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LIVROS
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| Mauriac:
em tradução de Drummond |
Thérèse
Desqueyroux, de François Mauriac (tradução
de Carlos Drummond de Andrade; Cosac & Naif; 187 páginas; 33
reais) François Mauriac foi um dos grandes romancistas da
vida provinciana na França do século XX. Nesse livro curto,
considerado sua obra-prima, ele acompanha a protagonista em um excruciante
exame de consciência. Quais as raízes da inquietação
existencial de Thérèse que a levam, enfim, a tentar matar
o marido por envenenamento? Católico fervoroso, Mauriac tinha sempre
em mente questões religiosas ao escrever. "Para compreender e estimar
Mauriac, é preciso aceitá-lo tal como é, romancista
obcecado com o problema da culpa e do resgate", escreve o poeta Carlos
Drummond de Andrade no prefácio ao livro.Drummond assina também
a impecável tradução, realizada por ele em 1943,
e que havia tempo estava fora de circulação. Leia
trechos do livro.
A
Mágica, de Martyn Bedford (tradução de Marcos
Demoro; Record; 396 páginas; 40 reais) Em comum com outros
autores ingleses da atualidade, como Nick Hornby (Alta Fidelidade)
e Alex Garland (A Praia), Martyn Bedford tem a habilidade de criar
uma prosa altamente digerível, bem-humorada e moderninha. Poderia
ser só mais um nome a seguir essa trilha, não fosse um diferencial:
nesse seu terceiro livro, ele se revela um narrador de suspense mais habilidoso
que a média. Feito para se devorar em questão de horas,
A Mágica conta a história de um ilusionista às
voltas com um mistério em sua vida pessoal. Depois de namorar uma
garota por um ano, ele é surpreendido pela notícia de sua
morte em estranhas circunstâncias. Ao investigar o passado da amada,
o mágico descobre que vinha sendo tão iludido quanto os
espectadores de seus truques.
Terra
de Sonho, de Kevin Baker (tradução de Vitória
Paranhos Montovani; Best Seller; 583 páginas; 45 reais)
Ex-chefe de pesquisas de O Século Americano, célebre
projeto histórico sobre os Estados Unidos do século XX,
Baker fez belo uso de seus conhecimentos num agitado e recompensador romance.
Nova York e o balneário de Coney Island servem de cenário
à trama, que se desenrola por volta de 1910. Uma miríade
de personagens atravessa as páginas do livro. São chefões
políticos e sindicalistas, gângsteres e prostitutas, e até
mesmo o austríaco Sigmund Freud, o pai da psicanálise, em
visita aos Estados Unidos. No centro das aventuras está Trick,
morador de uma cidade feérica, habitada por 300 anões, que
realmente existiu num parque de Coney Island. Por sua vívida recriação
de época, Terra de Sonho foi comparado a um clássico
da ficção histórica americana: Ragtime, de
E.L. Doctorow.
DISCOS
Marcos Simch/Trama
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| Jair:
só um passo em falso |
Outro,
Jair Oliveira (Trama) Nos últimos tempos, uma nova geração
de artistas brasileiros tem recuperado certas qualidades da música
nacional, como a riqueza harmônica e de melodias. Um nome que se
destaca nesse time é o de Jair Oliveira, filho do cantor Jair Rodrigues
e irmão da boa cantora Luciana Mello. Depois de despontar na infância
como o Jairzinho do programa de televisão Balão Mágico,
ele voltou-se para a música e formou-se na prestigiosa Berklee
College of Music, dos Estados Unidos. Outro, seu mais recente lançamento,
é uma bela coleção de bossas (Amor e Saudade,
com participação especial do cantor Ed Motta),sambas (Falso
Amor, Dor de Ressaca) e baladas (Bom Dia, Anjo
e Frio pra Bem Longe). Convém apenas esquecer a faixa de
abertura, Instruções, uma tolice que explica como
ajustar o aparelho de som para ouvir o CD.
Getz
for Lovers, Stan Getz (Universal) Conhecido pelo epíteto
The Sound (O Som), o saxofonista americano Stan Getz (1927-1991) explorou
diversas vertentes do jazz, mas sempre se deu melhor nas mais suaves.
Na década de 60, ele foi um dos primeiros jazzistas a apostar na
bossa nova. Boa parte do repertório desse álbum foi pinçada
de sua parceria com o brasileiro João Gilberto, que resultou no
célebre Getz/Gilberto. De seu disco-tributo à dupla
formada pelo compositor Burt Bacharach e pelo letrista Hal David, What
the World Needs Now, foram escolhidas Alfie e The Look of
Love. Mesmo tendo sido regravadas à exaustão, elas soam
brilhantes na interpretação de Getz e de uma banda que conta
com o pianista Herbie Hancock e o baixista Ron Carter. Dois outros grandes
nomes do teclado marcam presença: Bill Evans, em Melinda,
e Oscar Peterson, em I'm Glad There is You.
Gold,
Ryan Adams (FNM) Poucos músicos têm sido mais festejados
do que o cantor americano Ryan Adams. Ele é expoente de um gênero
supostamente novo, chamado "country alternativo". Na verdade, o rótulo
existe desde os anos 60, quando era usado para definir o som do grupo
The Byrds. Também esteve presente nos melhores álbuns de
Neil Young e Bruce Springsteen. A diferença é que Adams
tem uma voz muito mais agradável do que o fanhoso Young e não
cai no panfletarismo dos últimos discos de Springsteen. A maioria
de suas letras é sobre tristeza e dor-de-cotovelo numa entrevista
recente, ele chegou a confessar que Gold deveria se chamar Diário
de um Suicida. O disco é tão bom nas baladas (Answering
Bell) quanto nas músicas mais animadas, como New
York, New York trilha sonora perfeita para pegar
a estrada.
VÍDEO
Eclipse
Mortal (Pitch Black, Estados Unidos, 2000. Universal)
Ficção científica B que se preze tem cenários
franciscanos (mas capazes de disfarçar seu baixo custo), muito
suspense e personagens fortes. Todos esses atributos constam de Eclipse
Mortal, sobre um grupo de viajantes preso em um planeta distante.
A paisagem desértica parece pacífica, mas esconde um segredo:
na escuridão total, seres monstruosos partem para o ataque, o que
explica o fato de todas as instalações construídas
ali estarem abandonadas. Como os sóis do planeta estão prestes
a ser escondidos pelo eclipse do título, o grupo tem pouco tempo
para achar uma forma de sobreviver. A única pessoa capaz de liderá-los
parece ser a menos confiável: um criminoso que estava sendo transportado
para uma colônia penal. O diretor David Twohy comanda seu espetáculo
com rédea curta, garantindo a satisfação.
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