

Da década de 70 para cá, houve uma mudança significativa no papel da figura paterna. Nesse tempo, o pai perdeu a primazia de ser o chefe de família. No Brasil, as mulheres já chefiam uma em cada quatro casas. As razões são conhecidas: houve o aumento da presença feminina no mercado de trabalho e também na renda do casal. A presença do pai em casa é subproduto dessa onda de transformações. A troca acontece em algumas circunstâncias específicas, quase sempre quando a renda do casal não é suficiente para pagar uma babá, um dos dois se vê obrigado a deixar o emprego e ela ganha bem mais que ele. Ou então quando o marido perde o emprego e, diante da dificuldade de voltar ao mercado, se acomoda no papel de dono-de-casa. Raramente isso acontece por opção do homem, mas por necessidade. Do ponto de vista dos filhos, eis outro aspecto a ser estudado. Será que o pai está feliz nesse novo papel?

Em alguns casos, sim, garante o engenheiro eletrônico Helcio Dias Leite, de São Paulo. Quando seu filho Mauro nasceu, sua mulher tinha uma carreira em ascensão. Ele não. Em comum acordo, ficou acertado que Helcio iria assumir a educação do menino. Hoje, é ele quem lava, passa e prepara as refeições de Mauro. Nas horas vagas, presta consultoria. A atual configuração familiar requer cuidados, já que ambos, pai e mãe, estão pisando em campo desconhecido. A mãe sente que seu espaço está sendo invadido e o pai tem de galgar sozinho um caminho para o qual nunca foi treinado. Para os especialistas, a inversão de papéis é apenas uma alternativa para lidar com as variantes de um mundo dinâmico. E uma possibilidade a mais para quem, em algum momento, precisa se adaptar às regras do jogo.

 
Saiba mais
Da internet
  Full-Time Dads
  Slowlance.com