Praias no interior
Mais
sofisticados,
lagos e represas
tornam-se novos pólos de lazer
Rachel Verano
Rogerio Voltan
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Bragança
Paulista:
jet-skis, lanchas e esquis na Represa de Jaguari
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Todo feriado a cena se repete. O empresário mineiro
Rodrigo Mascarenhas deixa Belo Horizonte, onde mora, e viaja
até o balneário de Escarpas do Lago, a 290
quilômetros de distância, para curtir seu lazer
preferido: descansar em sua casa de 450 metros quadrados
às margens da Represa de Furnas. Ali, Mascarenhas
costuma passear de lancha durante horas pelo lago, em meio
a cachoeiras belíssimas, e curtir a piscina e os
amigos. O mesmo faz a empresária Liliana Hermeto
e sua família. Litoral? Nem pensar. Há três
anos Liliana vendeu o apartamento que tinha em Cabo Frio,
na costa do Estado do Rio, e apostou no balneário.
"Trocamos a areia e o mar pela tranqüilidade e pelo
conforto", diz ela. Mascarenhas e Liliana ilustram um movimento
que se iniciou tímido faz alguns anos e hoje já
se tornou uma tendência: o investimento nas chamadas
praias do interior, que surgem em torno de lagos, rios e
represas. "Até pouco tempo atrás, lazer era
sinônimo de litoral", observa o consultor Lincoln
Marques, especialista em mercado imobiliário. "O
brasileiro está deixando de lado o preconceito pelo
interior. O resultado é uma verdadeira explosão
de investimentos."
Eugenio Savio
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| Escarpas do
Lago, em Minas: tênis, mansões e lanchas
nas águas da Represa de Furnas |
Uma série de novidades tem
impulsionado esse movimento. Há alguns anos os empreendimentos
eram muito rústicos. Hoje esses lugares contam com
uma infra-estrutura de fazer inveja a qualquer praia da
moda. Às margens de lagos de água cristalina
brotam marinas, hotéis de luxo, lojas de artigos
náuticos, bons restaurantes e condomínios
sofisticados. Reduto de empresários ricos e bem-sucedidos,
Escarpas do Lago tem a maior base náutica de água
doce da América Latina. São mais de 300 embarcações,
o triplo do que existia por ali pouco mais de cinco anos
atrás. Cerca de 800 imóveis de luxo foram
construídos em volta do lago. Há seis meses
a cidade de Capitólio, onde fica o balneário,
ganhou um aeroporto a pedido dos empresários que
têm casas de veraneio no condomínio. É
que muitos se deslocam até lá em helicópteros
e aviões particulares. De olho no potencial da região,
a MRV, uma das maiores construtoras de imóveis residenciais
do país, colocou à venda, na virada do ano,
aproximadamente 200 lotes e passou a construir casas de
até 200 metros quadrados. O sucesso superou as expectativas.
Mais de dez já foram vendidas, o dobro do que era
esperado.
Eugenio Savio
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Os fãs de carteirinha apontam
inúmeras vantagens de investir no interior. Uma é
o preço. É bem mais baixo que no litoral.
Segundo estimativas de Roberto Capuano, presidente do Conselho
Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo,
um imóvel às margens das represas mais badaladas
do interior paulista custa a metade do preço de um
similar no litoral norte do Estado. Enquanto uma casa de
300 metros quadrados vale cerca de 250.000 reais às
margens de uma represa, no litoral norte custaria o dobro.
A aproximadamente 300 quilômetros da capital paulista,
mais de dez represas formam o circuito das praias de água
doce do Estado. Um dos lugares mais freqüentados é
a Represa do Broa, no município de Itirapina. São
muitas as opções de diversão: de praia
pública a esportes náuticos e até pára-quedismo.
Em Bragança Paulista, dezenas de lanchas e jet-skis
lotam a Represa de Jaguari nos finais de semana.
Renata Ursaia
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Condomínio
em
Avaré e vista da
Represa do Broa, em São Paulo: diversão
perto da capital |
Algumas cidades já começam a sentir no dia-a-dia
as mudanças trazidas pela leva de investimentos.
Avaré, às margens da Represa de Jurumirim,
a pouco mais de 200 quilômetros de São Paulo,
passou por uma verdadeira revolução nos últimos
três anos. Viu o comércio abrir nos fins de
semana, o número de restaurantes dobrar e triplicar
as lojas de artigos esportivos e de pesca. Nos grandes feriados
a população, de 80.000 habitantes, chega a
duplicar. Somente para este ano estão previstos investimentos
de 10 milhões de reais na cidade. Há três
hotéis em construção. O maior deles
será erguido num terreno de 242.000 metros quadrados,
um investimento de mais de 7 milhões de reais.
Marcus Mico Ribeiro
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Para quem vive no interior do Paraná,
praia é um sonho distante. Cada vez que um morador
de Londrina quer curtir o verão no litoral, tem duas
opções: pegar um avião ou enfrentar
os 500 quilômetros de estrada que o separam da costa
mais próxima. Resultado: pouca gente vai à
praia. São justamente as longas distâncias
do território nacional que os especialistas apontam
como um dos principais combustíveis de desenvolvimento
das praias do interior, que aparecem como alternativas de
lazer mais acessíveis. Pois bem, a 70 quilômetros
de Londrina foi lançado, em novembro do ano passado,
um condomínio de luxo numa ilha de 54 hectares na
Represa de Capivara, município de Primeiro de Maio.
Antes mesmo de as obras básicas de infra-estrutura
ficarem prontas, 40% dos lotes já foram vendidos.
Nos próximos anos a represa ganhará um hotel
de luxo. "A idéia é aliar o conforto à
praticidade", diz o empresário Abílio Medeiros,
que administra os empreendimentos na ilha. Aplicando esse
mesmo conceito, outra região do Paraná se
prepara para tornar-se um pólo de lazer. Novas casas,
condomínios, hotéis e marinas começam
a pipocar às margens da represa criada há
dezoito anos pela hidrelétrica de Itaipu, que banha
quinze cidades do oeste do Estado. As praias do interior
nunca estiveram tão animadas.
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