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Edição 1 745 - 3 de abril de 2002
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Eles ainda fogem

Como no tempo do Muro, os
alemães-orientais migram para
ganhar a vida no lado ocidental

Doze anos depois da queda do Muro de Berlim, os alemães do lado oriental continuam utilizando a mesma rota para a prosperidade dos tempos do comunismo: vão viver no lado ocidental da Alemanha, muito mais próspero. Desde a reunificação do país, em 1990, mais de 1 milhão de alemães já cruzaram a antiga fronteira numa única direção, para o oeste. O que assusta as autoridades é que o êxodo atrai principalmente os mais jovens, a primeira geração a ficar adulta depois da queda do Muro. A taxa de migração aumentou 13% no último ano. Essa fuga representa uma derrota para o governo alemão, que investiu mais de 1 trilhão de dólares na recuperação da infra-estrutura dos "novos Estados", como a antiga Alemanha Oriental passou a ser conhecida. Até 1997, a economia no lado oriental cresceu a um ritmo anual de 8% e o boom da construção civil chegou a empregar um terço da mão-de-obra disponível. Os incentivos fiscais e os subsídios oferecidos não foram suficientes para atrair a iniciativa privada no volume necessário. Com a conclusão das obras maiores e urgentes, no fim dos anos 90, restaram o desemprego e a certeza de que um muro invisível continua separando os dois lados.

Os números confirmam esse fosso. O índice de desemprego na antiga Alemanha Oriental é de 18%, o dobro da média no lado ocidental. Quem está empregado ganha até 25% menos que um alemão-ocidental. Com 20% da população total do país reunificado, os seis Estados orientais contribuem com apenas 11% do PIB. "Enquanto houver disparidade tão grande entre os dois lados, essa migração continuará", disse a VEJA Joachim Ragnitz, do Instituto de Pesquisas Econômicas de Halle. Se a situação não é boa, está longe de ser dramática. Mesmo porque a reunificação trouxe uma melhoria sensível no padrão de vida dos 16 milhões de alemães-orientais. Desde o fim do comunismo, a maioria esmagadora das famílias passou a contar com carro na garagem, televisão em cores e outros bens simplesmente inexistentes antes da queda do Muro. Há ainda o auxílio-desemprego, cuja média no leste é de 800 dólares mensais, concedido por tempo indeterminado. Se não resta saudade do passado, há o temor em relação ao futuro, devido ao êxodo dos jovens. Segundo um estudo da Universidade de Rostock, em várias cidades 90% da população tem mais de 30 anos. Mesmo que a economia da região ensaie uma reação, pode faltar mão-de-obra qualificada para administrar esse crescimento.

 
 
   
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