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Edição 1 745 - 3 de abril de 2002
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LIVROS

 
Mauriac: em tradução de Drummond

Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac (tradução de Carlos Drummond de Andrade; Cosac & Naif; 187 páginas; 33 reais) – François Mauriac foi um dos grandes romancistas da vida provinciana na França do século XX. Nesse livro curto, considerado sua obra-prima, ele acompanha a protagonista em um excruciante exame de consciência. Quais as raízes da inquietação existencial de Thérèse que a levam, enfim, a tentar matar o marido por envenenamento? Católico fervoroso, Mauriac tinha sempre em mente questões religiosas ao escrever. "Para compreender e estimar Mauriac, é preciso aceitá-lo tal como é, romancista obcecado com o problema da culpa e do resgate", escreve o poeta Carlos Drummond de Andrade no prefácio ao livro.Drummond assina também a impecável tradução, realizada por ele em 1943, e que havia tempo estava fora de circulação. Leia trechos do livro.

A Mágica, de Martyn Bedford (tradução de Marcos Demoro; Record; 396 páginas; 40 reais) – Em comum com outros autores ingleses da atualidade, como Nick Hornby (Alta Fidelidade) e Alex Garland (A Praia), Martyn Bedford tem a habilidade de criar uma prosa altamente digerível, bem-humorada e moderninha. Poderia ser só mais um nome a seguir essa trilha, não fosse um diferencial: nesse seu terceiro livro, ele se revela um narrador de suspense mais habilidoso que a média. Feito para se devorar em questão de horas, A Mágica conta a história de um ilusionista às voltas com um mistério em sua vida pessoal. Depois de namorar uma garota por um ano, ele é surpreendido pela notícia de sua morte em estranhas circunstâncias. Ao investigar o passado da amada, o mágico descobre que vinha sendo tão iludido quanto os espectadores de seus truques.

Terra de Sonho, de Kevin Baker (tradução de Vitória Paranhos Montovani; Best Seller; 583 páginas; 45 reais) – Ex-chefe de pesquisas de O Século Americano, célebre projeto histórico sobre os Estados Unidos do século XX, Baker fez belo uso de seus conhecimentos num agitado e recompensador romance. Nova York e o balneário de Coney Island servem de cenário à trama, que se desenrola por volta de 1910. Uma miríade de personagens atravessa as páginas do livro. São chefões políticos e sindicalistas, gângsteres e prostitutas, e até mesmo o austríaco Sigmund Freud, o pai da psicanálise, em visita aos Estados Unidos. No centro das aventuras está Trick, morador de uma cidade feérica, habitada por 300 anões, que realmente existiu num parque de Coney Island. Por sua vívida recriação de época, Terra de Sonho foi comparado a um clássico da ficção histórica americana: Ragtime, de E.L. Doctorow.

 

DISCOS

 
Marcos Simch/Trama
Jair: só um passo em falso

Outro, Jair Oliveira (Trama) – Nos últimos tempos, uma nova geração de artistas brasileiros tem recuperado certas qualidades da música nacional, como a riqueza harmônica e de melodias. Um nome que se destaca nesse time é o de Jair Oliveira, filho do cantor Jair Rodrigues e irmão da boa cantora Luciana Mello. Depois de despontar na infância como o Jairzinho do programa de televisão Balão Mágico, ele voltou-se para a música e formou-se na prestigiosa Berklee College of Music, dos Estados Unidos. Outro, seu mais recente lançamento, é uma bela coleção de bossas (Amor e Saudade, com participação especial do cantor Ed Motta),sambas (Falso Amor, Dor de Ressaca) e baladas (Bom Dia, Anjo e Frio pra Bem Longe). Convém apenas esquecer a faixa de abertura, Instruções, uma tolice que explica como ajustar o aparelho de som para ouvir o CD.

Getz for Lovers, Stan Getz (Universal) – Conhecido pelo epíteto The Sound (O Som), o saxofonista americano Stan Getz (1927-1991) explorou diversas vertentes do jazz, mas sempre se deu melhor nas mais suaves. Na década de 60, ele foi um dos primeiros jazzistas a apostar na bossa nova. Boa parte do repertório desse álbum foi pinçada de sua parceria com o brasileiro João Gilberto, que resultou no célebre Getz/Gilberto. De seu disco-tributo à dupla formada pelo compositor Burt Bacharach e pelo letrista Hal David, What the World Needs Now, foram escolhidas Alfie e The Look of Love. Mesmo tendo sido regravadas à exaustão, elas soam brilhantes na interpretação de Getz e de uma banda que conta com o pianista Herbie Hancock e o baixista Ron Carter. Dois outros grandes nomes do teclado marcam presença: Bill Evans, em Melinda, e Oscar Peterson, em I'm Glad There is You.

Gold, Ryan Adams (FNM) – Poucos músicos têm sido mais festejados do que o cantor americano Ryan Adams. Ele é expoente de um gênero supostamente novo, chamado "country alternativo". Na verdade, o rótulo existe desde os anos 60, quando era usado para definir o som do grupo The Byrds. Também esteve presente nos melhores álbuns de Neil Young e Bruce Springsteen. A diferença é que Adams tem uma voz muito mais agradável do que o fanhoso Young e não cai no panfletarismo dos últimos discos de Springsteen. A maioria de suas letras é sobre tristeza e dor-de-cotovelo – numa entrevista recente, ele chegou a confessar que Gold deveria se chamar Diário de um Suicida. O disco é tão bom nas baladas (Answering Bell) quanto nas músicas mais animadas, como New York, New Yorktrilha sonora perfeita para pegar a estrada.

 

VÍDEO

Eclipse Mortal (Pitch Black, Estados Unidos, 2000. Universal) – Ficção científica B que se preze tem cenários franciscanos (mas capazes de disfarçar seu baixo custo), muito suspense e personagens fortes. Todos esses atributos constam de Eclipse Mortal, sobre um grupo de viajantes preso em um planeta distante. A paisagem desértica parece pacífica, mas esconde um segredo: na escuridão total, seres monstruosos partem para o ataque, o que explica o fato de todas as instalações construídas ali estarem abandonadas. Como os sóis do planeta estão prestes a ser escondidos pelo eclipse do título, o grupo tem pouco tempo para achar uma forma de sobreviver. A única pessoa capaz de liderá-los parece ser a menos confiável: um criminoso que estava sendo transportado para uma colônia penal. O diretor David Twohy comanda seu espetáculo com rédea curta, garantindo a satisfação.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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