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Eles ainda fogem
Como
no tempo do Muro, os
alemães-orientais migram para
ganhar a vida no lado ocidental
Doze anos
depois da queda do Muro de Berlim, os alemães do lado oriental
continuam utilizando a mesma rota para a prosperidade dos tempos do comunismo:
vão viver no lado ocidental da Alemanha, muito mais próspero.
Desde a reunificação do país, em 1990, mais de 1
milhão de alemães já cruzaram a antiga fronteira
numa única direção, para o oeste. O que assusta as
autoridades é que o êxodo atrai principalmente os mais jovens,
a primeira geração a ficar adulta depois da queda do Muro.
A taxa de migração aumentou 13% no último ano. Essa
fuga representa uma derrota para o governo alemão, que investiu
mais de 1 trilhão de dólares na recuperação
da infra-estrutura dos "novos Estados", como a antiga Alemanha Oriental
passou a ser conhecida. Até 1997, a economia no lado oriental cresceu
a um ritmo anual de 8% e o boom da construção civil chegou
a empregar um terço da mão-de-obra disponível. Os
incentivos fiscais e os subsídios oferecidos não foram suficientes
para atrair a iniciativa privada no volume necessário. Com a conclusão
das obras maiores e urgentes, no fim dos anos 90, restaram o desemprego
e a certeza de que um muro invisível continua separando os dois
lados.
Os números
confirmam esse fosso. O índice de desemprego na antiga Alemanha
Oriental é de 18%, o dobro da média no lado ocidental. Quem
está empregado ganha até 25% menos que um alemão-ocidental.
Com 20% da população total do país reunificado, os
seis Estados orientais contribuem com apenas 11% do PIB. "Enquanto houver
disparidade tão grande entre os dois lados, essa migração
continuará", disse a VEJA Joachim Ragnitz, do Instituto de Pesquisas
Econômicas de Halle. Se a situação não é
boa, está longe de ser dramática. Mesmo porque a reunificação
trouxe uma melhoria sensível no padrão de vida dos 16 milhões
de alemães-orientais. Desde o fim do comunismo, a maioria esmagadora
das famílias passou a contar com carro na garagem, televisão
em cores e outros bens simplesmente inexistentes antes da queda do Muro.
Há ainda o auxílio-desemprego, cuja média no leste
é de 800 dólares mensais, concedido por tempo indeterminado.
Se não resta saudade do passado, há o temor em relação
ao futuro, devido ao êxodo dos jovens. Segundo um estudo da Universidade
de Rostock, em várias cidades 90% da população tem
mais de 30 anos. Mesmo que a economia da região ensaie uma reação,
pode faltar mão-de-obra qualificada para administrar esse crescimento.
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