| Fale conosco |
| Ajuda |
| Mapa do site |
![]() |
|
|
Crie seu grupo |
Cartões, cartões
|
Kiko Ferrite![]() |
| Jovem ao telefone: 19,5 milhões de aparelhos celulares pré-pagos |
Por favor, coloque esta revista sobre a mesa. Para conferir a quantidade de cartões que cerca sua vida será preciso usar os dedos das duas mãos. Há o cartão de crédito, o cartão de débito, o cartão do plano de saúde, o cartão de milhagem, o cartão da seguradora do carro, o cartão da locadora de vídeo e agora o cartão de crédito pré-pago, a novidade do momento. Ele foi desenvolvido pelas operadoras para funcionar como uma espécie de mesada de plástico. O titular do cartão de crédito normal pode entregar um desses novos cartões ao filho e "carregá-lo" com um valor fixo. O jovem efetua as despesas normalmente até zerar o montante. Depois disso, as operações ficam bloqueadas até o mês seguinte. Ou antes, se o filhão convencer o papai a liberar uma carga extra. "Com um cartão de crédito comum, o pai pode até reclamar com o filho, mas a despesa já foi feita. Com o pré-pago, o controle de gastos é eletrônico", diz Carla Schmitzberger, vice-presidente de marketing da Credicard.
Há 35 milhões de cartões de crédito pós-pagos no Brasil, e apenas 10.000 pré-pagos. É quase nada, mas o mercado aposta que o produto terá o mesmo destino dos celulares pré-pagos. Em 1999, logo após a introdução dos telefones pré-pagos no país, havia 9,2 milhões de celulares convencionais. Imaginava-se que o novo produto fosse atender principalmente à camada menos favorecida da sociedade, mas ele simplesmente explodiu em todas as classes sociais. Entre os jovens, virou coqueluche, e não porque a garotada prefira o modelo cuja despesa é controlada e definida com antecedência. Acontece que, se não fossem os pré-pagos, um número menor de pais aceitaria entregar aos filhos um aparelho capaz de efetuar gastos sem limite. Estariam todos esses jovens de pager pendurado na cintura. Há hoje 19,5 milhões de celulares pré-pagos, contra os mesmos 9,2 milhões de linhas pós-pagas de 1999. A grande vantagem de pré-pagar as contas é acabar com a expectativa quando chega a correspondência da companhia telefônica. O número registrado no campo "valor a pagar" em geral produz surpresas desagradáveis. Algumas empresas adotaram o sistema em que o cliente compra um cartão semelhante ao de crédito que pode valer 20, 40, 50, 80 ou 100 reais. Outras companhias oferecem o recarregamento de créditos em cabines como as de caixas automáticos. Sem cartão algum. Em ambos os casos, o cliente tem um tempo determinado para usar o crédito. Findo esse período, a pessoa pode receber chamadas e utilizar o celular para falar com a empresa telefônica ou para acionar serviços de emergência, como a polícia ou o Corpo de Bombeiros.
O controle definitivo da inflação é um componente fundamental para entender o fenômeno pré-pago no Brasil. Com a economia estável, tornou-se possível prever gastos, sem se preocupar com oscilações nos preços. Antigamente, o comum era evitar o uso de cartões para fugir das diferenças de preço praticadas pelo comércio. O lojista simulava beneficiar o consumidor com um desconto em pagamentos feitos com dinheiro ou cheque, mas na verdade estava embutindo um adicional na conta de quem negociasse a prazo. Apesar de a inflação estar controlada, as pessoas gastam relativamente pouco dinheiro nas compras feitas com cartão. A despesa média é de apenas 68 reais por mês.
Isso acontece não apenas porque a renda média do brasileiro é baixa, mas também porque a taxa de juros cobrada de quem decide parcelar os gastos é alta demais. Passa de 200% ao ano. Sabe o que isso quer dizer? Basta fazer a seguinte conta. Imagine que você decidisse aplicar 100 reais na caderneta de poupança, o equivalente a um bom jantar para duas pessoas, e resolvesse deixar o investimento parado durante sete anos. Depois desse tempo todo, em valores de hoje você poderia ter 150 reais. Seria possível então pagar um jantar para três pessoas. Se houvesse um investimento hipotético chamado "cartão de crédito", rendendo 200% ao ano, os mesmos 100 reais do jantar teriam se transformado, após sete anos, em dinheiro suficiente para comprar um apartamento de três quartos: 220.000 reais. Para quem gosta de jantar a dois, daria para custear as refeições de um casal por quase seis anos.
Em virtude desses dados, o brasileiro não se endivida. Ninguém arrisca, ninguém investe, e a economia fica semiparalisada. O crédito tem um efeito multiplicador. O trabalhador carrega dívidas de valor correspondente a um quinto do salário. Nos Estados Unidos, onde os juros são razoáveis, a média de endividamento é de seis salários e a quantidade de cartões nas mãos das pessoas é monumental. Lá existem 500 milhões de cartões de crédito para uma população de 285 milhões quase dois por habitante. No Brasil, com 35 milhões de cartões de crédito, a conta é de um para cada grupo de cinco pessoas.
|
Telefone pré-pago Quantos são: 19,5 milhões Gasto médio por mês: 25 reais Como funciona o telefone pré-pago: Por meio de débito automático ou da compra de um cartão da operadora, o proprietário do aparelho tem o direito de fazer um número máximo de ligações. Em média, o preço do minuto falado é quase o dobro do cobrado em celular pós-pago
Cartão de crédito pós-pago Quantos são:35 milhões Gasto médio por mês: 68 reais Como funciona o cartão de crédito pós-pago: O usuário paga anuidade pelo serviço, faz compras e as registra no cartão. A conta pode ser parcelada
Cartão de crédito pré-pago Quantos são:10 000 Gasto médio por mês: 200 reais Como funciona o cartão de crédito pré-pago: O produto funciona como uma mesada. O titular do cartão pós-pago transfere um valor específico para o dependente. O recarregamento do cartão pode ser feito a qualquer hora pela internet ou pelo telefone
Cartão de débito Quantos são: 119 milhões Gasto médio por mês: 44 reais Como funciona o cartão de débito: Utilizado para compras, pagamento de contas e saques. Vem sendo muito empregado e está substituindo o cheque
Cartão da Bolsa-Escola Quantos são: 5 milhões Gasto médio por mês: 15 reais Como funciona o cartão da Bolsa-Escola: Pais de crianças de baixa renda matriculadas no ensino fundamental o recebem para sacar o benefício de custeio de despesas escolares
Fontes:
Associação Brasileira das Empresas de
Cartões de Crédito |
|
|