As luzes do
Cristo
Nova iluminação
restitui cor original do
monumento mais famoso do Brasil
Marcelo Camacho
Selmy Yassuda
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Desde a semana passada o cartão-postal mais famoso
do Brasil está de roupa nova. Durante o dia, quem
visita a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro,
já pode ver o monumento novamente em sua cor original.
Depois de uma cuidadosa lavagem, a fuligem acinzentada que
se acumulou sobre a imagem nos últimos dez anos desapareceu.
Em seu lugar surgiu a coloração verde-água
natural do revestimento de pedra-sabão. A grande
novidade, porém, acontece à noite. A estátua
era iluminada por um tipo de luz amarelada desde 1980. Agora,
quem observa o Cristo após o escurecer vê uma
iluminação branca, que realça o tom
esverdeado do monumento. A intenção foi fazer
com que, mesmo à noite, a estátua pudesse
ser apreciada de longe em sua cor original. O resultado
causou certa estranheza, fazendo o Cristo Redentor parecer
um daqueles santinhos fosforescentes que brilham em muitas
mesinhas-de-cabeceira Brasil afora. "Uma das características
do meio urbano é a dinâmica. Os cariocas assimilarão
a nova iluminação rapidamente", prevê
o arquiteto Paulo Casé.
Era desejo da Arquidiocese do Rio de Janeiro reformar
a iluminação do Cristo para comemorar o jubileu
do ano 2000. O comitê de empresas responsável
pela empreitada pensou em várias soluções.
Cogitou-se uma iluminação volante, que mudasse
de cor a cada dia da semana. Pensou-se também em
um sistema de holofotes multicoloridos para ser acionado
em ocasiões festivas, como a noite de Ano-Novo. A
arquidiocese recusou as propostas mirabolantes. "O Cristo
é um símbolo que não pode ser motivo
para muito carnaval", diz Ricardo Piquet, gerente de projetos
da Fundação Roberto Marinho, uma das organizações
que participaram da reforma. Acabou-se optando pela sobriedade
da luz branca, que revela a coloração original
da estátua. São dezesseis projetores de 1
000 watts cada um.
Durante sessenta dias, entre janeiro e março, a
estátua esteve coberta por andaimes, obrigando os
visitantes a circular na área com capacete na cabeça.
A reforma não ficou apenas na iluminação.
Além da lavagem da estátua, foram restaurados
10 metros quadrados de sua superfície externa. Por
dentro, a estrutura de concreto ganhou uma malha de titânio
para impedir que a corrosão afete o revestimento
externo de pedra-sabão. A estrutura metálica
que sustenta os refletores da iluminação noturna,
um trambolho que poluía a visão do local,
também foi escondida embaixo da balaustrada de concreto
que cerca o mirante. Essa primeira parte da reforma do Cristo
Redentor consumiu 700 000 reais. Mais 2,8 milhões
serão empregados na etapa de obras que se iniciou
na semana passada. Uma das queixas recorrentes dos 500.000
turistas que visitam o Cristo a cada ano é a dificuldade
de enfrentar os 215 degraus de escada que levam ao mirante
principal. Uma alternativa está sendo construída,
com a instalação de um conjunto de elevadores
e uma escada rolante que fará o visitante subir quase
60 metros com o mínimo esforço. A previsão
é que tudo esteja pronto até o Natal.